Publicidade

Revista do Mundial 2018 – Islândia

Diogo Fresco · 4 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Contar com a Islândia num Campeonato do Mundo seria impensável há alguns anos. Uma seleção que hoje ainda conta com alguns atletas semi profissionais, ou seja, que não exercem a profissão de futebolista a tempo inteiro, e se qualificou no primeiro posto no grupo I de acesso à prova mais importante a nível de seleções nacionais, é obra! Além disso, é a nação com menor número de habitantes (335 milhares) a chegar a esta fase. Este “recorde” pertencia a Trindade e Tobago (1.3 milhões), que em 2006 tinha entrado para a história também.

Esta “surpresa” já se adivinhava desde a qualificação e consequente prestação no Euro 2016, em que deixaram uma excelente imagem não só em campo, mas também nas bancadas, em que a apaixonante coreografia encenada pelos seus congéneres ficou guardada na memória da história do futebol.

TRIVIA

-A Islândia entra pela primeira vez na fase final de um Mundial. No último, em 2014,não conseguiu garantir vaga por pouco..

-O jogador com maior número de internacionalizações é Rúnar Kristinsson. Um jogador totalmente desconhecido para a generalidade do panorama do futebol mundial. Contudo, representou a sua “ilha” por 104 ocasiões, entre 1987 e 2004! Muitos anos a servir o seu país… A nível de clubes, começou e abandonou no clube da capital e mais bem sucedido do país, o KR Reykjavík, e pelo meio teve passagens pela Suécia, pela Noruega, e pela Bélgica. Atuava como médio.

– O jogador com mais golos ao serviço ao serviço da Islândia é Eiour Gudjohnsen, com 26 tentos apontados.

  

A ESTRELA DA COMPANHIA

Fonte: KSI

Com um percurso recheado a nível de Premier League, Gylfi Sigurdsson apresenta-se como o jogador mais talentoso desta seleção. Já com 18 anos de idade, assinou pelo Reading e chegava cedo a um grande campeonato, mesmo sendo o segundo escalão inglês. De recordar que era mais habitual vermos jogadores islandeses nos países nórdicos, como a Suécia um dos destinos mais prováveis.

Foi emprestado para rodar em clubes de menor dimensão no início, mas em 2010 é adquirido pelo Hoffenheim. Dez golos marcados em 39 jogos chamaram a atenção do Swansea, que o trouxe de volta a terras inglesas. Foi no clube galês que deu nas vistas, e fez o Tottenham avançar para a sua contratação. Dois anos em Londres, treze golos marcados em 83 partidas jogadasnão foram suficientes para os responsáveis pelos Spurs prolongarem o seu vínculo, e nesse sentido regresa ao País de Gales, assumindo-se como uma das maiores figuras de proa dos swans. No início da presente temporada, assinou pelo Everton.

No aspeto técnico, sempre apreciei as qualidades deste jogador. Bons pés, boa leitura de jogo, bom remate, bom cruzamento, excelente passe… Um jogador que fugiu à regra dos demais. Hoje, conta com outros talentos na equipa nacional, e formam uma equipa competitiva e a ter em conta.

A REVELAÇÃO

Fonte: KSI

Albert Gudmundsson, que atua no PSV Eindhoven, pode vir a revelar-se neste Mundial. Fará 21 anos no próximo dia 15 de Junho, joga na ala e dá bons indícios de que terá o seu papel neste Campeonato do Mundo. À primeira vista, o seu perfil é facilmente identificável com Sigurdsson. Como Gylfi, penso que poderá jogar tanto na ala, como no meio, e as qualidades técnicas são, como a idade indica, aprimoráveis.Há relatos que sugerem o interesse do Arsenal no seu passe, mas não é nada concreto. Todavia, é muito possível, já que o clube do norte de londres joga muito com o plano de scouting de jogadores com potencial, não apenas a aquisição de jogadores “feitos”. Não se compara à estrela maior da companhia islandesa, mas tem claras condições para eclodir neste Mundial.

 

O TREINADOR

Fonte: UEFA

Heimir Hallgrímsson, desde 2013 a orientar a Seleção Nacional Islandesa, começou a exercer o cargo em simultâneo com uma outra atividade profissional: a de dentista. Antigo futebolista, também conciliava ambos os campos nessa altura. Lars Lagerback, experiente técnico sueco era o seu adjunto e tinha um papel importante, mas agora dirige a seleção da Noruega.

O estilo de jogo que incute aos seus pupilos é traduzido em duas palavras: simples e compacto. Espírito de entreajuda, onde se observam dobras e compensações por parte dos atletas em campo, aliadas a uma máxima islandesa de superação, comandam esta equipa a voos nunca antes alcançados. O selecionador islandês diz não lhe interessar se disserem que o seu estilo é aborrecido, e ressalva que é em coletivo que jogam, a coerência em campo é visível e dá frutos.

Diz comandar um leque de jogadores já entrosados, e as experiências obtidas no Euro 2016 foram determinantes a uma qualificação “segura” para este Mundial. O 4-4-2 é o seu sistema predileto.

QUÃO ALTO PODE SONHAR?

Fonte: UEFA

A Islândia já não é surpresa. Pode ter sido no Euro, mas agora assume-se como uma equipa competitiva. Mesmo assim, inserida num grupo junto com Croácia, Argentina e Nigéria, em que só avançam duas seleções, o natural teórico é não ir além de um 3º lugar. Porém, a equipa joga com um pragmatismo competente e o coletivo é muito forte. No Euro 2016, por exemplo, o 11 inicial foi sempre o mesmo na fase de grupos. E foi efetivo. Este conjunto tem várias variáveis que caso sejam acionadas, não será mesmo surpresa ver a Seleção Islandesa ir além da fase de grupos. O “HÚH” promete ecoar na longínqua Russia!

Foto de capa: UEFA

Diogo Fresco

Redação Bola na Rede · ver artigos