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O cabelo atado não deixa Rafael Barbosa passar despercebido em qualquer jogo que participe, mas a qualidade que apresenta rapidamente desvia a atenção para o que faz com a bola nos pés. Rafael Barbosa tem estado em evidência na Primeira Liga. Ao serviço de um Tondela tranquilo, tem aproveitado para se afirmar no escalão máximo do futebol português depois de 12 anos ligado ao Sporting. Falou-nos das características que o definem, da forma como vê o jogo dentro do campo e ainda sobre a abordagem da equipa beirã comandada por Pako Ayestarán à reta final da temporada.

Made in Alcochete –

«Nunca ouvi ninguém no Sporting a dizer que éramos obrigados a ser campeões»

 

Bola na Rede: Qual é a tua primeira memória com uma bola nos pés?

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Rafael Barbosa: Eu morava em Amarante e o meu pai e os amigos dele tinham um clube, na altura, que se chamava Campofeirense. Lembro-me que era muito menino e ia jogar à bola com os jogadores de lá. Aquilo era um campeonato da terra e eles fundaram esse clube. Os primeiros toques que dei na bola lembro-me que foram na sede do clube a brincar com eles. Foi aí que tudo começou.

Bola na Rede: Ainda te recordas como é que o Sporting te piscou o olho?

Rafael Barbosa: O Sporting foi passados alguns anos. Estava no Boavista e fazíamos muitos torneios. Tinha alguns clubes interessados e um deles foi o Sporting. Na altura, estava mais inclinado para o Benfica, mas depois, um homem muito grande do futebol, principalmente da formação, o Aurélio Pereira, veio a minha casa em Amarante falar comigo e acabei por mudar de ideias. No ano a seguir fui para a academia.

Bola na Rede: Esse contacto mais personalizado foi importante?

Rafael Barbosa: Foi. O Aurélio Pereira foi das pessoas mais importante que tive no futebol. Foi um pai, praticamente, ao longo da minha formação no Sporting. Ainda hoje mantenho contacto com ele. Estou-lhe muito grato.

Bola na Rede: Qual foi o primeiro impacto da realidade Sporting?

Rafael Barbosa: Foi uma realidade completamente diferente, tanto a nível pessoal, na academia, como ao nível do futebol. A exigência, a intensidade das coisas, o rigor, era totalmente diferente. Foi um choque na altura.

Bola na Rede: Estiveste no Sporting desde os infantis até à equipa B. Nunca venceste nenhum título. Não havia essa exigência, mesmo tratando-se de formação e o objetivo ser outro?

Rafael Barbosa: Não era incutido pelas pessoas que tínhamos que ser campeões nacionais. O objetivo era muito mais formar homens e jogadores, mas nós sentíamos essa responsabilidade. Nos meus anos, nunca consegui ser campeão. Tanto em iniciados, como juniores, ficámos em segundo lugar por uma questão de detalhes, principalmente em juniores, em que tudo ficou decidido no último jogo. Nos juvenis, apanhei uma geração do Benfica muito forte, com Rúben Dias, Renato Sanches, Gonçalo Guedes, Guga, esse tipo de jogadores que depois também deram o salto. Nunca nos foi incutido que tínhamos que ser campeões nacionais, nem nunca ouvi ninguém no Sporting a dizer que éramos obrigados a ser campeões

Bola na Rede: Tiveste 12 anos ligado ao Sporting e nunca te estreaste na equipa principal. Portugal aposta na formação como devia?

Rafael Barbosa: Acho que as equipas portuguesas apostam, num período umas mais, outras menos. A aposta na formação tem a ver com detalhes, períodos em que as equipas e os treinadores precisem. Foi isso que aconteceu comigo. Não foi por a minha qualidade não ser suficiente. Nos anos em que me evidenciei na equipa B, o plantel do Sporting era muito forte, tinha muitas escolhas e não surgiu [a oportunidade]. Talvez se tivesse sido noutra situação, como a atual do Sporting, ou mesmo há dois anos ou três, se calhar poderia ter sido diferente. Não posso viver disso. São oportunidade que surgem e não surgiu a minha, surgiu a outros colegas e fico muito feliz por eles.

Bola na Rede: Ficaste ligado à descida com o Sporting B. Essa equipa, durante um período, acabou por deixar de existir. Fazia sentido a equipa B continuar mesmo no Campeonato de Portugal?

Rafael Barbosa: A meu ver, fazia sentido. O campeonato sub-23 é bom para quem dá o salto de júnior para profissional, mas não é um campeonato que chegue para estares preparado para uma Primeira Liga. Um sub-23 ir direto para a equipa principal, acho que é um impacto muito forte. A realidade de Segunda Liga ou mesmo de Campeonato de Portugal é totalmente diferente. Tens jogadores mais velhos e com muita experiência e adquires outras coisas que os sub-23 não dão. De salientar que é um campeonato competitivo e que muitos jogadores precisaram dele para se afirmarem mais tarde.

Bola na Rede: Entretanto, já jogaste contra o Sporting, qual foi a sensação?

Rafael Barbosa: É uma sensação especial. É um clube a que vou ficar sempre ligado. Foram muitos anos. Foi especial, mas é como se fosse contra um clube igual aos outros, porque sou um jogador de futebol profissional e tenho que encarar os jogos com igualdade.

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