RB Leipzig 2-1 BVB Dortmund: “Willkommen” ao “Nkunku Show”

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A CRÓNICA: 11 CONTRA 11 E NO FIM GANHA O RB LEIPZIG… E O FC BAYERN

O RB Leipzig recebeu e bateu o BVB Dortmund por 2-1, num jogo que provou duas coisas: este é já um jogo grande do futebol alemão e Christopher Nkunku está em brasa. Com esta vitória, os pupilos de Jesse Marsch ascenderam à quinta posição e permitiram ao FC Bayern cavar fosso para o segundo classificado – são agora quatro os pontos de vantagem dos bávaros sobre o BVB Dortmund. Vamos ao jogo.

Início com selo de equilíbrio e com os dois conjuntos a privilegiarem o binómio construção/pressão: uma tentava construir, a outra tentava pressionar alto e com intensidade. Foi a turma anfitriã a primeira a colher frutos. Alex Witsel não aguentou a pressão e viu a bola ser-lhe roubada e conduzida pelo corredor central, até ser cedida a Nkunku.

O francês de 23 anos tirou muito bem um adversário da frente e rematou, sem todavia ter batido Kobel, guardião suíço da mesma idade. Jogava-se o 13º minuto. Outros cinco foram necessários para voltarmos a ver arrepios de frio transmutados em arrepios de medo. Manteve-se a autoria: Christopher Nkunku. Manteve-se o resultado: Kobel ficou com a bola nas mãos.

Seguiram-se dez minutos frios como o fim de tarde de Leipzig. Até que a cidade aqueceu, com o golo de… Nkunku. Szoboszlai arrastou a marcação do central pela direita do BVB Dortmund, permitindo o movimento vertical do francês para alcançar a bola em profundidade lançada por Gvardiol da linha de meio-campo. Novamente em duelo com Kobel, o “18” do RB Leipzig levou por fim a melhor e inaugurou o marcador.

Os últimos 15 minutos (mais um de compensação) do primeiro tempo serviram apenas o propósito de afixação de cartazes na Red Bull Arena com a inscrição “Procura-se BVB Dortmund”. Encontraram-no durante o intervalo. A segunda parte iniciou-se, assim, já com duas equipas em campo e a diferença foi notória. Bastaram sete minutos para o golo do empate surgir.

 

Meunier saiu, com bola, da direita para dentro e serviu com classe, pela relva e em profundidade, Reus. O alemão, agora muito mais por dentro, encarou Gulácsi com toda a calma e atirou a contar, espoletando a festa aurinegra em pleno reduto alheio. O golo forasteiro espoletou igualmente a resposta caseira e o jogo ganhou um ânimo que ainda não tinha apresentado.

Aos 63´, saiu a quarta temporada do “The Nkunku Show”. Dentro da área do BVB Dortmund, o francês fez duas roletas (sim, duas roletas) para tirar adversários da frente e rematou rasteiro ao poste direito da baliza alugada a Kobel por 45 minutos, que estava batido. Quatro minutos mais tarde, foi lançada a quinta temporada… com uma nova personagem.

Desta feita, Nkunku tinha um parceiro: Poulsen. E foram eles quem devolveu a vantagem aos da casa. Cruzamento perfeito do francês pela esquerda e finalização à ponta de lança do dinamarquês. Até final, a resposta do BVB Dortmund foi superficial e por demais insuficiente.

Assim, o RB Leipzig segurou mesmo a preciosa vantagem de um golo, enquanto os adeptos forasteiros terão volvido a Dortmund pensando se não seria melhor voltar a afixar os cartazes…

 

A FIGURA

Christopher Nkunku – Toda a equipa do RB Leipzig esteve bem, mas Nkunku voltou a dar show. Tudo quanto era lance de perigo para os da casa passava, inevitável e invariavelmente, pelos pés do craque francês. Pisando terrenos interiores ou descaindo para uma das alas, transportava sempre consigo um aviso com a inscrição “Perigo!”. Que exibição!

 

O FORA DE JOGO

Primeira parte do BVB Dortmund – A segunda não foi muito melhor, mas a primeira foi muito má. Os jogadores forasteiros eram espectros fantasmagóricos em campo. Individual e, sobretudo, coletivamente, os aurinegros foram muito inferiores aos “touros” do RB Leipzig no primeiro tempo. E, num jogo que já é um clássico do futebol germânico, dar uma parte de avanço é um erro fatal.

 

ANÁLISE TÁTICA – RB LEIPZIG

Jesse Marsch colocou a sua equipa no relvado num sistema de três centrais, dando continuidade ao que vinha sendo trabalhado. Mukiele, Simakan e Gvardiol foram os escolhidos para formar o tridente do eixo defensivo, com a ala direita a ser atribuída a Henrichs e a esquerda a Angeliño.

Poulsen e Nkunku ocupavam os terrenos mais centrais do último terço, com o primeiro a descer muitas vezes procurando oferecer linha de passe noutros setores e funcionando, por vezes, como terceiro médio, juntando-se a Haidara e Tyler Adams. Angeliño dava, pela esquerda, largura e profundidade, beneficiando da posição mais interior de Nkunku e Poulsen.

Não obstante, o “3” do RB Leipzig também auxiliava, com regularidade, a primeira fase de construção. Do lado destro do ataque caseiro, Szobozslai era o elemento que mais dava profundidade, com Henrichs a dar largura, mas a conter-se mais nas subidas pelo corredor.

No segundo tempo, Jesse Marsch deu maior liberdade a Tyler Adams e a Haidara para pressionarem os primeiros construtores do BVB Dortmund (que voltou dos balneários com outro sistema). Todavia, acabou por permitir que Marco Reus tivesse mais espaço entre linhas, junto da grande área do RB Leipzig.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Gulácsi (6)

Mukiele (6)

Simakan (5)

Gvardiol (7)

Henrichs (6)

Haidara (8)

Adams (7)

Angeliño (6)

Nkunku (9)

Szoboszlai (7)

Poulsen (7)

SUBS UTILIZADOS

Forsberg (5)

André Silva (5)

Dani Olmo (-)

Laimer (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – BVB DORTMUND

Também Marco Rose optou por escalar a sua equipa num sistema de três centrais (Akanji, Hummels e Pongracic), tendo, todavia, desfeito esse sistema ao intervalo. Em modo de ataque, os aurinegros dispunham-se em campo num 3-4-3, com Julian Brandt pela direita do ataque e Reus pela esquerda, ladeando Malen. Todavia, as permutas entre o “11” e o “21” dos visitantes eram frequentes.

No momento defensivo, pressionar o RB Leipzig na primeira fase de construção era uma das prioridades dos forasteiros. Assim, o BVB Dortmund procurava colocar-se num 5-2-3, com o trio da frente a encaixar nos três centrais dos da casa. No momento ofensivo, a turma de Dortmund procurava, numa primeira instância, uma construção sólida, passando por todos os setores.

Contudo, a dificuldade apresentada no primeiro tempo forçou o BVB Dortmund a arriscar mais vezes ataques mais verticais e velozes. Neste cenário, Malen ganhava preponderância e pisava mais vezes o corredor esquerdo. No segundo tempo e em desvantagem, a turma de Dortmund desfez o sistema inicial e apostou num 4-2-3-1.

Este sistema deu maior liberdade a Reus para atuar em zonas interiores, terrenos nos quais o alemão se torna mais preponderante e letal. Permitiu igualmente que a turma de Marco Rose ganhasse maior controlo territorial no meio-campo. RB Leipzig

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Kobel (6)

Akanji (5)

Hummels (5)

Pongracic (5)

Meunier (5)

Witsel (5)

Bellingham (6)

Thorgan Hazard (4)

Brandt (6)

Reus (6)

Malen (5)

SUBS UTILIZADOS

Knauff (5)

Moukoko (4)

Reinier (-)

Zagadou (-)

Márcio Francisco Paiva
Márcio Francisco Paivahttp://www.bolanarede.pt
O desporto bem praticado fascina-o, o jornalismo bem feito extasia-o. É apaixonado (ou doente, se quiserem, é quase igual – um apaixonado apenas comete mais loucuras) pelo SL Benfica e por tudo o que envolve o clube: modalidades, futebol de formação, futebol sénior. Por ser fascinado por desporto bem praticado, segue com especial atenção a NBA, a Premier League, os majors de Snooker, os Grand Slams de ténis, o campeonato espanhol de futsal e diversas competições europeias e mundiais de futebol e futsal. Quando está aborrecido, vê qualquer desporto. Quando está mesmo, mesmo aborrecido, pratica desporto. Sozinho. E perde.

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