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26 de Janeiro, 2022

Portugal 2 x 2 EUA: Lusitanos derretem no inferno de Manaus

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O RESCALDO

Portugal entrou a perder. Paulo Bento decidiu a sorte do jogo mesmo antes de os seus jogadores pisarem o relvado. O desenrolar da partida mostrou que a não colocação de William Carvalho e Éder na equipa inicial se traduziu em duas substituições forçadas (por lesão de Hélder Postiga e André Almeida), o que condicionou possíveis opções numa fase mais avançada do jogo.

Portugal conseguiu criar ilusão nos primeiros minutos; o golo precoce de Nani (5’) poderia ter sido um bom tónico para a equipa das quinas, no entanto, esta revelou-se intranquila e, sistematicamente, desequilibrada. A colocação de Cristiano Ronaldo no lado esquerdo do ataque mostrou que o nosso seleccionador não estava suficientemente informado da forma de jogar da equipa adversária. Constantemente o veloz lateral direito dos EUA (Johnson), sem qualquer marcação, surgia em superioridade numérica no flanco direito, dinamizando o ataque americano e causando muita instabilidade na defensiva portuguesa. Algumas tentativas ténues de correcção táctica foram efectuadas pelo técnico Paulo Bento, fazendo descair inicialmente Moutinho e depois Meireles para a ala esquerda, no entanto, estas levavam a desproteger a zona intermédia central, onde os médios americanos surgiam livres de marcação e criavam situações de finalização.

A entrada de William Carvalho após o intervalo permitiu colmatar a lacuna da zona central do campo, porém, o flanco esquerdo continuava a apresentar as mesmas debilidades defensivas, onde Miguel Veloso, entretanto adaptado a lateral esquerdo, e Meireles não davam a resposta adequada. Após mais uma jogada de perigo pela direita, que culminou em pontapé de canto, os EUA conseguiram o empate (63’) através de Jermaine Jones, que rematou de fora da área, conseguindo um golo de belo efeito.

Portugal acusou o empate e deu sinais de intranquilidade, perante uma equipa que baixava ainda mais as linhas defensivas, dando a iniciativa de jogo à selecção nacional e apostando nas transições. Em mais um momento de desconcentração defensiva, a bola chega à área portuguesa e, sem qualquer marcação, o extremo esquerdo americano cruzou para a frente da baliza, onde Dempsey, sem oposição e com a barriga, encostou para a reviravolta no marcador (81’). Portugal estava fora do Mundial e, num último fôlego, já em período de compensação, chega ao empate por Varela (95’), numa cabeçada irrepreensível, após cruzamento de Cristiano Ronaldo da direita.

Varela salva Portugal Fonte: FIFA
Varela salva Portugal
Fonte: FIFA

Este foi mais um jogo que denunciou problemas de adaptação da nossa selecção às condições de temperatura e humidade que se registam nesta altura no Brasil. Depois dos problemas físicos com Fábio Coentrão, Hugo Almeida e Rui Patrício, verificaram-se neste jogo, e ainda durante a primeira parte, lesões musculares com Hélder Postiga e André Almeida.

Importa voltar às questões tácticas e às opções do nosso seleccionador. Portugal tem tradição de bons extremos, que defendem bem e que dão profundidade no flanco. Não se compreende como Paulo Bento continua a manter Cristiano Ronaldo sobre as alas, quando este apenas tem preocupações ofensivas. Em face do nosso défice em termos de ponta de lança de qualidade, seria oportuno colocar Cristiano Ronaldo na zona central do ataque, onde finaliza como poucos, dando a possibilidade de, por exemplo, Vieirinha ou Varela ocuparem o flanco. Paulo Bento continua a insistir nesta opção, condicionando também o desempenho de Cristiano Ronaldo.

As perspectivas de Portugal neste Campeonato do Mundo estão agora muito sombrias, já que um apuramento milagroso exigiria não só a vitória de Portugal sobre o Gana, por números claros, mas também a vitória da Alemanha sobre os EUA, sabendo-se que um empate entre estas duas selecções lhes garante o apuramento. Resta à nossa selecção procurar, neste último e difícil combate, dignificar o futebol português, procurando a vitória e, simultaneamente, deixando uma imagem mais de acordo com o estatuto com que partiu rumo ao Brasil. Por todos os emigrantes portugueses no Mundo, por todos os portugueses em Portugal, por toda a coragem escrita na História Lusitana, não vale a pena suar? Portugal, mais humildade e mais sacrifício, os luxos não fazem História.

A Figura:

Nani, não só pelo golo, mas também pelos dois remates perigosos (dois na primeira parte –um deles que embateu no poste esquerdo da baliza americana e outro defendido pelo guarda-redes, e outro já perto do final, num movimento característico da ala para dentro) e pela constante entrega ao jogo em termos ofensivos e defensivos.

O Fora-de-Jogo:

A dupla Paulo Bento – Cristiano Ronaldo.

Paulo Bento, pelas escolhas iniciais e pela deficiente preparação da equipa para as potencialidades (poucas) da equipa adversária.

Cristiano Ronaldo, que continua longe dos momentos de fulgor que contribuíram decisivamente para o apuramento de Portugal, revelando pouca humildade e entrega nos processos defensivos, para além de não assumir o verdadeiro estatuto de capitão.