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O título que acabamos, por ora, de ler, não é uma ideia egocêntrica do autor do mesmo. Nem sequer é pisar sobre um chão tantas vezes massacrado em artigos anteriores. Como referimos noutros textos (e não muito longínquos), podemos agora afirmar, com base em números, que o campeonato brasileiro será provavelmente o mais difícil de ganhar. Ou por outras palavras, mais fortes e inexoráveis: é a Liga mais competitiva do mundo. Vejamos.

Foi feita uma comparação com bastante minúcia e dados estatísticos entre os números do Campeonato Brasileiro e os de duas grandes ligas da Europa – a inglesa e a espanhola. Os nossos amigos matemáticos mostram que na competição do Brasil é, de facto, mais difícil de se encontrar um campeão. De acordo com o levantamento do jornalista Carlos Eduardo Mansur, do jornal “O Globo”, a pontuação média dos campeões nos últimos cinco anos no Brasileirão foi de 72,4 pontos, contra 86 da Premier League e 97 da Liga Espanhola de Futebol. Recordemos que cinco anos é um período considerável, se verificarmos que a UEFA utiliza essa mesma décalage para classificar em potes as equipas apuradas para a Liga dos Campeões e Liga Europa.

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Nas palavras de Mansur, “apesar de ser o mesmo desporto, é um outro ambiente de competição. Isso não significa que nenhum treinador tenha que ser despedido. Mas algum grande do Brasil vai ficar em 12º e, consequentemente, em perigo de cair para a zona de descida. É um ambiente de pressão maior. Temos de ver isso como um património. Se pudéssemos vender bem esse produto, venderíamos com base nesse equilíbrio.” Pegando nesta última frase – já vamos à primeira parte da resposta –, esse deve ser o grande marketing em que o Brasil deve investir. Porque, como sempre dissemos aqui, um duelo entre um 16º classificado e o 7º colocado terá sempre, se não maior espetáculo, pelo menos maior incerteza no resultado do que os congéneres europeus.

Torcedores do Cruzeiro festejaram o penta
Torcedores do Cruzeiro festejaram o penta
Fonte: Facebook do Cruzeiro

O estudo destaca ainda que a pontuação média do 17º posto também mostra a maior competitividade presente no Brasil, onde se alcança 43 pontos. Em comparação, o 17º colocado espanhol costuma amealhar, em média, 40 pontos, contra 37, na Inglaterra. A distância entre o 3º e o 18º classificados também revela dados interessantes: 27,2 pontos, em média, no Brasil, contra 39,8 na Inglaterra e 34,2 na Espanha. Ou seja, a pontuação que separa o classificado direto para uma competição continental e a equipe despromovida é menor em solo brasileiro. A lógica segue na comparação entre o 4º e o 17º: 19, no Brasileirão, 34,4, na Premier League, e 24 em La Liga.

Estas estatísticas permitem-nos inferir que aquilo que sempre discutimos aqui – ou melhor, monologámos – tem um fundo de verdade. Querem mais um dado? Prometo que é o último. Nos últimos vinte anos, houve onze campeões brasileiros. Sabem quantos houve em Inglaterra, Espanha e Itália? Apenas cinco em cada um deles. Sei que estes dados podem não convencer os mais céticos. Isto também não significa que o Brasileirão seja o melhor campeonato de futebol do mundo. Mas é um alento para quem o segue e uma chama que cativa os que ainda não acreditam nele.

Foto de capa: Facebook do Cruzeiro

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