França x Argentina | As voltas ao mundo trouxeram-nos à final de sonho dos “sheikhs”

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TRIBUNA VIP é um espaço do BnR dedicado à opinião de cronistas de referência para escreverem sobre os diversos temas da atualidade desportiva.

Argentina e França defrontam-se no estádio Lusail em busca
da terceira conquista mundial.

1978 e 1986. 1998 e 2018. Marcos históricos para argentinos e franceses, aos quais se preparam para poder juntar 2022. Os campeões sul-americanos, Argentina, e os campeões do Mundo, França, vão-se enfrentar em Lusail com o nobre desejo de vencer a prova maior de seleções pela terceira vez na história.

Um desafio inédito no jogo mais decisivo do futebol e que tem como ponto alto o confronto entre companheiros de equipa no clube de um milionário qatari, o PSG. Messi e Mbappé são diferentes mas têm em comum – além do clube que representam – um poder de decisão com bola acima de praticamente todos os futebolistas mortais.

É uma final e sabemos como tantas vezes ao longo da história, ainda assim, foram nomes inesperados a resolver o jogo decisivo – Brehme em 1990, Iniesta em 2010 ou Götze em 2014. Mais do que um confronto imediato entre Messi e Mbappé, esta vai ser uma batalha tática entre Lionel Scaloni e Didier Deschamps. O selecionador argentino tem feito da flexibilidade tática uma clara mais-valia no Catar. Entre a aposta no 4-4-2 ou num 3-5-2 (e possuindo ainda a variante do 4-3-3), tem armas estratégicas distintas para contrariar o 4-2-3-1/4-3-3 gaulês (com um enquadramento que pode permitir variação para o 4-4-2).

Lionel Messi tem feito a diferença do lado argentino e certamente terá um acompanhamento especial em campo (embora não exclusivo). Reduzir os espaços é uma tarefa super-ingrata para qualquer adversário, mas se a França conseguir limitar a ligação do “10” ao irreverente Enzo Fernández e ao móvel Julián Álvarez, tem meio caminho andado para dificultar a progressão ofensiva da Argentina.

Kylian Mbappé é um fator de decisão ofensivo evidente, capaz de resolver nos momentos de maior ou menor inspiração coletiva. No entanto, mesmo que por vezes possa parecer, não faz tudo sozinho. Há um meio-campo que o sustenta – entre as recuperações e simplificação no passe de Tchouaméni, as coberturas defensivas do multifacetado Rabiot e a reinvenção posicional de Griezmann, terceiro médio/segundo avançado que defende com vigor e é o melhor criador de jogo desta França – e também dois colegas da frente ofensiva que o complementam devidamente no modelo de jogo de Deschamps (Giroud nos apoios e o extremo puro Dembélé, mais solto à direita). Isto sem esquecer um lateral ofensivamente ousado mas que também sabe proteger e ganhar duelos à esquerda – Theo Hernández.

Muitas dúvidas se levantam antes desta final. Será que Scaloni vai temer assim tanto o fator Kylian e aposta num marcador mais próximo, numa defesa a 4 (Foyth, por exemplo)? Ou prefere manter Molina e De Paul na vigia à direita, tanto apostando em 2 como 3 centrais? Do lado francês, apesar do “intimidante” Messi, parece muito menos provável que tenhamos um retorno à casa tática de um passado nada distante, com três centrais. Scaloni pode surpreender Deschamps como maior facilidade do que o contrário possa vir a ocorrer, mas também é verdade que a turma gaulesa parece mais preparada para um desafio desta grandeza (na dimensão da experiência competitiva, individual e coletiva).

Nos desafios das meias-finais, e apesar do merecimento do apuramento de argentinos e franceses, houve momentos de complexidade nos jogos. A Argentina cedeu a posse a Modrić e Kovačić nos 25 minutos iniciais e não conseguiu ter controlo – só a partir do penálti de Livaković, começou a ruína croata. Já a França, apesar do golo cedo de Theo Hernández, sentiu problemas para travar o jogo mais apoiado de Marrocos (não foi novidade, embora antes tivesse aparecido apenas a espaços) e as investidas “diabólicas” pela faixa direita (sem os apoios defensivos do ausente Rabiot e do “presente” Mbappé).

As dificuldades foram visíveis mas também a rapidez para encontrar soluções. A Argentina tem na mobilidade de Julián Álvarez – para cair na faixa e explorar diagonais ou atacar as costas da defesa – uma vantagem ofensiva (além daquilo que oferece a pressionar, por ele e por Messi). O “10” também procura, em fase ofensiva, ligação permanente à bola, criando desequilíbrios em combinação ou partindo para o drible e condução – como na “dança” com Gvardiol do 3-0. Enzo Fernández guia também a equipa para os melhores caminhos em posse e Mac Allister pode defender mais pela esquerda mas procura muitas vezes dar solução de passe por dentro. Do lado francês, e aproveitando a mudanca tática marroquina (do 4-1-4-1 para um 5-4-1 sem bola), Varane e Griezmann aproveitaram devidamente a ausência de um médio na cobertura pela meia esquerda para construir o 1-0 e houve outro tipo de soluções exploradas para chegar ao perigo – como bolas lançadas para as costas da defensiva magrebina.

Soluções, como vemos, não faltam. Intérpretes, também não. Treinadores sagazes? Estão lá. Que a bola comece a rolar rapidamente. Os “sheikhs” têm uma das finais desejadas, Nasser Al-Khelaifi esfrega as mãos, mas este continua a ser o jogo que acima de tudo faz o povo sonhar. Muchachos e monsieurs, agora é convosco!.

 

Artigo de opinião de Francisco Pinho Sousa,
analista e comentador ELEVEN

Francisco Sousa
Francisco Sousahttp://www.bolanarede.pt
Licenciado em jornalismo, o Francisco esteve no Maisfutebol entre 2014 e 2017, ano em que passou para a A BOLA TV. Atualmente, é um dos comentadores da Eleven.

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