O dia 18 de maio de 2026 poderá muito bem ficar marcado como um dos mais simbólicos dos últimos anos no futebol brasileiro. Muito por culpa da enorme expectativa em torno de um nome: Neymar. Estaria ou não entre os 26 convocados para o Mundial?
Contra aquilo que muitos antecipavam, Carlo Ancelotti acabou por surpreender e chamou um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro. E isso levanta uma questão interessante: terá o treinador italiano jogado também no campo psicológico?
Ao longo dos últimos meses, Ancelotti foi deixando no ar a ideia de que Neymar não tinha lugar garantido. E talvez tenha sido precisamente aí que começou o verdadeiro trabalho do técnico. Mais do que avaliar apenas o rendimento dentro das quatro linhas, o italiano parece ter desafiado Neymar a provar, primeiro a si próprio, que ainda podia ser decisivo.
E a verdade é que o craque respondeu.
Viu-se um Neymar mais comprometido, mais focado e fisicamente mais disponível do que em muitos momentos recentes da carreira. Correu atrás, trabalhou e tentou recuperar a melhor versão de si mesmo. Claro que a comparação com o “velho Neymar” é inevitável — a fasquia que ele próprio criou ao longo dos anos foi absurda. E provavelmente nunca mais voltará a atingir aquele nível. Mas isso não significa que tenha deixado de ser especial.
Ancelotti, de certa forma, devolveu a fome competitiva ao maior talento brasileiro da atualidade. Neymar percebeu que o passado já não lhe garantia nada e reagiu como os grandes jogadores costumam reagir: competindo.
E fica a dúvida legítima: se Ancelotti tivesse chegado à seleção e garantido imediatamente a presença de Neymar no Mundial, teria o jogador feito este esforço todo? Talvez não. O treinador italiano mexeu com o orgulho do camisola 10 e, no final, acabou por conseguir exatamente aquilo que queria.
Porque, honestamente, Neymar saudável e minimamente competitivo nunca deixaria de ser opção numa lista de 26 jogadores do Brasil.

