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«Os polacos pensavam que ir buscar jogadores a Portugal era mais difícil e não é» – Entrevista BnR com Tomás Podstawski

Rui Pedro Cipriano · 21 min

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Tomás Podstawski é daqueles casos em que o nome não engana. Filho de mãe portuguesa, é do seu pai polaco que herda o apelido mais “estranho”. É um dos mais internacionais de sempre pelas camadas jovens da Seleção portuguesa, mas é na Polónia, terra do pai, que tenta elevar o seu patamar futebolístico. Neste momento, encontra-se sem clube e ainda não sabe aquilo que o futuro lhe reserva.

-Os dilemas da dupla nacionalidade-

«Portugal acaba por ser a minha primeira casa»

 

Bola na RedeOlá, Tomás. A época na Polónia terminou na semana passada, já voltaste a Portugal?

Tomás Podstawski: Sim, voltei logo a seguir. Vim para o Porto, a minha família mais próxima está toda cá, a família da minha namorada também está cá. Estamos em casa, já não vinha ao Porto desde Março 2020, então regressar é um sentimento muito bom.

Bola na RedeDeduzo que as saudades já apertassem?

Tomás Podstawski: Já tinha saudades. Sentia falta das rotinas de estar no Porto. É sempre bom chegar e ir explorar aquilo que de novo há na cidade. Revisitar os amigos que já não via há muito tempo. Fiquei muito contente com este regresso.

Bola na RedeA Polónia ficou então para trás, sentes que também deixaste uma segunda casa ou não tens um sentimento particular em relação ao país do teu pai?

Tomás Podstawski: Sim claro, olho para a Polónia como sendo casa também. Falo a língua e sou cidadão polaco. Além disso, toda a minha família paterna é polaca e vive na Polónia. Quando era mais jovem passava muitos verões na Polónia, sinto-me bem lá, como em casa, gosto muito do país. Não é como se estivesse a viver num país estrangeiro, embora Portugal seja sempre o sítio onde nasci e tenho cá grande parte dos meus amigos, então naturalmente Portugal acaba por ser a minha primeira casa.

Bola na RedeÉs luso-polaco, nasceste e cresceste no Porto. Quais as principais diferenças entre um jovem que nasce e cresce num país tendo metade do seu sangue noutro lugar e um jovem que tem os dois pais da mesma nacionalidade? Há diferenças?

Tomás Podstawski: Sim, há diferenças e faz diferença no teu crescimento. Ficamos bem cedo com uma perspetiva e uma noção daquilo que são diferentes culturas. No meu caso fiquei por dentro da cultura portuguesa e polaca e acho que isso me enriqueceu muito, porque além de conhecer e saber falar fluentemente o polaco, também fiquei a perceber a história e as pessoas. As pessoas muitas vezes não têm noção daquilo que é o outro país, para mim pessoalmente acho que é uma grande vantagem poder crescer com duas culturas diferentes. Mas claro, o choque poderia ser maior, estamos a falar de duas culturas europeias.

Bola na RedeSomos da mesma geração, por isso partilhas da mesma experiência futebolística que eu. Portugal e Polónia neste século têm-se defrontado várias vezes, a tua primeira memória provavelmente será o confronto no Mundial 2002. Como é que se viviam esses encontros aí em casa?

Tomás Podstawski: Sim, de facto lembro-me desse jogo. Eu olhava para esses jogos sempre de uma forma especial. Ficava triste por ter que dividir, não conseguia puxar a 100% por Portugal, porque ficava sempre com alguma tristeza por a Polónia perder. Nunca vivi um Portugal x Polónia na Polónia, com o ambiente polaco, que seria certamente diferente. Mas também ficava triste por um dia e depois acabou e passava [risos]. Vá, tirando ali nos quartos de final do Euro 2016. Esse jogo eu já era mais velho e foi mais difícil ainda no sentido de ser um jogo a eliminar e com toda aquela emoção das grandes penalidades. Foi o mais difícil, mas eu sempre representei a seleção portuguesa e sempre que qualquer uma das seleções jovem joga eu estou sempre a apoiar as duas.

-Um FC Porto agridoce-

«É difícil pedir que o FC Porto apostasse em nós e quisesse continuar a ganhar ao mesmo tempo»

 

Bola na RedeFalemos do inicio da tua carreira. Como inicias a tua carreira futebolístca e porquê o futebol? Eu sei que o teu pai também foi desportista na Polónia, mas em desportos diferentes. Foste levado pelo facto do futebol ser o desporto rei por larga vantagem em Portugal?

Tomás Podstawski: Sim, foi isso. Primeiro, a cultura desportiva sempre esteve presente no seio da minha família. Os meus pais são os dois professores de educação física, por isso sempre tivemos uma abordagem para o desporto de uma forma muito natural e isso esteve sempre presente na nossa vida. Várias modalidades, aprendi sempre muita coisa com os meus pais e tínhamos uma família numerosa, por isso como tenho dois irmãos, era sempre fácil divertirmo-nos e fazermos vários desportos diferentes. Mas claro, estando a viver em Portugal, eu sinto o peso que o futebol tem cá e foi algo que acabou por puxar de uma forma natural para aquilo que é o desporto rei. As outras modalidades tinham outras dificuldades com apoios e condições que só o futebol tem.

Bola na RedeE iniciaste a tua formação onde?

Tomás Podstawski: Comecei no Boavista FC aos oito anos, fiquei lá cinco anos e depois passei para o FC Porto e estive lá nove anos até chegar ao escalão de profissional sénior.

Bola na RedeE como se deu essa transição ainda jovem do Boavista FC para o rival da cidade, o FC Porto?

Tomás Podstawski: Não houve problemas, era muito jovem. Fui eu e os meus dois irmãos, acabamos por ir do Boavista para o FC Porto. O FC Porto já funcionava muito bem a nível de scouting e já observava jogos desde miúdos. Na altura, a mudança pareceu-me ser a melhor e não havia dúvidas de que queria mudar, pela dimensão do clube e pelas condições que podiam oferecer.

Bola na RedeQual o momento do teu percurso na formação em que tiveste a certeza de que querias ser jogador de futebol profissional?

Tomás Podstawski: Eu assinei o meu primeiro contrato profissional aos 16 anos e foi a partir daí. Ainda era muito jovem e ao assinar contrato profissional, passei a ser remunerado, comecei a ser chamado à seleção e já era reconhecido dentro dos quadros do FC Porto como sendo um jogador de valor e sentia essa valorização por parte do clube. Por isso, nessa altura senti que queria aquilo para a minha vida. Penso que andava no 9.º/10.º ano da escola.

Bola na RedeFalaste das seleções jovens, tu és um dos mais internacionais de sempre pelas seleções jovens. Ninguém melhor do que tu para nos contar a realidade das seleções jovens numa idade em que ainda existe a escola, etc.

Tomás Podstawski: Sim, é uma dinâmica diferente. A Federação tem feito um grande trabalho e felizmente no Porto também tínhamos um apoio do departamento de psicologia, que nos apoiava nessas logísticas e nos horários escolares. A nossa escola também foi uma escola que sempre esteve aberta em cooperar com jogadores de alto rendimento. E isso ajudou imenso para que durante essas ausências continuássemos a ter um acompanhamento escolar bom. Tínhamos os portáteis no estágio e íamos acompanhando alguma informação e os professores ajudavam-nos quando voltávamos. Não era fácil, mas conseguíamos manter notas médias, não muito boas, mas não chumbávamos. Mas não era mesmo nada fácil, era muito tempo por ano que passávamos fora da escola.

Bola na RedeEstreaste-te no escalão sénior num jogo da equipa B do FC Porto, pela mão do Luís Castro, tens alguma memória especial deste dia ou alguma recordação de como te sentiste ao longo do dia?

Tomás Podstawski: Na equipa A uma pessoa fica sempre com as memórias definidas. Há sempre muito mais ansiedade e atento. No entanto, na equipa B éramos todos maioritariamente miúdos, da minha idade, por isso não foi difícil a adaptação. Foi um processo natural, uma extensão do percurso de formação após os juniores. Claro que jogar na Segunda Liga foi diferente e foi ótimo. Fiz mais de 100 jogos na Segunda Liga, mas o primeiro jogo não ficou marcado como se fosse na equipa A. Para mim, foi um continuar num escalão.

Bola na RedeComo referiste foste um dos mais utilizados pela equipa B do FC Porto nessa altura, houve por parte dos responsáveis do FC Porto um depósito de confiança em ti com uma porta aberta para a equipa A?

Tomás Podstawski: Não. Na verdade, nunca senti isso. Nunca senti uma aposta dos jogadores da equipa B para poderes ir à equipa A. A equipa B era muito boa para nós a nível competitivo, o que eu acho é que após fazer uma ou duas épocas na equipa B teríamos de dar um salto para uma equipa da Primeira Liga, nem que fosse por empréstimo. Isso aconteceu comigo, mas talvez um pouco tarde. Houve uma fase que o FC Porto não me quis ceder, porque achava que eu ficava melhor na equipa B, quando eu já tinha sido campeão da Segunda Liga pela equipa B. Por isso sim, nunca senti esse suporte de alguém que me dissesse que ia para a equipa A. Até porque acontecia muito que os jogadores da equipa A, que não eram utilizados regularmente, vinham rodar para a equipa B. Mas isso é normal, o que não pode acontecer foi aquilo que aconteceu nos primeiros anos connosco que vinham sempre 5/6 jogadores da equipa A e que acabam por tirar espaço ao jogador jovem. Faltou também a oportunidade de ter 2/3 jogadores da equipa B para treinarem regularmente com a equipa A e isso facilitava a adaptação. Eu fui chamado para treinar com a equipa A muito de vez em quando.

Bola na RedeAcredito que por um lado sintas gratidão ao FC Porto pelas ferramentas que te deram na tua formação, mas há alguma mágoa por ter falhado essa confiança em teres uma oportunidade de jogar pela equipa A?

Tomás Podstawski: Nós claro que sonhamos sempre em chegar e ficar na equipa A. No entanto, quem está no comando dessas decisões tem sempre justificações para elas. O facto de nós estarmos na equipa B e termos feito uma grande época, sendo jogadores internacionais não chegou para que dessemos o salto para a equipa A. Houve outros jogadores portugueses que conseguiram e ainda bem, gostava que tivessem dado ainda mais. Agora vê-se mais aposta, há mais jovens a treinar com a equipa A. Acho importante haver sempre 2/3 jogadores bons da formação a treinar sempre com a equipa A. E nós na altura não tivemos isso. Estou muito contente por todo o trajeto que tenho no FC Porto, não tive a oportunidade de integrar a equipa A, mas não havia espaço para todos. Se eu gostava muito? Gostava. Se fico magoado? Isso é sempre muito subjetivo porque vão haver outras opiniões que dirão que eu não tinha espaço para estar lá e há que respeitar. Embora um jogador queira sempre chegar ao máximo patamar, infelizmente não deu.

Bola na RedeFalando até num feito que atingiste nesse percurso, seres campeão da Segunda Liga pelo FC Porto B, algo praticamente inédito do futebol mundial, olhando para esse plantel, tirando o André Silva, praticamente mais ninguém chegou ao patamar da equipa A e se estabilizou por lá. Vocês nesse plantel sentiam que o FC Porto na altura era dos três grandes aquele que menos abria as portas à formação?

Tomás Podstawski: Sim, sentíamos isso. No entanto, também era a formação que obtinha mais títulos. E por isso era difícil. O tempo passa e se olharmos já passaram seis, sete anos desde que eu entrei na dinâmica de equipa B. Entretanto, já muita coisa mudou. O Sporting CP é um clube que tradicionalmente aposta muito na formação, mas só ganhou agora um campeonato passado 19 anos. O FC Porto é um clube com uma mentalidade diferente que só pensa em ganhar e que tem essa responsabilidade de ser campeão, por isso eles olham sempre para o nível competitivo dos seus jogadores. Por isso eu digo que também é difícil pedir que o FC Porto apostasse em nós e quisesse continuar a ganhar ao mesmo tempo. Se era possível fazer de outro forma? Eu acredito que sim. No entanto, também entendo que não podiam lançar tantos jovens, porque é difícil ter o melhor dos dois mundos, ganhar e apostar nos jovens. Mas acho que essa gestão neste momento está a ser melhor para os jogadores da formação.

-A procura pela afirmação sénior –

«O Vitória de Setúbal não tinha condições de clube de Primeira Liga»

 

Bola na RedeNa época seguinte partes para a tua primeira aventura na Primeira Liga, no Vitória FC, onde foste totalista em quase todos os jogos da época. O que aconteceu para abandonares o clube ao fim de apenas uma época?

Tomás Podstawski: Foi uma experiência muita boa com o mister José Couceiro, num ambiente muito bom e onde aprendi imenso. Só o facto de termos ali uma fase muito difícil com o VAR, foi muito complicado porque sentimos que fomos prejudicados em muitos jogos em que o resultado podia cair para qualquer dos lados. Acabamos por lutar pela manutenção até à última jornada e acabamos por conseguir o objetivo. No entanto, acabou por ser uma época muito desgastante a nível psicológico porque o Vitória de Setúbal não tinha condições de clube de Primeira Liga. Por isso era muito difícil, já com todas as dificuldades dentro do clube, era mesmo muito difícil com todos os obstáculos que tínhamos no treino no dia-a-dia que faz muito diferença para o dia de jogo. Estou a falar a nível de água quente, equipamentos, a nível de logística, a nível de organização de nutricionistas, de alimentação adequada, de campos de treino adequados, de ginásios, isso eram tudo falhas muito grandes para um clube com a história do Vitória FC e que se quer para um clube de Primeira Liga. Já para não falar dos atrasos salariais e foi também por esse motivos, principalmente o financeiro, que fez com que eu tivesse que sair do clube. Porque eles não estavam a cumprir com as suas responsabilidades e houve uma revolução muito grande dentro do clube com a alteração de presidente e diretor desportivo.

Bola na RedeMas porquê abandonar a Primeira Liga após quase ser totalista do Vitória FC?

Tomás Podstawski: As coisas na Primeira Liga já estavam muito difíceis porque na minha posição estava difícil de entrar noutros plantéis. Mesmo com as condições financeiras que eu queria e para estar ali na Primeira Liga Portuguesa. E por essa razão surgiu a oportunidade de vir para a Polónia e foi uma transição feliz. Para mim, foi um passo em frente porque a nível de condições, de jogo e de adeptos foi muito bom. Porque temos muito melhores condições de treino. Os clubes são mais organizados, há uma massa adepta mais presente por comparação com os clubes portugueses, tirando sempre aqueles cinco (FC Porto, SL Benfica, Sporting CP, SC Braga e Vitória SC). Foi só uma passagem para um campeonato de menos visibilidade. Foi um bom passo relativamente à generalidade dos clubes em Portugal.

Bola na RedeDeduzo pelas tuas palavras que foi o futebol português que te afastou e não foste tu que te afastaste do futebol português.

Tomás Podstawski: Sim, exatamente. Foi isso mesmo.

Bola na RedeComo referiste, a Liga Polaca é uma liga de menor visibilidade por comparação com a Liga Portuguesa. Tiveste medo de que com essa mudança as pessoas se acabassem por esquecer de ti?

Tomás Podstawski: Não, porque dentro do mercado polaco poderia sempre ir para outros mercados para onde vão sempre vários jogadores jovens polacos. Como é o caso do Red Bull Salzburg na Áustria, bons clubes de Itália. Tem havido transferências da Liga Polaca diretamente para a AFC Fiorentina.

Bola na RedeHouve o caso recente do Piątek que foi diretamente da Liga Polaca para o Génova CFC…

Tomás Podstawki: Sim, exatamente o caso do Piątek. Há outros casos de jogadores que vão diretamente para a Liga Alemã, para a Liga Belga… Por isso não tive medo nesse aspeto. Porque nunca tive um objetivo de ir para a Polónia e depois regressar para Portugal melhor, não era esse o objetivo. O objetivo é continuar o percurso da minha carreira e subir um patamar. Dadas as circunstâncias foi um passo em frente.

Bola na RedeMas vais para o MKS Pogoń Szczecin, que para quem não conhece a Liga Polaca, acaba por ser um clube que não tem muita tradição na Polónia a nível de conquistas e títulos. O que te convenceu a assinar por eles?

Tomás Podstawski: Foi a questão de alguns jogadores que estavam no plantel na altura. Internacionais A pela seleção polaca, além de me terem dito que eu iria ser aposta, o que era importantíssimo para mim. Por isso ia jogar, ia ter mais estabilidade financeira que não tinha no Vitória de Setúbal, com um treinador que veio da Segunda Liga Alemã e gostava de jogar futebol com uma mentalidade diferente do futebol direto e de segundas bolas como é o caso de alguns clubes na Polónia. Mesmo não tendo nenhum título, fiquei muito contente com a minha escolha e com a estrutura do clube. Neste momento, é um clube de top5 na Polónia.

Bola na RedeQue diferenças tiveste nas condições oferecidas no Pogoń Szczecin por comparação com o Vitória de Setúbal?

Tomás Podstawski: O Pogoń Szczecin tem cinco campos de treino de relvado natural, um campo coberto sintético, cada jogador tem carro, existem prémios individuais e prémios colectivos que em Portugal não existem. Eles vão ficar com um estádio completamente novo que está a ser construído com uma capacidade para 23 mil pessoas, ou seja, muito bom. Além de terem uma massa adepta que consegue encher estádios.

Bola na RedeO Pogoń Szczecin qualificou-se para as competições europeias esta época, no entanto, a tua utilização nesta época foi bastante irregular, o que aconteceu?

Tomás Podstawski: O que aconteceu é que logo no primeiro treino quando voltamos de férias eu lesiono-me num músculo na parte posterior da coxa. Fico ali três semanas sem poder competir, a pré-época foi muito curta por causa da pandemia. Começámos logo a competir, começámos logo a ganhar, o treinador queria muito que eu voltasse a jogar e eu não estava bem ainda. Como a equipa estava a ganhar, o treinador não alterou a equipa. Além disso, um fator muito importante é o facto de que na Polónia um jogador polaco sub-21 tem que jogar sempre os 90 minutos. O que faz com que tenha mais idade, que ainda por cima eram os do meio-campo, limitou muito o treinador. O jogador jovem mesmo jogando mal, tinha que continuar a jogar no jogo seguinte porque é a regra. Não acontece como na China em que podes substituir o jogador jovem logo aos 30 segundos de jogo por um jogador mais velho. Na Polónia ele sai, tem que entrar outro sub-21 polaco para o lugar dele.

Bola na RedeO Pogon que já anunciou que não irá renovar o contrato contigo e por essa razão serás um jogador livre na próxima época. Já tens alguma ideia do teu futuro?

Tomás Podstawski: Ainda não tenho. Estou a ponderar tudo. O tipo de ofertas que poderei ter, tenho contacto permanente com o meu representante e vamos ver. Gostava de jogar noutro campeonato aqui na Europa, num campeonato mais competitivo. Sinto que tenho essa capacidade para estar num patamar mais elevado.

Bola na RedeMas não excluis a possibilidade de continuar na Liga Polaca ou de regressar ao campeonato português?

Tomás Podstawski: Não excluo nenhuma hipótese.

-A Polónia como uma terra de oportunidades –

«Se surgisse essa oportunidade, no momento decidiria se gostava de representar a Seleção Polaca»

 

Bola na RedeA pergunta que provavelmente toda gente te pergunta numa entrevista, tens nacionalidade polaca, o selecionador polaco neste momento é o português Paulo Sousa, já tiveste algum contacto particular com ele?

Tomás Podstawski: Não, e neste ano, como já falámos, eu nem estava a ser opção regular por isso não justificava uma chamada à Seleção Polaca.

Bola na RedeMas deixas a porta aberta a uma possível chamada da Seleção Polaca?

Tomás Podstawski: Se surgisse essa oportunidade, no momento decidiria se gostava de representar a Seleção Polaca, mas são oportunidades para estar ao mais alto nível do futebol europeu que dificilmente se negam.

Bola na RedeOlhemos para a opção da Federação Polaca em contratar o Paulo Sousa para selecionador nacional. Achas que a combinação do técnico português com o futebol polaco é boa? Achas que o Paulo Sousa tem todas as condições para fazer um bom trabalho na Polónia?

Tomás Podstawski: De certeza que ele vai conseguir fazer um grande trabalho. A questão tem só a ver com o espaço de tempo que tem para trabalhar, apanhando a Seleção já agora numa fase de Europeu, que não teve muitos meses para preparar. Talvez seja mais de observação, de análise e de tentar incutir algumas ideias que tenha em campo. Porque a Polónia é uma seleção jovem, não é tão fácil fazer uma alteração completa do modelo de jogo e do plantel. Espero que as coisas lhe corram bem. De certeza que os jogadores ficaram muito agradados com a escolha dele. O que não quer dizer que os resultados apareçam logo. Espero que os jogadores tenham capacidade para se adaptar rápido e para ouvir o que ele tem a dizer porque podem ganhar muito com isso.

Bola na RedeA Polónia tem capacidade de repetir um Euro como o de 2016?

Tomás Podstawski: É difícil de dizer. Acho que os jogadores estão com uma grande confiança. Não é fácil de trabalhar o coletivo porque têm de apostar em defenderem bem e em saírem para o ataque na maneira que o mister Paulo Sousa tentar incutir neles. Pelo o que eu tenho ouvido, o mister Paulo Sousa gosta de jogar em posse, mas é difícil de dizer o que podem almejar neste Euro.

Bola na RedeSentes que o facto de teres nascido e passado grande parte da tua vida em Portugal, falando polaco fluentemente, despertou o interesse dos polacos em aproveitarem a tua experiência para saberem um pouco mais do futebol português?

Tomás Podstawski: Acho que sim, é uma boa pergunta. Acho que com a minha vinda, eles também descobriram que o mercado português é muito bom, porque conseguem ir buscar jogadores tecnicamente muito evoluídos, a valores que eles conseguem pagar. Oferecendo um nível que em Portugal não conseguem oferecer. Mesmo os impostos em Portugal são muito mais elevados. Na Polónia, um clube como o Pogon, que está ao nível de 10/12 equipas em Portugal, consegue oferecer melhores contratos e assim motivarem jogadores a virem para a Polónia. Acho que eles não tinham essa noção porque Portugal está num ranking elevado na UEFA, mas depois não consegue acompanhar em grande parte por vários clubes para conseguirem competir com muitos clubes na Europa, muito por culpa dos orçamentos. O facto de eu ter estado lá e ter transmitido ao longo destes três anos através de algumas entrevistas, até ao próprio clube [Pogon] que está agora muito direcionado para o mercado em Portugal. E têm vindo muitos jogadores, veio o André Martins, o Pedro Tiba, que está a fazer uma grande prestação no Lech Poznań, o Rafa Lopes agora está no Legia, mas ganhou uma taça no ano passado pelo Crácovia. São grandes jogadores que nunca conseguiram em Portugal as condições que estão a ter nestes clubes. Eles pensavam que ir buscar jogadores a Portugal era mais difícil e não é.

Bola na RedeFalaste desse fluxo de portugueses que estão a ir para a Polónia. E do lado contrário, o que falta para que mais polacos se aventurem na Liga Portuguesa?

Tomás Podstawski: Não acho que os clubes portugueses tenham que procurar jogadores na Polónia por alguma razão especial. Pelo scouting que os clubes portugueses fazem, se virem algum jogador com potencial claro que devem contratar. Mas não me parece que os clubes portugueses devam procurar jogadores na Polónia porque sim. Por que razão? Porque são jogadores com um grande talento natural e porque na Polónia trabalham muito bem as Academias? Na minha opinião, não. E como não trabalham muito bem as academias o jogador polaco não vai sair com grandes bases. Pode haver um ou outro talento, que existe, mas o problema na Polónia é exatamente a formação, as ideias da formação, as ideias técnico-táticas que são mesmo muito fracas ainda. Precisam de muita mais formação e de muitos bons treinadores para poderem potenciar.

Bola na RedeO que falta exatamente?

Tomás Podstawski: Eu acho que eles querem muito, mas não estão a fazer da melhor forma. Ou seja, estamos a falar de exercícios técnicos com bola, exercícios táticos, de saber ter a bola, de criar oportunidades, de automatizar alguns movimentos, posicionamento dentro de campo em diferentes estruturas. Os jogadores polacos andam muito perdidos dentro de campo, principalmente os jogadores jovens de 16/17 anos que vêm treinar connosco e eu vejo isso. Eles não têm noções táticas, de colocação de apoios, de receber a bola por dentro ou por fora, etc. Há mesmo muitas lacunas no aspeto tático. Acho que é isso que falta na Polónia, boa formação e boa qualidade de treinadores. Podiam estar melhores nas competições europeias. Serem uma presença mais regular nos grupos da Liga Europa. Eles estão sempre muito concentrados em vertentes físicas que é extremamente importante, mas não pode ser o principal.

PASSES CURTOS

Bola na RedeQual o momento mais marcante da tua carreira?

Tomás Podstawski: Jogos Olímpicos, Europeu sub-19, Mundial sub-20. No Porto ser campeão da Segunda Liga.

Bola na RedeQual o melhor jogador com que já jogaste? Contra e na mesma equipa.

Tomás Podstawski: Na mesma equipa o Gelson Martins, o Bruno Fernandes, Gonçalo Paciência. Contra escolho o Kimmich, o Kovacevic.

Bola na RedePortugal ou Polónia?

Tomás Podstawski: [risos] Essa depende. Pronto, Portugal.

Bola na RedeQual o melhor treinador da tua carreira?

Tomás Podstawski: Essa é difícil de dizer. Tive muitos anos com o mister Hélio Sousa e aprendi muito com ele, por isso escolho-o a ele.

Bola na RedeMelhores adeptos, portugueses ou polacos?

Tomás Podstawski: Polacos.

Bola na RedeQual o melhor ambiente em que já jogaste?

Tomás Podstawski: Jogos Olímpicos contra a Argentina. 40 mil pessoas no estádio e os brasileiros estavam a puxar por nós [risos].

Bola na RedeMelhor jogador do mundo?

Tomás Podstawski: Para não dizer um português digo o Lewandowski.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Rui Pedro Cipriano

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