Publicidade

Ucrânia 0-1 Polónia: Nem sempre ganha quem mais faz por isso

João Amaral Santos · 4 min

Ucrânia 0-1 Polónia: Nem sempre ganha quem mais faz por isso

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Cabeçalho Futebol Internacional

A FIGURA

Fonte: UEFA
Fonte: UEFA

Kuba Blaszczykowski – Num jogo em que, colectivamente, a Ucrânia foi melhor, o título de “homem do jogo” acaba por ser arrebatado pelo polaco Kuba Blaszczykowski. Lançado ao intervalo por Adam Nawalka, com o objectivo de apoiar a dupla ofensiva constituída por Milik e Lewandowski – e assim melhorar a ligação entre sectores –, o jogador da Fiorentina de Paulo Sousa protagonizou o momento da partida quando, aos 54 minutos, num lance demonstrativo da sua qualidade individual, fugiu à marcação dos adversários e, já dentro da área contrária, atirou, de pé esquerdo, fora do alcance de Pyatov.

Um lance contra a corrente do jogo, que desbloqueou a partida e confirmou o regresso da Polónia aos momentos das grandes decisões, após as façanhas das décadas de 1980 e 1990 – depois deste momento, foi a vez de o sector mais recuado brilhar, com destaque para a dupla de centrais formada por Glik e Pazdan e para o guarda-redes Fabianski.

O FORA-DE-JOGO

Fonte: UEFA
Fonte: UEFA

Yarmolenko – Poderá, eventualmente, ser injusto, para quem tanto tentou receber o rótulo de menos inspirado. No entanto, o talento traz sempre, inevitavelmente, um maior grau de exigência. A Ucrânia não foi feliz neste Euro’2016 e, consequentemente, também a sua principal figura o não foi. Yarmolenko fecha a sua participação no certame sem nota de relevo e, tal como os restantes companheiros, revelando a cada jogo generosa (e crescente) dose de desinspiração e ineficácia. Ontem, frente à Polónia, teve nos pés a melhor oportunidade de golo da sua equipa: aos 17 minutos, com o resultado em branco e só com Fabianski pela frente, atirou com o seu melhor pé de forma desastrada, errando o alvo e desperdiçando a oportunidade pela enésima vez – uma regra que nenhum jogador (muito menos o próprio Yarmolenko) conseguiu contrariar ao longo de 270 minutos.

Na 2.ª parte, enquanto os colegas remavam contra o azar (em particular Konoplyanka), Yarmolenko “desapareceu”, abdicando de se assumir como principal dínamo ofensivo do seu conjunto – manifestamente pouco para tanto talento.

UCRÂNIA

Fonte: UEFA
Fonte: UEFA

A Ucrânia, uma das (poucas) selecções precocemente eliminadas do Euro’2016, cumpridas apenas duas jornadas, entrava para este jogo movida pelo orgulho e com vontade de deixar uma imagem mais aproximada do seu real valor – colectiva e individualmente –, naquela que seria a sua derradeira actuação em terras gaulesas.

De facto, o futebol apresentado foi melhor – e, tirando os primeiros dez minutos iniciais, foram os ucranianos a assumir as despesas do jogo ofensivo, com mais posse bola, maior domínio territorial e, sobretudo, mais e melhores ocasiões para alvejar a baliza adversária. No entanto, este campeonato tem deixado, a jogadores e adeptos, uma valiosa lição: as estatísticas não ganham jogos e, neste caso concreto, a excepção confirmou a regra.

Impulsionados pelo talento de Konoplyanka, que, em parte, compensou a exibição apagada de Yarmolenko, a Ucrânia fez o que lhe competia e, a bem da verdade, o suficiente para alcançar um resultado diferente. Porém, a falta de eficácia não permitiu um desfecho diferente e, provavelmente, mais justo. Yarmolenko (com oportunidades flagrantes aos 8’ e 17’) acabou por ser o expoente máximo da desinspiração individual demonstrada no último terço.

Na 2.ª parte, a toada manteve-se; todavia, contra a corrente: foi a Polónia a chegar ao golo, logo na abertura da etapa complementar. Apesar de todas as tentativas – Konoplyanka (62’), Zinchenko (71’), Zoluya (80’) e Rotan (81’) protagonizaram lances perigosos –, por uma ou outra razão (entre a qualidade de Fabianski e a falta de pontaria) o resultado não mais se alterou.

Classificação dos jogadores:

Pyatov – 6

Fedetskiy – 6

Khacheridi – 6

Kucher – 6

Butko – 5

Rotan – 6

Stepanenko – 6

Yarmolenko – 5

Konoplyanka – 7

Zozulya – 6

Zinchenko – 6

Kovalenko – 5

Tymoschuk – Sem tempo

POLÓNIA

Fonte: UEFA
Fonte: UEFA

A Polónia continua a fazer história – o apuramento para os oitavos-de-final do Euro’2016 está garantido. Porém, frente à Ucrânia, os polacos terão feito o seu jogo menos bem conseguido desde que chegaram a França. A vitória frente aos ucranianos foi conseguida em esforço, muito graças à inspiração do “suplente” Kuba Blaszczykow, numa partida em que a equipa foi incapaz de “pegar” no controlo, cedendo, perante as diferenças, a iniciativa ao adversário.

Ainda a pensar no 1.º lugar – precisava de vencer e, de preferência, por mais dois golos que a Alemanha (que também venceu, por 1-0, a Irlanda do Norte) –, a Polónia entrou melhor, conseguindo, em meia dúzia de minutos, duas boas ocasiões de golo, por Milik (3’) e Lewandowski (5’), neste caso, num lance que, normalmente, a”estrela” polaca não costuma desperdiçar.

No entanto, a partir daqui, foram os ucranianos a chegar com mais perigo junto da zona de acção de Fabianski, o que levou a Polónia a repensar a estratégia, obrigada, que estava, a apresentar maior consistência defensiva na guarda da sua baliza – a dupla de “centrais” Pazdan e Glik realizou uma bela exibição.

Ao intervalo, Adam Nawalka não perdeu tempo, trocando Zielinski por Blaszczykow, numa tentativa de aproximar Milik e Lewandowski do restante grupo. Uma decisão que teve resultados quase imediatos, pois, aos 54 minutos, Blaszczykow beneficiou da passividade da defesa ucraniana e, num excelente lance individual, apontou o único golo do encontro.

Até ao final, o registo não se alterou: a Ucrânia buscou o empate, mas a Polónia acabou premiada pela sua consistência defensiva.

Classificação dos jogadores:

Fabianski – 7

Cionek – 6

Pazdan – 7

Glik – 7

Jedzejczyk – 6

Jodlowiec – 6

Krychowiak – 6

Zielinski – 6

Kapustka – 6

Milik – 7

Lewandowski – 7

Kuba Blaszczykow – 7

Grosicki – 5

Starzynski – Sem tempo

 

Foto de Capa: UEFA

Artigo revisto por: Manuela Baptista Coelho

João Amaral Santos

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Quatro pontos de distância, muito mais em jogo | Braga x Sporting

O Estádio Municipal de Braga recebe, esta sexta-feira, 9 de outubro, às 20h15, um dos encontros mais aguardados da oitava jornada da Primeira Liga portuguesa 26/27. Braga e Sporting estão separados por quatro pontos, num duelo que pode ter consequências importantes nas ambições das duas equipas. Os leões ocupam o terceiro lugar, com 15 pontos, ainda sem derrotas, mas já a seis do líder FC Porto. Os arsenalistas seguem na sexta posição, com 11 pontos e um jogo em atraso, procurando aproveitar o fator casa para se aproximar dos lugares cimeiros. A equipa de Carlos Vicens chega ao encontro depois de um empate sem golos diante do Santa Clara, numa temporada em que tem revelado consistência defensiva, mas também algumas dificuldades na concretização. Com apenas sete golos marcados em seis jornadas, o Braga apresenta números ofensivos modestos para as suas ambições. Do outro lado, o Sporting de Rui Borges continua invicto, mas os empates consecutivos frente a Famalicão e Arouca impediram os leões de acompanhar o ritmo do FC Porto. A formação leonina soma 17 golos em sete partidas, mas já consentiu oito, um indicador das dificuldades que tem sentido para controlar determinados momentos dos encontros.

Tiago Campos · 4 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.