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A competição internacional mais velha do Mundo comemora 100 anos de existência. A Copa América Centenário, acontece de 3 a 26 de Junho e, pela primeira vez, é organizada por um país fora da América do Sul – os Estados Unidos.
A competição terá frente a frente 16 seleções das Américas na disputa de um troféu especial que qualquer uma das federações desejaria ter na vitrine da sua sala de troféus. A Copa América vai adotar o formato de 4 grupos de 4 equipas, com apuramento dos 2 primeiros classificados do grupo.
De antemão, o Grupo A (EUA, Colômbia, Costa Rica e Paraguai) parece ser o grupo mais equilibrado, sem um favorito declarado, na minha opinião. Embora possamos apontar para a Colômbia como a presumível equipa “mais forte” do grupo. O Grupo B, conta com um sempre favorito de qualquer competição – o Brasil e, duas equipas que em caso de derrota com o Brasil brigarão pelo 2º lugar, Equador e Peru. O inexperiente Haiti talvez seja um mero participante para o desempate, entre adversários, no saldo de golos. O Grupo C e D, parecem ser onde o estatuto e o nome das federações poderá coincidir certeiramente com os apurados para a fase a eliminar. Uruguai e México no Grupo C (não creio que Jamaica e Venezuela possam fazer frente dura) e Argentina e Chile no Grupo D (para um Panama e Bolívia bem distantes a nível de argumentos futebolísticos). Entre si discutirão o 1º e 2º classificados. Todavia, importa referir que isto são apenas palpites, prognósticos. Na prática, acredito que esta competição possa reservar algumas surpresas.
Desde a virada do Milénio, já foram realizadas 5 edições da CA e apenas 3 das 16 seleções passaram sempre à fase seguinte, ou seja, aos quartos-de-final. São elas: Brasil, Uruguai e o… Peru!
Ainda a título de curiosidade, desde 2001 a seleção que mais vezes terminou nos quatro primeiros lugares foi o Uruguai, que é o maior detentor de troféus (15). Seguido da Argentina (14), que não vence desde 1993, mas conseguiu o 2º lugar por três vezes. A fechar o top 3, destacados de todas as outras seleções, vem o Brasil com 8 troféus, sendo a equipa que mais vezes a venceu desde 2001 (2).
Neste artigo, destacarei algumas das seleções com base no seu ranking mundial, planteis, experiência ou histórico competitivo e favoritismo para chegarem nas meias-finais ou serem campeãs. Assim, antes da caracterização mais detalhada dessas seleções apostaria numa final entre Uruguai e Argentina, que o próprio formato de jogos já definido pode ocasionar. Outros candidatos a estarem presentes na final são o Chile, a Colômbia e, claro, o Brasil. Como outsiders ou equipas surpresa vou destacar o Equador e o México. Será que EUA, jogando perante seu público, e o surpreendente Peru, 3º lugar das últimas 2 edições da Copa América (CA) terão algo a dizer até às meias-finais?
Colômbia
Pouca gente sabe mas a Colômbia em 2001 foi campeã da CA sem nenhuma derrota consentida ou qualquer golo sofrido. Embora, apenas a partir desta segunda década, aos comandos do argentino José Pékerman (desde 2012), que vemos a Colômbia como uma seleção arrojada e competitiva ascendida ao 4º posto do Ranking FIFA.
Pékerman chamou para esta CA os 11 jogadores que têm sido mais utilizados durante o apuramento para a fase final do Mundial, e observem só: Falcao (Chelsea); Jackson Martinéz (Guangzhou); Teo Gutiérrez (Sporting) e Adrián Ramos (B. Dortmund) não fazem parte dessas escolhas. Parece surreal como uma seleção se dá ao luxo de dispensar quatro avançados deste nível. Mas, é certo que, além de não estarem na forma de outros tempos, a Colômbia consegue ainda convocar os experientes e não menos qualificados atacantes Carlos Bacca (AC Milan) e Dayro Moreno (Tijuana). Impressionante a quantidade de atacantes desta geração!

Fonte: Selección Colombia – FCFSeleccionCol
Os 11 jogadores mais utilizados que acredito darem corpo ao onze base da Colômbia nesta CA são: Ospina (Arsenal); os laterais F. Fabra (Boca Juniors) e Santiago Arias (PSV); os centrais Cristián Zapata (Milan) e Jeison Murillo (Inter); médios Daniel Torres (Medellín), Carlos Sanchez (Aston Villa), James Rodriguez (R. Madrid), Juan Quadrado (Juventus) e Edwin Cardona (Monterrey); mais o atacante Carlos Bacca (AC Milan).
A Colômbia não veio para passear! Embora adversários como a Costa Rica e o Paraguai possam ser considerados traiçoeiros, acredito que a grande cartada da Colômbia poderá ser dada com uma vitória no jogo da abertura contra os anfitriões da prova. Em caso de vitória aumentará a confiança para obter o 1º lugar do Grupo A. E, no seguimento natural do papel de favorito, poderão chegar nas meias finais com Argentina/Chile ou Uruguai/México. Só prognósticos, mas acontecendo e em caso de vitória perante uma equipa destas pode colocá-los na final.
As armas da Colômbia serão: a estrela da equipa James Rodriguez que estará com frescura e disponibilidade física para demonstrar todo o seu talento, por não ter jogado muito este ano no Real Madrid e lembrando-nos do elevadíssimo desempenho no último Mundial; a intensidade e verticalidade que o futebol colombiano sempre impôs no seu estilo de jogo; e a capacidade ofensiva se Bacca, Cardona e Quadrado estiverem ao seu melhor nível. Estas três condições reunidas e acredito que a Colômbia possa superar qualquer adversário.
As fragilidades são o momento de forma que atravessa atualmente: um dos piores dos últimos tempos. Serve dizer que a Colômbia venceu apenas 4 dos últimos 10 jogos realizados, tendo 4 empates e 2 derrotas, sem conseguir vencer adversários como Argentina, Chile e Uruguai. Outras das fragilidades poderá ser o inconstante desempenho defensivo já que sofre golos em praticamente todos os jogos, embora tenha 4 dos 5 jogadores da defesa base atuando ao mais alto nível Europeu.
A Colômbia conta apenas com 8 jogadores “Europeus” dos 23 convocados, com 7 campeões Nacionais (a maior parte do Atl. Nacional) e 1 finalista Europeu. Os 11 jogadores mais utilizados não jogaram tanto quanto os de outras seleções: 24.371 minutos e uma média de 2.215 por jogador. A frescura geral da equipa, com menos minutos nas pernas, pode ser favorável!
As Figuras: James Rodriguez / Carlos Bacca / Quadrado / Cristian Zapata
As Promessas: Murillo (23) / Cardona (23) / R. Martinez (19) / M. Moreno (19)
Prognóstico Final: 2º ao 4º Lugar
Brasil
O Brasil é, talvez, a seleção que mais altas expectativas cria antes de se iniciar qualquer prova em que participe. A seleção sofre o maior momento de instabilidade dos últimos anos. Desde as goleadas sofridas no Mundial 2014, à fraca participação na Copa América de 2015, as escolhas do treinador Dunga têm sido altamente contestadas e o futebol da Canarinha se apresenta sem identidade.
Analisando as CA desde a virada do Milénio, o Brasil chegou sempre nos quartos-de-final mas, só por duas vezes conseguiu superá-los tendo se tornado campeão. O Brasil tem de ser ponderado como candidato ao título, mas a conjuntura atual e sabendo que o melhor jogador – Neymar – foi dispensado da competição, creio lhe retirar algum favoritismo.

Fonte: CBF
Dos 11 jogadores mais utilizados durante o apuramento para a Russia 2018, Dunga chamou 8 deles para a CA e promoveu outras alterações com jovens que jogarão pela a equipa Olímpica. Dos mais utilizados ficam de fora: Neymar (Barcelona); Ricardo Oliveira (Santos); David Luiz (PSG); e o incógnito não utilizado Thiago Silva (PSG). Os 8 que darão corpo ao onze titular são estes: Alisson (Roma); os defesas Miranda (Inter), Dani Alves (Barcelona) – embora em risco de não ir – e Filipe Luís (Atl. Madrid); os médios Luiz Gustavo (Wolfsburgo), Renato Augusto (Beijing) e Willian (Chelsea); e o atacante Douglas Costa (Bayern); A estes creio que se juntarão Marquinhos (PSG), Lucas Lima (Santos) e Hulk (Zenit) ou Jonas (Benfica).
As armas do Brasil são a sua presença no Grupo B, que aparenta ser bastante acessível para passar em 1º lugar, assimilar um padrão de jogo e aumentar os níveis de confiança da equipa. O calendário também joga a favor, pois em caso de apuramento defrontará os classificados do Grupo A, que, a meu ver, são mais fáceis que os representantes dos Grupos C e D.
As fragilidades são as debilidades e fragilidades defensivas da equipa que, no entanto, creio que os primeiros adversários – Equador, Peru e Haiti – ajudarão a mascarar. Dentro do esperado, será normal enfrentar reais dificuldades nas meias-finais. Particularmente acho que se o Dunga não jogar com meio campo criativo, que saiba ter a bola, enfrentará problemas desnecessários. Na prática, deve jogar com Lucas Lima, Philippe Coutinho e Renato Augusto. Porém, certo que vai começar a CA com o ‘escudeiro’ Luiz Gustavo, R. Augusto e talvez Casemiro ou Elias!
O Brasil conta com 15 jogadores “Europeus” dos 23 convocados, com 6 campeões Nacionais e 3 finalistas Europeus. Vem, dos últimos jogos oficiais, com 6 vitórias 2 empates e 2 derrotas. Os 11 jogadores mais utilizados já jogaram 31.184 minutos: uma média de 2.835 por jogador.
As Figuras: Dani Alves / Willian / Douglas Costa / Hulk
As Promessas: Alisson (23) / Marquinhos (21) / Gabriel Barbosa (19)
Prognóstico Final: 2º ao 4º Lugar
Equador
O Equador tem sido a seleção sensação da América do Sul nesta época de 2015/16. Lidera junto com o Uruguai a fase de apuramento para o Mundial da Russia de 2018. As vitórias, em Outubro e Novembro de 2015, frente à Argentina fora (0-2) e ao Uruguai em casa (2-1) deram alento as aspirações de se qualificarem para o Mundial de 2018. Graças a estes desempenhos o Equador ocupa o sensacional 12º posto no Ranking da FIFA.
O Equador, desde a virada do Milénio – em 5 edições de CA – nunca conseguiu apurar-se para os quartos-de-final da competição. Contudo, o treinador boliviano Gustavo Quinteros tem, talvez, aquela que poderá ser considerada a melhor geração de jogadores da história do Equador. Este é um homem já com uma imagem construída no país, que antes de assumir a seleção conquistou um campeonato equatoriano com o Emelec.

Fonte: FEF
Assim, Gustavo Quinteros, dos 11 jogadores mais utilizados no apuramento para o Mundial até ao momento, convocou 9 deles, ficando de fora o Pedro Quiñónez (Emelec) e uma figura da equipa – o nosso bem conhecido – Felipe Caicedo (Espanhol) que é o melhor marcador atual. Do onze base estão convocados 9 jogadores: Alexander Dominguez (LDU Quito); Frickson Erazo (Atl. Mineiro); Juan Paredes (Watford); Gabirel Achilier (Emelec); Christian Noboa (Rostov); Antonio Valencia (Man. Utd); Jefferson Montero (Swansea); Walter Ayoví (Monterrey); Miller Bolaños (Grémio). Para o onze titular contam com o ‘Neymar Equatoriano’ Fídel Martinez (Pumas) e Enner Valencia (West Ham). Sem dúvida que não é uma equipa para subestimar, não!
Estarão presentes apenas 6 jogadores “Europeus”, mas a base será composta por jogadores que acumulam já bastante experiência tendo em conta que a média de idades ronda os 28 anos.
As armas do Equador poderão ser: o efeito surpresa ou a capacidade de se superar perante uma possível subestimação do adversário, embora acredite que todos os participantes tenham consciência das suas qualidades futebolísticas; o futebol intenso e imprevisível que poderá favorecer as suas possibilidades de se apurarem pela primeira vez para as quartas, aliando o fato de terem um quase desconhecido Haiti e um Peru muito desfalcado no Grupo B; e a defesa parece ser bastante experiente!
As fragilidades são a ausência de uma das figuras atacantes da equipa que faz a diferença na capacidade de finalização e na valência física no ataque (Felipe Caicedo). Ainda, na enventualidade de perderem o 1º jogo com o Brasil e o Peru vencer o Haiti, a forma como irão abordar mentalmente e emocionalmente o 2º jogo com o adversário direto Peru poderá ser um entrave.
A equipa não chegará muito cansada à competição, pois não acumula muitos minutos ao mais alto nível. Na soma do onze base os jogadores levam no total 18.188 minutos e uma média de 1.653 por jogador/época. Valores bem abaixo das outras equipas candidatas: pode ser uma moeda de duas faces!
Certo que o Equador ainda não venceu no ano de 2016 (2 derrotas e 1 empate) tendo até perdido no último minuto por 1-0 num amigável com os EUA (possível adversário caso se classifique para as quartas-de-final). Resultados que não devem retrair as expectativas do Equador, já que levam 6 vitórias, 1 empate e 3 derrotas nos últimos 10 jogos. Sigo animado para ver como se sairá nesta prova emblemática, sobretudo no 1º jogo com um adversário peso como o Brasil, até porque já venceram recentemente a Argentina e o Uruguai (dois crónicos candidatos ao título da CA).
As Figuras: Jefferson Montero / Fidel Martinez / Walter Ayovi / Enner Valencia
As Promessas: Juan Cazeres (24)
Prognóstico Final: 3º a 4º Lugar ou Quartas-de-final
EUA e Peru
A caracterização destas duas seleções será feito em paralelo pois não considero que irão trazer algo de muito novo ou surpreendente a esta competição. No entanto, são merecedoras de destaque quando comparadas com outras seleções devido à tradição histórica do passado recente na Copa América – no caso do Peru – e da conjuntura desta competição que terá como público maioritário os representantes dos Estados Unidos da América.

Fonte: US Soccer
Assim, começando pelos EUA. Esta participação será a estreia da nação em 100 anos de história da CA. O selecionador alemão Jurgen Klinsmann está no comando há pouco mais que 5 anos. Desde 2011 que o futebol dos EUA vem reconhecidamente melhorando em termos de competitividade. A conquista maior do seu mandato foi a Gold Cup em 2013 e o feito, o apuramento para os oitavos-de-final do Mundial de 2014.
Os EUA encontram-se atualmente numa fase de reestruturação da equipa, embora conte com jogadores experientes e referências como Tim Howard (37), Jermaine Jones (34), Clint Dempsey (33) e Michael Bradley (28). Entre os muitos jogadores que têm sido utilizados e de acordo com a escolha dos 23 finais, chamaram 10 jogadores que atuam na Europa, maioritariamente na Alemanha. Esta competição centenária servirá como teste de desempenho para o futuro que os EUA pretendem apresentar no Mundial da Russia de 2018. Assim, jogadores “alemães” compatriotas do técnico como Fabian Johnson (B. Mönchengladbach), John Brooks (Hertha Berlin), Timmy Chandler (Eintracht), o jovem Bobby Wood (Hamburgo) e ainda a promessa Christian Pulisic (B. Dortmund) poderão ser as novas referências destes EUA renovado. Ainda mais, se juntarmos os “ingleses” Brad Guzan (Aston Villa), Geoff Cameron (Stoke) e o jovem DeAndre Yedlin (Sunderland). O melhor marcador do apuramento para o Mundial Altidore (Toronto) está fora!
Curioso para ver até onde chegarão neste Centenário. O 1.º desafio é logo a doer: Colômbia!
Relativamente ao Peru merece o meu destaque neste artigo por três motivos.
O primeiro, por que desde a CA de 2001 que têm chegado sempre aos quartos-de-final. São já cinco edições a surpreender. Nas últimas duas chegaram ao 3º lugar. Feitos incríveis quando comparamos o Peru com as maiores valências futebolísticas da América.
Em segundo, a diferença de resultados entre o desempenho desta seleção em fases de apuramento para Mundiais e as fases finais da Copa América. Dá a ideia de que o Peru é uma equipa que nasceu com mentalidade competitiva que se transcende apenas em competições de curta duração.

Fonte: Federación Peruana de Fútbol
Por último, contradizendo todas as aspirações manifestadas pelo Peru nas Copas Américas anteriores, a ausência de muitos jogadores influentes da equipa – no que têm sido os jogos de qualificação para o Mundial de 2018. O selecionador Argentino Ricardo Garega irá dar preferência aos jogadores jovens e menos conhecidos para dispustar esta competição, assumidamente, não prioritária para o Peru. Assim, praticamente uma equipa de pesos pesados de fora: Claudio Pizarro (Werder Bremen); Juan Vargas (Bétis); Jefferson Farfán (Al Jazira); Carlos Zambrano (Eintracht); Carlos Ascues (Wolfsburgo); Luis Advíncula (Newell’s); André Carrillo (Benfica); Yordy Reina (Red Bull Salzburgo); Josepmir Ballón e Carlos Lobatón (ambos do Sp. Cristal).
Apenas 5 jogadores dos 11 mais utilizados no apuramento para o Mundial estarão presentes nesta Copa América Centenário: o Guarda-Redes Pedro Gallese (Juan Aurich); Yoshimar Totún (Malmo); a jovem promessa Renato Tapia (Feyenoord); e as estrelas deste elenco Christian Cueva (Toluca) e Paolo Guerrero (Flamengo). Será sem dúvida uma prova de análise individual para o selecionador, que contará com as jovens promessas Beto da Silva (18, PSV), Andy Polo (21, Universitario), Cristian Benavente (22, Charleroi) e o, já referido, Renato Tapia (20, Feyenoord).
O Peru será uma caixinha de surpresas a todos os níveis!









