– Do Guarani para o Arsenal, com Jorge Mendes pelo meio –

«Podia ter assinado com Jorge Mendes».

BnR: Eras o menino “bonito” do Guarani. Sentiste, em algum momento, essa pressão, por estarem a apostar num jovem de apenas 17 anos?

ER: Não é fácil viver tudo o que vivi, quando és apenas um “garoto” de 17 anos. Tinha conquistado o Mundial e fui o segundo melhor jogador do mundo. Tinha acabado de subir para a equipa principal do Guarani, com apenas 17 anos, numa equipa que se destacava por ter boas camadas jovens. O Guarani sempre lançou bons jogadores… Lembro-me do Amoroso, do Careca, do Elano, entre outros. O clube sempre nos deu apoio, mas não era fácil subir para uma equipa principal, sendo apelidado de “menino de ouro”. Eu era como uma moeda de troca para o clube e toda a gente tinha expectativas sobre mim. Diziam que era o “salvador da pátria”. Mas acabei por ter azar, também porque também apanhei um Guarani que estava em queda, com muitas confusões. Havia confusão com o presidente e um clima muito complicado nos bastidores. Recordo que o Guarani desceu de divisão em 2004 e demorou algum tempo para voltar à ribalta do futebol brasileiro. Tudo isso atrapalhou um pouco a minha carreira.

BnR: Como eram as tuas condições no Guarani? Esperavas, nessa altura, ter tido logo a janela da Europa aberta? 

ER: Talvez, se eu tivesse jogado num Santos ou num São Paulo, a minha carreira teria sido diferente. Por ter sido no Guarani, que é uma equipa média e apenas a quinta melhor equipa de São Paulo, foi complicado. Se as coisas tivessem acontecido de forma diferente, talvez tivesse mais sucesso. Naquela altura, não tínhamos tanta informação.

Roncatto brilhou ao serviço do Guarani
Fonte: Guarani FC

BnR: Houve uma experiência no Arsenal em 2004…

ER: Eu estive à experiência no Arsenal, em 2004. Mas, reparem, eu não tive muita informação sobre o clube. Conhecia o Dennis Bergkamp, o Thierry Henry… Mas não tinha noção do que era o Arsenal. Quando surgiu a hipótese “Arsenal”, eu não queria ir. Depois quando lá estive à experiência, vi que as coisas eram diferentes. No entanto, tudo se voltou a complicar. Tive outras situações que acabaram por dificultar a minha vida e acabei por voltar. Entretanto, estive para assinar com o Jorge Mendes, mas também não tinha muita informação sobre ele. Ele ainda não tinha o Cristiano Ronaldo e tudo acabou por não se concretizar. Portanto, são coisas que tinham mesmo de acontecer, infelizmente. Podia ter assinado com o Jorge Mendes e a minha carreira podia ter sido diferente, mas eu tinha pouca informação e não pensei bem nessas situações. Depois, acabei por vir para a Europa, mas de outro forma. No entanto, não me arrependo de tudo o que vivi e passei nessa altura.

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