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Fez-se justiça. Cristiano Ronaldo é, oficialmente, o melhor jogador do ano para a FIFA. Um prémio justo, que não deixa margem para dúvidas e que ajuda a reduzir um pouco a exagerada distância que o separa de Lionel Messi, o seu único e verdadeiro rival na luta pelo prémio da Bola de Ouro. Logo por aí, percebe-se a minha relutância em sequer se considerar o nome de Frank Ribéry para esta contenda. Em termos de valia individual não está, nem de perto, próximo dos outros dois astros. Coletivamente, sim, ganhou tudo e foi importante para essas conquistas… como Neuer, Lahm, Schweinsteiger, Robben ou Mandžukić. Daí que não faça nenhum sentido estar envolvido nesta discussão. Digo até que não me faria confusão alguma ver, por exemplo, o nome de Zlatan Ibrahimović nos três finalistas, em detrimento do internacional francês.

Mas, claro está, para além da eleição óbvia de Ronaldo e Messi, ninguém sabe ao certo o que realmente conta na hora de selecionar os finalistas deste prémio. Os critérios continuam por esclarecer e a polémica terá sempre tendência para aumentar se ninguém confirmar se o que conta realmente é a valia individual de um jogador ou se os seus feitos coletivos terão um peso maior. As declarações de Platini, no final de gala de ontem, pecam apenas por terem sido feitas tardiamente. Concordo em absoluto com o francês quando afirma que os critérios devem ser esclarecidos para a atribuição do vencedor. Se os prémios coletivos devem, ou não, ter um peso para a atribuição do vencedor. Agora, honestamente, acho muita piada ao facto de só agora lhe ter incomodado esta questão. Nos últimos 4 anos em que Messi ganhou, nunca este senhor colocou nada em causa. Nem nos momentos em que o argentino foi o melhor individualmente ou quando, apesar de não ter sido o melhor, ganhou mais em termos coletivos. Só agora que o vencedor mudou é que, misteriosamente, já vem colocar em causa os critérios da FIFA.

De qualquer forma, será importante rever tudo isto. Não acharia descabido fazer-se duas bolas de ouro: uma para o melhor jogador e outra para a equipa do ano. Isto porque o Bayern de Munique, depois da época fantástica que fez, merecia mais algum reconhecimento nesta gala. O prémio ao treinador e a apenas alguns jogadores não é, de facto, suficiente. Fica a dica para os senhores da FIFA.

Os dois únicos verdadeiros candidatos ao prémio Fonte: http://i.telegraph.co.uk/
Os dois únicos verdadeiros candidatos ao prémio
Fonte: http://i.telegraph.co.uk/

Quanto a Ronaldo, acaba por se tornar no primeiro português a conseguir conquistar duas Bolas de Ouro e não conseguiu disfarçar as lágrimas que lhe caíam no rosto quando recebeu o prémio. Lágrimas de alegria, de revolta e, acima de tudo, de muito esforço e dedicação. Era expectável que, depois de 4 anos dominados por Messi, fosse quase impossível que Cristiano Ronaldo voltasse ao topo. E, de facto, era uma tarefa muito complicada. Destronar Messi só estava ao alcance do português. Por isso é que, a partir do momento em que se abriu o precedente para eleger aquele que é, de facto, o melhor do mundo em termos exclusivamente individuais, a escolha apenas poderia recair num deles (salvo a excepção de Xavi ou Iniesta, em 2012, que poderiam ter beneficiado da quebra de forma do português e do argentino). Para o ano, espera-se que a a luta volte, novamente, a ser a dois.

Uma rivalidade saudável e que enriquece o futebol. Desde 2008 que não há ninguém que lhes chegue aos calcanhares. Arrisco dizer que nos próximos 2/3 anos também não irá haver opositores reais à sua valia. E, se assim for, Messi e Ronaldo poder-se-ão afirmar, de vez, como dois dos melhores desportistas de sempre.

Mário Cagica Oliveira
Mário Cagica Oliveirahttp://www.bolanarede.pt
O Mário é o fundador e diretor-geral do Bola na Rede. É também comentador de Desporto na LiveModeTV, SIC e Rádio Observador e professor universitário.

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