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A FIGURA

Kuba Blaszczykowski – Num jogo em que, colectivamente, a Ucrânia foi melhor, o título de “homem do jogo” acaba por ser arrebatado pelo polaco Kuba Blaszczykowski. Lançado ao intervalo por Adam Nawalka, com o objectivo de apoiar a dupla ofensiva constituída por Milik e Lewandowski – e assim melhorar a ligação entre sectores –, o jogador da Fiorentina de Paulo Sousa protagonizou o momento da partida quando, aos 54 minutos, num lance demonstrativo da sua qualidade individual, fugiu à marcação dos adversários e, já dentro da área contrária, atirou, de pé esquerdo, fora do alcance de Pyatov.
Um lance contra a corrente do jogo, que desbloqueou a partida e confirmou o regresso da Polónia aos momentos das grandes decisões, após as façanhas das décadas de 1980 e 1990 – depois deste momento, foi a vez de o sector mais recuado brilhar, com destaque para a dupla de centrais formada por Glik e Pazdan e para o guarda-redes Fabianski.
O FORA-DE-JOGO

Yarmolenko – Poderá, eventualmente, ser injusto, para quem tanto tentou receber o rótulo de menos inspirado. No entanto, o talento traz sempre, inevitavelmente, um maior grau de exigência. A Ucrânia não foi feliz neste Euro’2016 e, consequentemente, também a sua principal figura o não foi. Yarmolenko fecha a sua participação no certame sem nota de relevo e, tal como os restantes companheiros, revelando a cada jogo generosa (e crescente) dose de desinspiração e ineficácia. Ontem, frente à Polónia, teve nos pés a melhor oportunidade de golo da sua equipa: aos 17 minutos, com o resultado em branco e só com Fabianski pela frente, atirou com o seu melhor pé de forma desastrada, errando o alvo e desperdiçando a oportunidade pela enésima vez – uma regra que nenhum jogador (muito menos o próprio Yarmolenko) conseguiu contrariar ao longo de 270 minutos.
Na 2.ª parte, enquanto os colegas remavam contra o azar (em particular Konoplyanka), Yarmolenko “desapareceu”, abdicando de se assumir como principal dínamo ofensivo do seu conjunto – manifestamente pouco para tanto talento.
UCRÂNIA

A Ucrânia, uma das (poucas) selecções precocemente eliminadas do Euro’2016, cumpridas apenas duas jornadas, entrava para este jogo movida pelo orgulho e com vontade de deixar uma imagem mais aproximada do seu real valor – colectiva e individualmente –, naquela que seria a sua derradeira actuação em terras gaulesas.
De facto, o futebol apresentado foi melhor – e, tirando os primeiros dez minutos iniciais, foram os ucranianos a assumir as despesas do jogo ofensivo, com mais posse bola, maior domínio territorial e, sobretudo, mais e melhores ocasiões para alvejar a baliza adversária. No entanto, este campeonato tem deixado, a jogadores e adeptos, uma valiosa lição: as estatísticas não ganham jogos e, neste caso concreto, a excepção confirmou a regra.
Impulsionados pelo talento de Konoplyanka, que, em parte, compensou a exibição apagada de Yarmolenko, a Ucrânia fez o que lhe competia e, a bem da verdade, o suficiente para alcançar um resultado diferente. Porém, a falta de eficácia não permitiu um desfecho diferente e, provavelmente, mais justo. Yarmolenko (com oportunidades flagrantes aos 8’ e 17’) acabou por ser o expoente máximo da desinspiração individual demonstrada no último terço.
Na 2.ª parte, a toada manteve-se; todavia, contra a corrente: foi a Polónia a chegar ao golo, logo na abertura da etapa complementar. Apesar de todas as tentativas – Konoplyanka (62’), Zinchenko (71’), Zoluya (80’) e Rotan (81’) protagonizaram lances perigosos –, por uma ou outra razão (entre a qualidade de Fabianski e a falta de pontaria) o resultado não mais se alterou.
Classificação dos jogadores:
Pyatov – 6
Fedetskiy – 6
Khacheridi – 6
Kucher – 6
Butko – 5
Rotan – 6
Stepanenko – 6
Yarmolenko – 5
Konoplyanka – 7
Zozulya – 6
Zinchenko – 6
Kovalenko – 5
Tymoschuk – Sem tempo
POLÓNIA

A Polónia continua a fazer história – o apuramento para os oitavos-de-final do Euro’2016 está garantido. Porém, frente à Ucrânia, os polacos terão feito o seu jogo menos bem conseguido desde que chegaram a França. A vitória frente aos ucranianos foi conseguida em esforço, muito graças à inspiração do “suplente” Kuba Blaszczykow, numa partida em que a equipa foi incapaz de “pegar” no controlo, cedendo, perante as diferenças, a iniciativa ao adversário.
Ainda a pensar no 1.º lugar – precisava de vencer e, de preferência, por mais dois golos que a Alemanha (que também venceu, por 1-0, a Irlanda do Norte) –, a Polónia entrou melhor, conseguindo, em meia dúzia de minutos, duas boas ocasiões de golo, por Milik (3’) e Lewandowski (5’), neste caso, num lance que, normalmente, a”estrela” polaca não costuma desperdiçar.
No entanto, a partir daqui, foram os ucranianos a chegar com mais perigo junto da zona de acção de Fabianski, o que levou a Polónia a repensar a estratégia, obrigada, que estava, a apresentar maior consistência defensiva na guarda da sua baliza – a dupla de “centrais” Pazdan e Glik realizou uma bela exibição.
Ao intervalo, Adam Nawalka não perdeu tempo, trocando Zielinski por Blaszczykow, numa tentativa de aproximar Milik e Lewandowski do restante grupo. Uma decisão que teve resultados quase imediatos, pois, aos 54 minutos, Blaszczykow beneficiou da passividade da defesa ucraniana e, num excelente lance individual, apontou o único golo do encontro.
Até ao final, o registo não se alterou: a Ucrânia buscou o empate, mas a Polónia acabou premiada pela sua consistência defensiva.
Classificação dos jogadores:
Fabianski – 7
Cionek – 6
Pazdan – 7
Glik – 7
Jedzejczyk – 6
Jodlowiec – 6
Krychowiak – 6
Zielinski – 6
Kapustka – 6
Milik – 7
Lewandowski – 7
Kuba Blaszczykow – 7
Grosicki – 5
Starzynski – Sem tempo
Foto de Capa: UEFA
Artigo revisto por: Manuela Baptista Coelho













