Todos os Mundiais têm as suas favoritas. Argentina, Espanha, França, Brasil, Inglaterra ou Portugal ocupam naturalmente o centro das atenções. São as equipas que carregam o peso da história, dos títulos e das expectativas.
Mas os Campeonatos do Mundo também vivem das surpresas e daquelas seleções que ninguém coloca entre os candidatos e que acabam por desafiar a lógica. Da Croácia em 2018 ao histórico Marrocos de 2022, a história recente do futebol internacional mostra-nos que o fosso entre as grandes potências e os restantes candidatos é cada vez menor.
Os Mundiais raramente seguem o guião esperado. É por isso que continuam a ser a competição mais fascinante do futebol. À entrada para o Mundial 2026, existem várias equipas capazes de fazer muito mais do que apenas cumprir calendário. Algumas possuem talento individual de enorme qualidade, outras apresentam projetos sólidos e identidades bem definidas. Todas elas têm argumentos para sonhar.
Estas são as cinco seleções que podem surpreender no Mundial 2026.
5.


Senegal – Talvez não seja a seleção africana menos mediática entre as principais candidatas do continente, mas continua a ser uma das mais competitivas. Senegal garantiu novamente a qualificação para o Mundial e mantém uma base muito interessante de jogadores habituados aos grandes palcos europeus.
Tendo perdido de forma escandalosa o título da CAN na secretaria (o título foi atribuído à seleção de Marrocos numa final disputada em Janeiro deste ano), estão integrados no grupo da morte, com França e Noruega.
Assentes na qualidade de Ismaila Sarr e do herói nacional Sadio Mane, continuam a ser uma equipa fisicamente fortíssima, extremamente competitiva e muito difícil de derrotar em torneios curtos.
A experiência acumulada em várias fases finais (aliada à habitual capacidade atlética dos Leões de Teranga) pode voltar a fazer estragos. Numa competição alargada a 48 seleções, ninguém ficará surpreendido se Senegal chegar aos quartos de final ou até mais longe.
4.


Fonte: Filipe Oliveira/Bola na Rede
Turquia – A Turquia regressa ao Mundial pela primeira vez desde 2002, ano em que alcançou um histórico terceiro lugar. O talento desta geração é inegável.
Hakan Çalhanoğlu continua a ser a principal referência, mas os holofotes apontam cada vez mais para Arda Güler, Kenan Yildiz e uma nova geração que combina criatividade, irreverência e qualidade técnica.
Além disso, Vincenzo Montella conseguiu construir uma equipa equilibrada, capaz de competir tanto com bola como sem ela. Num torneio em que o talento individual pode decidir eliminatórias, poucos conjuntos fora do lote de favoritos apresentam tanto potencial ofensivo quanto a seleção turca.
3.


Equador – Se existe uma seleção capaz de se transformar no “novo Marrocos” deste Mundial, talvez seja o Equador. Os sul-americanos realizaram uma campanha de qualificação impressionante (terminando em segundo lugar, apenas atrás da campeã do mundo Argentina), apresentando números defensivos extraordinários. Apenas cinco golos sofridos em dezoito jogos dizem muito sobre a solidez defensiva desta equipa.
O maior handicap desta equipa está na sua capacidade de finalização. Apesar de ter sofrido apenas cinco golos nas eliminatórias de qualificação para o Mundial, marcou apenas 14 golos em 18 jogos, sendo um dos piores ataques desta fase classificatória.
O médio-centro do Chelsea Moisés Caicedo é o grande rosto desta geração, mas não está sozinho. Willian Pacho e Piero Hincapié (que curiosamente se defrontaram na última final da Champions League), assim como vários jovens talentos, formam uma equipa extremamente competitiva. Forte fisicamente, organizada taticamente e cada vez mais confortável nos grandes jogos, o Equador reúne todas as condições para ser uma das revelações do torneio.
2.


Colômbia – A Colômbia está longe de ser uma desconhecida, mas talvez seja uma das seleções mais subvalorizadas deste Mundial. Depois de ter falhado a presença em 2022, regressa agora ao maior palco do futebol mundial, integrada no grupo de Portugal.
A seleção colombiana parece ter encontrado um equilíbrio muito interessante entre experiência e renovação. Mantém a habitual qualidade técnica que sempre caracterizou o futebol colombiano, mas apresenta hoje uma maturidade competitiva superior à de ciclos anteriores.
É uma equipa capaz de discutir qualquer jogo com qualquer adversário. Não possui o estatuto das grandes favoritas, mas tem qualidade suficiente para eliminar várias delas, tendo em Luis Díaz (avançado que brilhou ao serviço do FC Porto) a sua grande estrela, que disputará esta competição cheio de confiança, depois de uma primeira época absolutamente sublime ao serviço dos alemães do Bayern Munique.
1.


Noruega – A escolha mais óbvia desta lista. E talvez precisamente por isso a mais perigosa. Realizou uma fase de qualificação absolutamente irrepreensível (apenas com vitórias, marcando 37 golos e sofrendo apenas cinco, sendo uma das responsáveis indiretas pela eliminação da Itália). A Noruega regressa a um Campeonato do Mundo pela primeira vez desde 1998.
Durante anos, o futebol mundial perguntou-se como era possível uma seleção com Erling Haaland e Martin Ødegaard continuar ausente das grandes competições. Finalmente, essa geração terá oportunidade de mostrar o seu valor numa fase final.
Mas reduzir esta equipa apenas às suas duas maiores estrelas seria profundamente injusto. Alexander Sørloth, Antonio Nusa, Fredrik Aursnes (médio do Benfica, que mudou de ideias e regressa agora à sua seleção), Andreas Schjelderup, Jens Petter Hauge, Kristoffer Ajer, Patrick Berge ou Sander Berge fazem parte de um grupo cada vez mais competitivo, experiente e habituado às exigências do futebol de alto nível.
A Noruega não chega ao Mundial apenas para participar. Chega para competir. E numa competição onde os detalhes fazem toda a diferença, poucas seleções possuem uma combinação tão interessante de talento individual, capacidade física e motivação histórica.

