SC Praiense 0-0 SC Olhanense: Falta de eficácia insular dita nulo

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A CRÓNICA: SUPERIORIDADE DO SC PRAIENSE NÃO SE TRADUZIU EM GOLOS

Na Praia da Vitória, SC Praiense e SC Olhanense defrontavam-se na segunda jornada da Série 8 da Fase de acesso à Liga 3. Os leões do Algarve deslocavam-se aos Açores com objetivo de conquistar os primeiros três pontos nesta nova fase e, do outro lado, os encarnados da Praia da Vitória, procuravam continuar com os bons resultados, após uma vitória por duas bolas a zero na primeira jornada, frente ao Real SC. Esperava-se um duelo equilibrado entre duas grandes equipas, que certamente proporcionariam um bom espetáculo.

A equipa da casa começou mais atrevida, com mais posse de bola e a jogar adiantada no terreno, contudo, a equipa de Olhão mostrava que não vinha aos Açores passear e, quando tinha oportunidade, criava perigo em transições ofensivas.

Com o decorrer do tempo, a formação praiense ia ficando cada vez mais dona e senhora do jogo. Tinham cada vez mais bola no meio campo adversário e, por pressionarem muito alto no terreno, conseguiam recuperar a bola em zonas adiantadas. Os visitantes continuavam a errar na primeira fase de construção e o Praiense ia crescendo no jogo, no entanto com poucas situações reais de perigo.

A primeira grande situação de golo foi criada perto da meia hora de jogo, Lassana Mané desmarcou Leonel Aubán, que foi à linha e cruzou para a área onde estava Erik, que conseguiu dominar, rodar e rematar, fazendo com a bola passasse a centímetros do poste esquerdo da baliza de Galli. No entanto, o Olhanense não se acanhou e criou, logo de seguida, outra grande ocasião de golo; Diogo Martins conduziu, tocou para a direita e, após um grande corte de Freire e um par de ressaltos, a bola sobrou para Ruster, que apareceu na cara do golo, mas bateu mal na bola, mantendo assim o nulo no marcador. A faltar um quarto de hora para o intervalo, a partida aquecia na Praia da Vitória.

O susto fez bem ao Olhanense, que subiu no terreno e teve mais bola, conseguindo assim somar um par de cantos e de remates ao registo. O jogo estava partido e, numa transição, Erik foi travado em falta perto da linha da área. O livre cobrado por Tchaoule quase deu em golo; bola bem batida passou, novamente, muito perto do poste, num dos últimos lances da primeira parte.

A segunda parte começou e voltou a superioridade dos da casa. Aos 50 minutos, nova falta sofrida por Erik à entrada da área e, desta vez, foi o mesmo que bateu o livre. Um belo remate em jeito para o lado do guarda-redes só parou no poste e o SC Praiense voltou a estar perto de inaugurar o marcador.

A turma de Pedro Lomba, após o lance do livre, entrava numa nova fase de domínio inofensivo, sem criar situações de grande perigo. Com o decorrer de tempo e com a entrada de Jaílson Gomes, o SC Praiense procurava ir à conquista dos três pontos, no entanto, um certo cansaço sentido pela equipa da casa fez-se notar e o Olhanense começou a acreditar que conseguia fazer moça e Caleb, num remate após ressalto, esteve perto do golo à entrada no último quarto de hora do jogo.

Um SC Praiense na busca do golo e um SC Olhanense mais atrevido, prometiam um fim de jogo escaldante. Francisco Batista, mal entrou, atirou perto da baliza de Nuno Silva e o Olhanense acreditava cada vez mais que era possível chegar aos três pontos. O SC Praiense também mostrava que queria a vitória e, a dez minutos do fim, Erik protagonizou um dos melhores lances do jogo, fez um chapéu ao gigante Coppola e, depois, de primeira e à entrada da área, atirou para uma grande estirada de Galli. O jogo estava vivo, imprevisível e o podia pender para qualquer lado.

No entanto, a vivacidade durou pouco e, nos minutos finais, houve muito coração e pouca cabeça, um pouco devido ao cansaço sentido por ambas equipas. O último fôlego foi dado por Bruno Silva, após um remate à entrada da área, que obrigou o guardião da equipa de Olhão a sujar (ainda mais) o equipamento. Empate a zeros na Praia da Vitória, que divide os pontos entre açorianos e algarvios.

A equipa do Olhanense, mais pragmática, à procura do ponto, acabou por ser feliz frente ao Praiense que, apesar de ser superior durante grande parte do tempo, não conseguiu traduzir a superioridade em golos. Após uma primeira parte de sentido único, onde só deu Praiense, na segunda parte, o Olhanense equilibrou mais a partida e, perto do fim, mostrou-se mais atrevido e perto do golo. Na próxima jornada, Amora FC e Real SC estão no caminho de SC Praiense e SC Olhanense, respetivamente.

 

A FIGURA

Bruno Silva – Grande jogo do médio centro do Praiense. Foi dos mais inconformados, soube sempre sair a jogar, teve um grande acerto no passe, recuperou vários bolas no meio campo e ainda teve três ou quatro pormenores de encher o olho. Para além disso, esteve muito perto do golo no final da partida. Seria a recompensa pelo grande jogo.

 

O FORA DE JOGO

Primeira fase de construção do SC Olhanense na primeira parte – A equipa de Olhão, sobretudo durante a primeira parte, demonstrou grandes dificuldades a sair a jogar. Ora falhava passes por causa da pressão do Praiense, ora falhava passes por faltas de concentração. Sem conseguir sair a jogar desde trás, a defesa de Olhão procurou o passe longo que, muitas das vezes, também não teve grande sucesso.

 

ANÁLISE TÁTICA – SC PRAIENSE

A equipa de Pedro Lomba montou-se no seu habitual 3-5-2. Com Rúben Freire e Emanuel Ribeiro a atuarem como médios exteriores, os encarnados da Praia criavam perigo nas alas, também muito por causa da mobilidade dos seus avançados, Erik e Aubán.

Na primeira parte, Tchaoule tratava de intercetar tudo o que havia para intercetar no meio campo e ainda conseguia ter disponibilidade para, juntamente com os dois avançados, criar um trio muito dinâmico e que muita dor de cabeça deu à defensiva de Olhão, sobretudo quando tentavam construir jogo.

Aos 15 minutos da segunda parte, saiu Hélder Almeida, Tchaoule recuou para o lado de Bruno Silva, Aubán assumia a posição de médio ofensivo e Jailson Gomes era o novo parceiro de ataque de Eric. Esta troca acabou por ditar o abrandamento da equipa da Praia da Vitória, que passou a deixar mais espaços no centro do terreno e, com algum cansaço acumulado, deixou de ser tão pressionante como tinha sido até então.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Nuno Silva (6)

Rúben Freire (7)

António Alves (6)

Jimmy Tchaoule (7)

Pedro Araújo (6)

Emanuel Ribeiro (6)

Bruno Silva (8)

Hélder Almeida (6)

Lassana Mané (7)

Leonel Aubán (7)

Erik (6)

SUBS UTILIZADOS

Jaílson Gomes (6)

Daniel Pereira (6)

 

ANÁLISE TÁTICA – SC OLHANENSE

Edgar Davids organizou a sua equipa num 5-2-3 quando não tinha a posse e num 3-4-3 quando protegia o esférico. Mais preocupados em não sofrer do que em marcar, o Olhanense, quando atacava, procurava fazê-lo em transições rápidas, tentando tirar o máximo proveito dos espaços deixados pelo SC Praiense.

Face à grande pressão dos insulares, o Olhanense mostrava dificuldades a sair com qualidade da primeira zona de construção. Depois de uma boa entrada dos adversários, o Olhanense juntou mais as suas linhas e dificultou o jogo entrelinhas da equipa da Praia. Com a entrada do gigante italiano Coppola para o centro da defesa, a equipa de Olhão ganhou mais poderio físico atrás e, perto do fim, tratou de criar mais ocasiões de perigo junto à baliza praiense.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ricardo Galli (7)

Pedro Albino (7)

Luis Cortez (6)

Celso Leitão (6)

André Dias (6)

Gustavo Pinto (6)

Diogo Martins (7)

Tiago Dias (6)

João Gomes (7)

Ruster (7)

Juan Martín (5)

SUBS UTILIZADOS

Alessandro Coppola (7)

Caleb (6)

Francisco Batista (7)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

SC Praiense

BnR: Boa tarde mister, num jogo em que o SC Praiense foi, durante grande parte do tempo, superior, sente que o cansaço foi o principal fator que acabou por ditar a divisão de pontos?

Pedro Lomba: O cansaço não permitiu que atingíssemos desequilíbrios, que provocássemos roturas, que chegássemos mais fortes naquilo que era a pressão, naquilo que podia ser o roubo da bola quando tínhamos o vento a favor e podíamos aproveitar as segundas bolas. O adversário, quando batia, ficavam com a segunda bola. Tivemos um desgaste físico exatamente porque, já que na segunda parte tivemos uma equipa que nos fazia marcação individual ao campo todo, tentámos criar desequilíbrios fazendo trocas posicionais e, depois, na perda de bola acabámos por estar desequilibrados muitas vezes, o que nos exigiu um esforço extra ao que a equipa normalmente faz e depois é o que estás a dizer. Tem influencia no resultado, mas não é o principal fator, o principal fator acabou por ser a má decisão, porque o que levou a esse desgaste, na primeira parte o que levou a não conseguir atingir melhores situações de golo e na segunda parte o que nos levou a ter esses desequilíbrios, foram sempre más decisões com bola e quando tens estas más decisões com bola, acabas sempre por sofrer.

 SC Olhanense

BnR: Com a entrada de Alessandro Coppola, o que pretendeu acrescentar à equipa?

Edgar Davids: Exatamente o mesmo que tínhamos antes, porque entrou para um lugar de um médio que jogou noutra posição, por isso nada mudou.

Alexandre Sequeira Ribeiro
Alexandre Sequeira Ribeirohttp://www.bolanarede.pt
Nascido e criado na ilha Terceira, nascido e criado para o futebol. Desde cedo aprendeu, viveu e vibrou com o desporto rei. Com o futebol e a escrita espero proporcionar um espetáculo fora das quatro linhas para todos aqueles que partilhem o gosto pela bola e pelos seus artistas.

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