Cabeçalho Futebol InternacionalRecentemente, as várias equipas de futebol existentes por esse Mundo fora têm começado a adotar fortemente uma política de aposta nas formações, isto é a política de “olhar para a prata da casa”, com o objetivo de tentar minimizar os seus custos relacionados com compras de jogadores e potenciar jovens para futuras transferências, que acarretem consigo importantes quantias monetárias que irão ter um enorme peso nas contas dos clubes. Esta nova tendência tem sido bastante abordada tanto por presidentes como treinadores dos diversos campeonatos, sendo que acabou mesmo por se tornar um típico tema de conversa entre as pessoas, quando o assunto discutido é o desporto que move paixões, o Futebol. Ora, em Angola, a situação não é muito diferente da que se verifica noutros países.

Na edição que acabou em novembro de 2016, em que o 1.º de Agosto conquistou o troféu de campeão, as 16 equipas que participaram no campeonato tinham nos seus plantéis bastantes atletas com idade inferior ou igual a 23 anos (cerca de 45% dos elementos que compunham os respetivos plantéis eram jovens), o que é indicativo da forte aposta nos jovens levada a cabo pelos clubes do principal campeonato de Angola. Um das razões que pode ter levado à implementação desta política deve-se à quebra na evolução económica e financeira deste país africano, o que fez com que uma boa parte dos dezasseis clubes que disputaram o Girabola´16 tivessem de reduzir substancialmente nas suas despesas com jogadores, daí o número de contratações externas tenham decrescido em relação a anos anteriores.

Apesar disso ser um aspeto negativo (na medida em que ao não serem contratados jogadores estrangeiros, acaba por impedir a visibilidade internacional do campeonato), os jovens angolanos foram os principais beneficiados, dado que finalmente puderam mostrar todo o seu talento e evoluir em termos técnicos continuamente, pois começaram a jogar com maior regularidade.

O Girabola procura crescer no panorama internacional Fonte: Girabola ZAP
O Girabola procura crescer no panorama internacional
Fonte: Girabola ZAP

Um dos vários exemplos da aposta de jovens que se observou na época que terminou no mês anterior foi o caso do médio do Petro de Luanda, vice-campeão do Girabola´16, Herenilson Caifalo de Carmo, ou simplesmente Herenilson. O jovem de 20 anos teve a sua primeira aparição na equipa sénior esta época, e conseguiu jogar frequentemente (realizou 25 jogos, o que perfaz uma quantia de 2250 minutos disputados pela equipa petrolífera) e, como consequência disso mesmo, arrecadou o Prémio Revelação do campeonato. Isto tudo só foi possível devido a uma enorme confiança depositada pelo seu treinador, o brasileiro Beto Bianchi, nas capacidades do jogador.

Em alguns casos, são os próprios treinadores e dirigentes que sentem receio em querer apostar nas novas mais-valias, tendo como justificação principal o facto de possivelmente as ambições dos clubes serem reduzidas a objetivos pouco audaciosos, visto que estes jogadores possuem pouca experiência para as diferentes fases cruciais da época, embora isso não se tenha verificado isso com Herenilson, dado que se tratou de um jogador importante no meio-campo do Petro de Luanda, que alcançou o 2.º lugar da edição deste ano.

Em conclusão, creio que esta tendência acabará por se tornar constante nas próximas edições do Girabola, não só pela incerteza em relação ao retrocesso da quebra económica e financeira de Angola, mas também devido ao facto dos clubes quererem aproveitar oportunidades para realizar transferências que representem encaixes financeiros significativos para o equilíbrio das contas dos mesmos. Quem de certeza irá ficar bastante satisfeito com essa situação será o selecionador dos Palancas Negras, José Kilamba, visto que o lote de possíveis jogadores a serem selecionados para os futuros compromissos da Seleção irá ser alargado por causa do aparecimento de novos jogadores.

Foto de capa: O País

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