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Está consumada a dobradinha para o Clube Atlético Mineiro. Uma temporada memorável para o Galo Mineiro, que não teve equiparação até hoje, para os alvinegros de Belo Horizonte. Para chegar à grande final, deixou para trás as equipas de Remo, Baía, Fluminense e Fortaleza. Sempre com vitórias, excetuando o jogo da segunda mão, com o Baía – modelo de dois jogos, que, de resto, a competição leva até ao fim, sem o efeito de os golos fora valerem por dois, em caso de empate.

Na final da competição, o Galo enfrentou o Athletico Paranaense, ex-equipa do técnico português António Oliveira – filho do grande senhor do futebol nacional, Toni – e esmagou o “Furacão” (apelido dos paranaenses) por claros 4-0, deixando a viagem até Curitiba como uma espécie de mera formalidade. Este placard no jogo um da final, para se ter bem a noção da importância, foi inédito na história da Copa do Brasil. Nunca nenhuma equipa tinha alcançado tal proeza.

Apesar de o campeonato ter sido pífio para o “Furacão”(14.º classificado no Brasileirão), o Athletico (do Paraná) logrou vencer a Copa Sul-Americana – equivalente à Liga Europa. Foi a segunda, em quatro anos, o que não confere um triunfo de somenos. Garantiu, com esta vitória, a presença na Libertadores do ano vindouro. Depois do despedimento de Toni Júnior, foi o técnico Alberto Valentim, quem passou a orientar o Clube, que tem como casa o moderno Estádio da Arena da Baixada – um dos anfiteatros presentes no Mundial 2014.

Final é final e não podemos desmerecer o percurso do Athlético Paranaense nesta Copa do Brasil, que se consubstanciou numa semifinal emotiva com o Flamengo: depois de ter empatado a dois golos em Curitiba, o “Furacão” atropelou o congénere Carioca por 0-3, em pleno Maracanã (com público, diga-se, e uma expulsão para os forasteiros). Para trás, havia deixado Avaí, Goianiense e Santos.

Portanto, como se costuma dizer, não há favoritos numa final. Pelo menos era o que se pensava antes do jogo do Mineirão, onde Hulk, Keno e o chileno Eduardo Vargas (bisou) destruíram por completo a esquadra, que veio do sul do país. Hulk vive um dos maiores momentos da carreira. Artilheiro do Brasileirão e junta também o título de melhor marcador na Copa do Brasil. Em estado de graça.

Na segunda mão, o Atlético Mineiro voltou a vencer os paranaenses, agora fora de casa. O placard foi de 1-2, favorável aos alvinegros. Num jogo controlado, onde a equipa da casa viu dois golos serem (bem) anulados. Apesar de tudo, foi uma partida controlada por parte dos visitantes, fruto do conforto, que trazia da primeira contenda. Keno e Hulk, os suspeitos do costume, fizeram os golos da vitória, em duas belas jogadas de futebol. Jaderson reduziu para os visitantes, já perto do fim.

O Galo volta agora a cantar novamente a plenos pulmões. Passados, sensivelmente, 15 dias da grande conquista do Campeonato Brasileiro de Futebol, o Galão junta Campeonato e Taça, numa proeza rara; numa temporada onde faltou, apenas, a conquista da Libertadores da América, sucumbindo nas semifinais. Deste modo, o alvinegro mineiro “mata dois coelhos de uma cajadada só”: sempre acusado de ser um Clube sem bicampeonatos, pode, agora, negar veementemente essa provocação

dos adversários. Se a isto juntarmos a conquista do Campeonato Estadual de Minas Gerais, podemos dizer que o Atlético Mineiro fez o triplete; ou, como gostarão agora de provocar os atleticanos o seu eterno rival (Cruzeiro) – a “Tríplice Coroa”.

Este Galo é mesmo o dono da fazenda. Soltou bem forte o seu cacarejar de macho para avisar todos os adversários de que ele está ali para mandar. E não é muito prudente enfrentar um Galo briguento, forte e vingador.
Daniel Melo
Daniel Melohttp://www.bolanarede.pt
O Daniel Melo é por vezes leitor, por vezes crítico. Armado em intelectual cinéfilo com laivos artísticos. Jornalista quando quer. O desporto é mais uma das muitas escapatórias para o submundo. A sua lápide terá escrita a seguinte frase: "Aqui jaz um rapaz que tinha jeito para tudo, mas que nunca fez nada".                                                                                                                                                 O Daniel escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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