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Um homem do mundo, Sandro Orlandelli é agora o homem forte do Red Bull Bragantino, um dos projetos mais modernos do futebol mundial. Do Brasil ao Japão, de passar fome a beber todo o conhecimento que Wenger tinha para dar, Sandro considera-se um profissional que corre pelo desafio, e o percurso fala por ele. Abram os livros e anotem, que o Sandro vem dar uma verdadeira aula sobre sucesso ao Bola na Rede. (NOTA: Entrevista realizada a 28/07/2020)
– O novo membro da família Red Bull –
«O RB Bragantino tem independência técnica, financeira, um projeto próprio»
Bola na Rede [BnR]: O Bragantino vem num bom período, com vitórias sobre o São Paulo e o Botafogo. Quais são os objetivos do clube para esta época?
Sandro Orlandelli: Entendemos que faltam ainda muitas etapas, diante dos objetivos que temos, a nível de consistência de jogo, mas os resultados estão compatíveis ao que temos vindo a aplicar, e isso é o mais importante para nós. O conceito do jogo que temos está a ser cada vez mais estruturado, mais agressivo, técnico, mais avançado, é uma filosofia do clube que já conseguimos implementar. Não é simples fazer uma mudança cultural, então já é um resultado positivo, mas ainda falta muito para sermos uma equipa competitiva e lutarmos por títulos, que é o nosso objetivo para os próximos anos.
BnR: Intriga-me muito o projeto da Red Bull, agora com a integração do Bragantino. Como funciona?
Sandro Orlandelli: Não há vínculos, são clubes independentes uns dos outros. O RB Bragantino tem independência técnica, financeira, um projeto próprio.
BnR: Falando então do Bragantino, o primeiro jogo do Brasileirão é contra o Santos, de Jesualdo. Como tem visto o impacto dos portugueses no Brasil? Carlos Carvalhal até esteve perto do Bragantino no passado, e agora do Flamengo.
Sandro Orlandelli: O Jorge Jesus é o grande cartão de visita de Portugal, o sucesso que ele teve é inegável. Isso deixou um caminho muito aberto aos treinadores portugueses, acho até que o Flamengo deve assinar com o Carvalhal…
BnR: Desculpe interromper, mas o Carvalhal assinou hoje pelo Braga, fala-se num treinador espanhol para o Flamengo.
Sandro Orlandelli: Interessante. Mas o trabalho que o Jesus fez foi excecional, ele conseguiu, dentro de uma cultura tão imediatista como o futebol brasileiro, implementar a filosofia dele, consolidar, conquistou os jogadores, teve o carisma dos adeptos, isso abriu a porta para muitos profissionais em Portugal, virou um canal de mercado para o treinador português, sem dúvida.
BnR: Sabe o que falhou na negociação entre Carvalhal e o Bragantino no ano passado?
Sandro Orlandelli: Eu não participei em tudo, mas procurando um perfil de um treinador mais jovem, que tenha uma caraterística em relação aos processos, e por ser brasileiro, entendemos que o Filipe Conceição teria um perfil que se adaptava melhor a este conceito novo do clube. Mas o Carvalhal é um excelente treinador, a biografia dele mostra isso logo, mas a nossa ideia foi um treinador jovem, como é a marca e o clube também, e decidimos começar com um treinador desde o início dos processos.
BnR: O clube é jovem, mas acha que o clube pode chegar longe nas provas a que se vai submeter, principalmente no Brasileirão?
Sandro Orlandelli: Temos consciência que o trabalho vai ser árduo, porque o nível da série A é muito diferente do da série B. Nós consideramos que somos um bebé neste processo, então vamos aprender a competir, esse é o nosso primeiro objetivo. Conseguir estar numa situação confortável, sem risco de despromoção, é a primeira meta. É essa a nossa ideia para o próximo ano, traçarmos uma ideia mais ambiciosa, para daqui a três/quatro anos podermos disputar títulos. Nós somos um clube que tem um ADN muito técnico. Tudo é baseado na ciência, na questão técnica, a avaliação toda é técnica, não existe uma política estatutária dentro do clube, e isso facilita muito. Todos os profissionais são competentes, todas as partes são ouvidas, tudo é muito considerado, é um clube que trabalha em cima de processos. Nós temos vários projetos e metas de ano a ano.
BnR: Na Alemanha vimos pouca aceitação dos adversários e dos adeptos em relação ao Leipzig, por assentar muito numa marca. Sentiu os adversários desconfortáveis com o aparecimento do Bragantino?
Sandro Orlandelli: Não, não. No Brasil, é diferente, muito pelo contrário. As pessoas veem como uma empresa que vem ajudar a profissionalizar o mercado. O Brasil necessita de uma profissionalização, de uma organização, é uma desvantagem que temos face a outros mercados mundiais. O que nos facilita muito é a visão corporativa que tem a Red Bull, para que possamos efetivar os processos com metas coerentes, através de estudos e de realidades de mercado. As pessoas têm encarado isto com muito profissionalismo, é uma forma de estimular os outros clubes consolidados, já com história no Brasil, a tentarem organizar-se nesse sentido. O futebol é uma conta simples, não há segredo, é receita e despesa. Dentro de um contexto empresarial, se gastar menos do que recebe, a empresa vai estar viva; se gastar mais do que recebe, a empresa estará doente. É essa a conta que fazemos. Não gastamos, investimos. E dentro de um orçamento, nós respeitamos a nossa posição financeira diante da nossa despesa. Procuramos usar a ciência e capacitação técnica dos profissionais, trabalhamos no desenvolvimento individual dos talentos, e a ajudar a capacitar cada vez mais o talento. Quanto mais jovem, criam-se metas e projetos para que o talento consiga atingir um nível aceitável depois de alguns anos, para que consiga desempenhar competitivamente como um grande jogador num grande clube.
BnR: E aí o Sandro tem um grande papel, fruto do seu talento natural de descobrir talentos.
Sandro Orlandelli: Sim, nós temos um departamento de scouting já bem estruturado. Eu participo na decisão final, então participo em todos os processos do clube, mas o socuting não é o segredo, o scouting é o primeiro processo. Como trabalhamos com jogadores jovens, é saber como desenvolver o jogador. Todos esses jogadores precisam de um processo de desenvolvimento, e isso é o detalhe para que possamos atingir os objetivos a que nos proporcionamos, ainda não conquistamos nada, mas estamos confiantes pelo que estamos a implementar, é um projeto de longo prazo.
– A ciência na base do espetáculo –
«Um menino de 15 anos pode não correr bem, mas pode ter potencial para isso. Tem de se chegar ao potencial»
BnR: O Scouting está muito ligado à carreira do Sandro. Pode explicar-nos um pouco do que é o Scouting?
Sandro Orlandelli: Em primeiro lugar, o Scouting é entender o que é o Scouting. Ainda para mais, estamos a viver a quarta revolução industrial, a era digital em que a máquina vai substituir o homem, a questão visual é muito sedutora e predomina muito no aspeto quantitativo. O scouting é predominantemente qualitativo. Quando se observa um jogador, observa-se o apeto físico, técnico, tático e mental. Num exemplo físico, quando o estiver a ver nas demonstrações de velocidade que ele produz, o olhar tem de ser muito próximo a uma fotocélula, ao que a tecnologia produz, para se identificar que tipos de velocidade ele produz e qual a qualidade dessa velocidade, porque se está no jogo a ver o jogador, ele não pertence ao seu clube, não se tem o auxílio de uma fotocélula. Tanto no aspeto da maturação, nas faixas etárias cronológicas e nas ligas que se jogam com talento, é necessário entender os contextos. Se fizer scouting na formação, até 14 anos é uma forma de análise, respeitando os processos de crescimento, dos 15 aos 17 é outro, tudo inserido no crescimento e desenvolvimento. Tem de haver conhecimento de aprendizagem motora, de fases de aprendizagem, porque um menino de 15 anos pode não correr bem, mas pode ter potencial para isso. Tem de se chegar ao potencial. Se der um estímulo coordenativo nesse menino, em que aumente a amplitude da passada do movimento e torne correto o alinhamento corporal, ele já se torna um jogador rápido. Às vezes é um jogador que toma boas decisões, mas não teve estímulo de sincronismo da técnica do passe. Então, uma correção de estímulos pode ajudar a que esse menino seja um jogador com grande qualidade de passe. Quando se vai para um aspeto profissional, avalia-se mais o momento. Pode fazer uma análise a um jogador em janeiro, e em dezembro, por um motivo pessoal, má alimentação, má gestão de treino, por algum motivo ele já não é o mesmo, surge outra análise. Isto demoraria dias ou meses a explicar.

BnR: O Sandro trabalhou como Scout, como diretor de futebol, antes já tinha sido treinador. De qual papel gostou mais?
Sandro Orlandelli: Essa é uma pergunta interessante. Eu sempre estive aberto à versatilidade no futebol. O futebol apaixona-me num contexto geral. Ser treinador foi o meu início neste processo todo e acho que consegui corresponder com as entidades em que trabalhei, mas apareceram oportunidades para trabalhar no scouting e aí eu descobri outro lado do Sandro: conseguir fazer uma projeção dos potenciais, e isso ajudou-me muito. Como eu me especializei em várias áreas dentro do futebol, a área da gestão técnica, como coordenador técnico, permitiu-me ter discussões com profissionais de todas as áreas: fisiologia, área médica, de análise de desempenho, de scouting… E isso foi desenvolvendo ao longo dos anos em mim. E eu, se disser no que tenho mais prazer, é exatamente a função que desempenho hoje. Eu preparei-me muito para que tivesse esta oportunidade, eu sempre procurei atingir o máximo da minha capacidade em tudo o que investi, nos conhecimentos, e hoje eu vejo, dentro dessa oportunidade que tenho, num dos melhores momentos da minha vida, o Sandro como profissional. A resposta então seria a área da direção técnica, interagir com os treinadores, ajudar a realçar as pessoas, a melhorar o potencial das pessoas, isso interessa-me bastante.
BnR: Sempre foi virado para América do Sul em todos os clubes?
Sandro Orlandelli: No Saint-Étienne foi mais América do Sul, no Manchester United também, predominantemente Brasil, e no Arsenal também, eu era o Head Scouting na América Latina, mas no Arsenal tive a oportunidade de vivenciar muitas situações, pelo dinamismo que havia na minha posição. Então, fazia muitas viagens pela Europa para fazer análises de jogadores noutros mercados também, para entender qual o processo de adaptabilidade do jogador sul-americano à Premier League, é o grande desafio até hoje. Então isso permitiu que eu tivesse uma noção muito ampla do meio europeu de análise, mas predominantemente especializei-me na América do Sul.
BnR: Concorda que é muito mais fácil a adaptação do jogador brasileiro à Premier League hoje do que em 2002/2003, quando começou no Arsenal?
Sandro Orlandelli: Eu estive num processo muito interessante na Inglaterra, participei no processo de transição do jogo. O jogo era muito verticalizado, era um tiro direto para área, muita velocidade, muita força, muito contacto corporal, o que se tornava muito difícil para o jogador brasileiro, então eu ressalto muito o Edu, o Sylvinho, o Gilberto Silva, porque eles conseguiram destacar-se nessa liga num momento em que era muito difícil jogar futebol, eles podiam fazer esse jogo, mas o adversário não, então era muito complicado para esses jogadores terem destaque e eles tiveram destaque. O Denilson, na altura um menino do São Paulo que jogou três anos no Arsenal, ele conseguiu desenvolver muito bem o papel dele também numa fase muito difícil da transição de jogo. Hoje o futebol, com essa ideia liderada pelo Arsène Wenger, ele é que lançou a bola pelo chão no futebol inglês, vemos todos os clubes a ter esse seguimento, e assim fica muito mais fácil. O conforto com a bola, a relação com a bola, ela tem um valor muito grande na Premier League, e o talento brasileiro é muito favorecido. Hoje o jogador brasileiro consegue adaptar-se na liga mais competitiva do mundo.
BnR: Como treinador, quase que já deu a volta ao mundo todo. Como foi a experiência?
Sandro Orlandelli: O futebol é um mercado, como se fosse uma árvore muito grande, ele não deixa ser abraçado, mas oferece várias ramificações, em que uma delas é para ti. Eu fui um modesto jogador de futsal no Japão, e, sabendo das minhas limitações, fui dando treino aos miúdos e a primeira surpresa positiva que tive foi, saindo de um país que tinha a hegemonia do futsal, eu pensei que ia ensinar algo no Japão, mas aprendi muito mais do que ensinei, e isso deixou-me de olhos abertos para o mundo, e a partir daí fiquei com vontade de conhecer os mercados do futebol mundial. Como nós temos uma cultura muito mais voltada para o mercado interno, eu quis dar a volta ao processo, quis ir para fora do Brasil procurar conhecimento para aplicar no Brasil. Eu acredito muito na força mental e sempre me mentalizei em procurar as oportunidades e sempre fui pelo amor ao que faço e não pelo dinheiro. Iniciei com uma oportunidade de ser adjunto no futsal do Japão, depois fui para França, para o Saint-Étienne, depois tive uma oportunidade única no Arsenal.
– Em busca do sonho –
«Na última semana o senhor José disse que o Arsène Wenger me queria conhecer»
BnR: Como é que surgiu a oportunidade?
Sandro Orlandelli: Foi uma situação inusitada. Eu estava a trabalhar como treinador dos sub-16 do Corinthians e era responsável pelo recrutamento de jogadores das 92 escolas do clube no Brasil. Então criamos alguns congressos para trazer os donos das escolas, para entenderem os conceitos e filosofias do que estávamos a implementar. Numa dessas reuniões, conheci um dono de uma escola do norte do Brasil e, numa conversa informal, eu comentei que tinha muito interesse em fazer um estágio em Inglaterra, ele perguntou porquê e eu disse que estudei muito sistemas táticos e ele perguntou para que clube pretendia ir e eu, por acaso, falei no Arsenal, porque eu tive sempre muita afinidade pelo sistema tático, pelo scouting, pela preparação física, e o Arsenal era um clube de vanguarda. Ele disse que conhecia o Manager e perguntou “se eu conseguir falar com ele e ele te aceitar, tens interesse em ir?” e eu disse “lógico”. Passados dois dias, ele ligou-me para dizer que o pessoal do Arsenal estava à minha espera. Eu comprei logo o bilhete de avião, eu não tinha dinheiro nem nada, não tinha onde ficar. No Corinthians avisei que ia, perdi o emprego lá, fui atrás do meu sonho, pedi um dinheiro emprestado, 100 libras para ficar 17 dias em Londres, e recebi um papelzinho de um ex-dono de escolinha do Corinthians a dizer que ele tinha ido a Londres e tinha tido contacto com um jogador ex-Fluminense, que agora era pastor, e ele me podia ajudar.
BnR: Atirou-se mesmo de cabeça.
Sandro Orlandelli: Eu fiquei com o papel, eu só tinha o telemóvel e a internet mal funcionava, não era como hoje. Eu tinha uma prima a morar em Londres com 12 brasileiros e eles não me quiseram aceitar, mas eu pensei “vou e arranjo-me lá” e decidi ir. Dois dias antes da viagem, recebo uma chamada desse rapaz que tinha promovido a oportunidade no Arsenal a dizer que eles não me poderiam aceitar e eu não poderia ir. Eu disse-lhe que já tinha comprado o bilhete, que já tinha perdido o emprego, para ele, ao menos, me dar o número do Arsenal para ligar para lá. Eu nem falava inglês, mas liguei e atendeu uma secretária, que depois trabalhou comigo durante 11 anos, e eu falei, meio desajeitado, ninguém entendeu nada, e eu fui na mesma para Londres, sem certezas, com 100 libras, mas com coragem e com o coração. Chegado a Londres, não tinha onde ficar, fiquei no metro de Picadilly na primeira noite. Na altura havia lá um McDonald’s que já não existe, eu estava cheio de fome e fui ver o preço da comida, olhei para as minhas 100 libras e pensei “17 dias aqui, eu vou morrer de fome”, e não comprei nada, passei fome, e acabei por conseguir que me aceitassem na casa da minha prima, onde dormi numa cave.
BnR: [Sandro prossegue]
Sandro Orlandelli: Na altura, os telefones fixos em Londres não se pagavam, então podia ligar gratuitamente para os números de Londres. Então, liguei para o Pastor, o Paulo César, identifiquei-me, ele foi super simpático e eu disse que precisava de ir ao estádio do Arsenal porque tinha um estágio para fazer lá e ele disse que me podia ajudar. Marcamos na estação de Picadilly, eu fui com um casaco da seleção brasileira para ser mais fácil de me identificar. Fomos até ao estádio, era segunda-feira, estava tudo vazio. Batemos à porta e o porteiro disse que não estava ninguém e que não poderia fazer nada por nós. Então, eu pedi ao Paulo: “Paulo, pode fazer-me um favor? Diz para ele me olhar nos olhos e eu falo em português e você traduz para ele”, e eu disse que alguém me tinha enganado, que me tinham dito que eu podia fazer um estágio no Arsenal, e eu tinha gasto tudo o que eu tinha na minha vida para ter aquela oportunidade e só queria receber o não da pessoa que ma tinha negado. Ele comoveu-se e deixou-me entrar no estádio. Enquanto ele estava a fazer umas chamadas, eu fui tirando umas fotos, a achar que seria a minha primeira e última vez lá. O porteiro deu-nos uma morada e disse que tínhamos três horas para chegar a uma cidade próxima a Londres, mas havia muito trânsito. O Paulo levou-me a três estações de comboio, não encontramos o destino e disse-me: “Sandro, infelizmente cheguei ao meu limite e não te posso ajudar mais”.
Sandro Orlandelli from Brazil:”Creativity and winning mentality are the most important attributes in a young player” pic.twitter.com/yHtBZTCpgK
— Aspire Fellows (@AspireFellows) December 16, 2015
BnR: Digno de filme.
Sandro Orlandelli: Eu abracei-o de uma forma bem carinhosa, e passa a imagem na minha cabeça de que tenho a oportunidade de conhecer o Big Ben e passear por ali naqueles dias ou então vou atrás do sonho, e fui caminhando, e já ia eu a 100 metros quando ele me chama: “Sandro, Sandro, tenho uma última chance para tentarmos. Eu tenho um colega que tem uma escola de futsal, ele adora o futebol brasileiro e tem um pub. Se ele se interessar em levar-te, e em troca deres uns treinos nas escolas e trabalhares no pub, aceitarias?” e eu disse “lógico”. Era a chance de ganhar uma “graninha” para poder comer. Então ele veio com vontade e levou-me ao centro de treinos do Arsenal, eles atenderam-me, falavam para mim e eu não entendia nada, deram-me um tradutor, um português, o senhor José, que até hoje trabalha no clube. Ele deu-me toda a atenção, eu fiz o estágio no Arsenal e à noite trabalhava no pub e dava treino à noite também. Na primeira semana fiquei com a formação, sub-17, sub-19, e na última semana o senhor José disse que o Arsène Wenger me queria conhecer. Eu fui fazer o acompanhamento da primeira equipa, e fiquei dois dias lá, ele cumprimentava-me e tal, mas no terceiro dia, fui caminhando com ele enquanto apanhava os coletes e ele perguntou-me se eu conhecia jogadores brasileiros para jogar no Arsenal. Muito inteligente o Arsène Wenger, muito inteligente. Eu disse: “bom, sim, mas acho que o senhor não conhece”. Ele olhou espantado para mim: “como assim não conheço?”, então eu dei um nome que era o Káká. Ele ainda estava em desenvolvimento no São Paulo, nem tinha ainda destaque, mas naquele ano foi convocado para a seleção. Entretanto, acabou o meu estágio, despedi-me de todos, deram-me uma carta.]
BnR: [Sandro prossegue]
Sandro Orlandelli: Eu tinha dito como jogava o Káká, que tinha hipótese de ir à seleção brasileira, disse-lhe em que posição eu achava que ele jogava, e então ele foi para a seleção no Mundial de 2002. Em setembro de 2002, recebi uma chamada do Dick Law, o chefe de operações do Arsenal, a dizer-me que estavam à procura de um scout no Brasil para começar esse processo embrionário que não existia no futebol inglês, e assim surgiu o convite para começar a trabalhar no Arsenal e na América Latina. Assim comecei a minha história dentro do clube, foram 11 anos de muitas aprendizagens, foi uma fase em que tive uma sensibilidade diferente da que há hoje. Eu ajudava a dar treino, participava na integração dos novos jogadores, tinha muita liberdade, participei em muitos processos, foi um clube em que tive carta branca e isso ajudou-me a crescer muito profissionalmente. É a força do destino, parece um conto de fadas.
– Wenger, um homem à frente do seu tempo –
«Normalmente, o melhor treinador para o jogador é o que o põe a jogar, e eu vi essa exceção com o Arsène Wenger»
BnR: Como foi trabalhar com Arsène Wenger?
Sandro Orlandelli: Ele é uma pessoa que está à frente do seu tempo. Se falamos em adaptação, ele já tinha muito conhecimento, já via se os jogadores tinham educação ou não, via o limiar entre a educação e a disciplina. Quando ele iniciou o processo de colocar a bola no chão, no processo das ligações, os jogadores que foi trazendo tinham essa caraterística, mas ele não rompeu a cultura existente de forma brusca, foi deixando e eles foram fazendo, até ao momento em que ele conseguiu ter jogadores magníficos ali na frente – Henry, Bergkamp, Patrick Vieira, Gilberto Silva , Edu – jogadores que tinham essa facilidade de trabalhar com a bola no chão. Ele tinha a visão e conseguiu que o processo se tornasse natural. O lateral direito que tinha uma caraterística verticalizada, ele trouxe jogadores que tinham o mesmo perfil físico, mas jogavam com a bola no chão, e isso no scouting fez-me evoluir muito, porque tinha a responsabilidade de entender o que ele procurava e ele deixava isso muito vincado.
BnR: No Arsenal, viveu a melhor altura do clube, quando foi campeão invicto.
Sandro Orlandelli: Outra aprendizagem, vendo sempre com alguma distância, sempre muito observador, a atmosfera criada, que é um dos pontos que tento replicar no Bragantino, uma atmosfera muito positiva. Não havia nenhum tipo de lacuna, ele conseguia controlar muito bem tudo, sempre deixou muito claro que se tem de entender o que motiva um jogador, e cada jogador tem uma motivação própria. Se entendes isso, extrais o máximo do jogador, e essa genialidade dele é para poucos. Se perguntares a qualquer jogador dessa época, mesmo os que estiveram no banco, nenhum ficou descontente com ele, todos estavam com ele, isso é impressionante. Normalmente, o melhor treinador para o jogador é o que o põe a jogar, e eu vi essa exceção com o Arsène Wenger, mesmo os que não gostavam tinham grande respeito por ele, pela serenidade e tranquilidade que demonstrava.
BnR: Trabalhou com muitas estrelas, o Sandro foi responsável pela chegada de alguma delas?
Sandro Orlandelli: Desses jogadores, eu participei em algumas análises, mas os responsáveis por essas chegadas foram o Steve Rowley , o nosso chefe de scouting, um olho fantástico, e o Francis Cagigao, que é também um dos mais importantes observadores, sempre participou muito mais ativamente porque ele tratava mais da parte da Europa. Com o Gilberto Silva sim, porque eu trabalhava com a América, mas nos outros só na integração.
BnR: Coincidiu com dois portugueses no Arsenal: Rui Fonte e Bischoff. Tinham potencial para chegar mais longe?
Sandro Orlandelli: O Rui Fonte eu lembro-me bem, participava em muitas ações com ele. É um avançado muito inteligente, com muito boa técnica e precisão para finalizar. Um dos maiores desafios do Rui foi que a liga inglesa, na altura, exigia muita velocidade ao avançado, e ele não tinha essa capacidade genética, mas fora isso tinha todos os atributos para jogar. Era um jogador muito inteligente tecnicamente.
– O regresso a casa –
«Na época, o Athletico veio de uma descida, e tínhamos ali, sem certezas, uns 74 jogadores»
BnR: Depois voltou ao Brasil, e trabalhou como diretor de futebol do Athletico Paranaense e do Santos, como viu essa mudança de funções?
Sandro Orlandelli: Foi uma experiência muito rica, traz-me muita segurança ao que faço hoje. Talvez nem existisse essa função de diretor, eu é que a estou a fazer agora, é muito mais um gestor, um administrador, do que um profissional técnico no mercado. Dentro de um cenário e de uma cultura, existe muita ansiedade na procura, já quiseram que decidisse se queria um jogador em cinco minutos. Na época, o Athletico veio de uma descida, e tínhamos ali, sem certezas, uns 74 jogadores. Impensável, eles vieram todos de clubes emprestados, então quando cheguei tínhamos essa quantidade de jogadores, o treinador era uruguaio e não tinha muita experiência no mercado, então ajudei-o a adaptar-se e ao mesmo tempo a reduzir o plantel. Eu devia ter julgado melhor a oportunidade, acabei muito mal interpretado, porque quando se quer iniciar processos, é preciso tempo, e o clube não estava preparado para isso. Hoje, é completamente diferente, o clube está mudado. Mas foi uma aprendizagem tremenda para mim, as pessoas que encontrei lá, o presidente é muito inteligente. No Santos foi diferente, eu procurei não nomear um cargo para mim, e fazer o meu trabalho por fora, e consegui organizar um departamento de scouting lá e desenvolvemos talentos também. O clube não estava bem financeiramente, como não esta até hoje, então tínhamos oportunidade de desenvolver os jogadores que vinham das categorias de base, e conseguimos, tivemos resultados com o Rodrygo, que está no Real Madrid, Thiago Maia…
BnR:No Santos, viu um Gabigol com 17 anos. Cumpriu todo o potencial que mostrava na altura?
Sandro Orlandelli: O Gabriel já estava no momento de transição a ir para a equipa profissional, bem jovem, mas com duas coisas marcantes: personalidade, em termos de confiança, com 16 anos extremamente confiante, a maturidade em termos de confiança que sempre teve, e o segundo, que é fundamental para um avançado, tinha instinto de golo. O apelido Gabigol, que parecia ser um gozo, faz realmente sentido, porque às vezes entrava na segunda parte, não contribuía nada para a equipa, mas se tinha duas oportunidades de golo, a primeira podia falhar, mas a segunda convertia.
BnR: Porque acha que ele não se adaptou na Europa, nomeadamente no Benfica e em Portugal, onde vemos muitos brasileiros a singrar?
Sandro Orlandelli: É uma questão da forma como se joga, é um nível diferente. O jogo pede um número de ações maior e, em média, para fazeres um golo, precisas de 16 a 30 ataques, 7 a 10 finalizações. O último Mundial já reduziu as finalizações, está a mostrar que os jogadores estão mais eficazes. E o segundo ponto é o número as ações com bola nas principais ligas europeias, falamos de 1000 ações com bola por equipa, em que 350 são com um toque na bola, 165 com dois toques, e o resto com mais. Ou seja, 55 por cento é um, dois toques na bola, “pum-pum”, e como há esta velocidade, o jogador tem de ser ambidestro. O Gabriel, no seu processo de formação, não foi ambidestro, ele é canhoto e se a bola for para o lado direito dele, ele recebe, ajeita e executa, o ritmo é esse: “recebe…ajeita…executa”, e na Europa é “pum-pum”. Ele tem de se adaptar a esse perfil, isso não é o Gabriel, ele é um jogador sul-americano. Um jogador tem de estar aberto a perceber isso. Se não percebe, não dá. Eu também quando cheguei à Europa, demorei um pouco a entender esse processo, e eu estava fora do campo, mas depois acabei por perceber que é o que realmente faz sentido, só que precisei de tempo. Então o Gabriel vai para Portugal, para um clube que joga Champions League, é óbvio que o treinador vai exigir isso dos jogadores, e se o jogador não se adapta a esse ritmo, não vai jogar, e acho que isso esteve no cerne de ele não jogar no Benfica, mas para o Brasil ele vai super bem.

BnR: Trabalhou também com a seleção brasileira. Qual era o seu papel?
Sandro Orlandelli: Foi outro processo. Viemos do Mundial com aquela derrota de 7-1 diante da Alemanha, então houve uma vontade de renovação e mudança. Não havia departamento de scouting na seleção brasileira, e o de análise e desempenho tinha uma visão conturbada, então eles decidiram investir muito nessa área e eu fui convidado para introduzir esse processo. Eu considero a minha passagem como uma ajuda na implementação de processos, eu sabia que não era a hora ainda de singrar naquela instituição.
– O pós-Ferguson –
«O Bruno Fernandes trabalhou pelo menos uns dois anos para vislumbrar a oportunidade num clube como o Manchester United»
BnR: Volta a Inglaterra, para outro gigante, o Manchester United, e para trabalhar com José Mourinho. Como foi trabalhar com o “Special One”?
Sandro Orlandelli: Como a minha carreira é predominantemente europeia, abriu-se uma oportunidade que eu considerei muito interessante. Ainda na seleção brasileira, eu tive uma proposta para trabalhar com o City Group, do Manchester City, que era para trabalhar como diretor do futebol do clube deles no Japão, o Yokohama Marinos. Eu tenho um filho, por isso achei melhor ficar, mas depois surgiu o Manchester United, uma das melhores marcas do mundo. Eu gosto muito de desafios e esse era um desafio de implementação de um sistema de scouting com uma plataforma muito interessante, que exigia um tempo de amadurecimento do produto. Como eu já tinha tido essa experiência no Arsenal, foi muito sedutor para mim. Achei que já tinha dado a minha contribuição ao Brasil, fomos inclusive campeões olímpicos na altura, e então consegui ajudar a escrever a nova história do Manchester United, no departamento de scouting, mais uma vez a Inglaterra me ensinou muito. Os contactos não foram grandes com o Mourinho, mas, a este nível, ninguém ganha nada por acaso, então considero-o muito inteligente, principalmente na forma de liderar as pessoas. O nível de exigência dele é altíssimo, muito por causa da biografia dele. Mas é uma pessoa de fácil acesso, muito prática e um profissional que tem muita competência, foi um privilégio trabalhar com ele.

BnR: Nessa época em que o Sandro chega, chega também Pogba, naquela que foi a transferência que revolucionou o mercado de transferências e fez disparar os valores. Como viu a chegada do francês?
Sandro Orlandelli: Um jogador extremamente talentoso, um talento com controlo de bola, uma visão excecional, principalmente em bolas de 40 metros, que é uma caraterística difícil de encontrar. Um jogador consolidado no futebol mundial, tem uma mente flexível, tudo é muito mais fácil para ele. Ele teve um processo de adaptação difícil, mas agora vai conseguir desenvolver o que vale em termos de talento.
BnR: Apanhou um período de transição pós-Ferguson ainda no United. Como é que isso se refletia na estrutura do clube?
Sandro Orlandelli: Estamos a falar de um dos melhores treinadores do planeta, que ficou no clube durante 26 anos, a liderar com vitórias, são vitórias ao mais alto nível. Uma coisa é trazer um jogador que tenha um perfil, que não brilhe nos olhos tecnicamente, e vem para o Ferguson, e ele extrai o máximo dele, à semelhança do Wenger, a atmosfera criada contagia os jogadores. Às vezes depende muito do ambiente à volta do jogador. Quando sai uma figura dessas, desestrutura tudo, começa-se um novo processo de criação de um novo departamento de scouting, de forma a não depender de um treinador para contratar um jogador. É um processo com muitos filtros, muitos processos até à chegada de um jogador. Desde a saída dele até à consolidação demorou algum tempo e chegaram jogadores que agradavam aos treinadores, esses treinadores foram embora e os jogadores ficaram. Agora com o Solskjaer acho que o clube se vai consolidar, é um treinador muito interessante. Qualquer jogador que venha, vai ser inflamado por esse ambiente. Sai Alex Ferguson, a casa vai abaixo, e agora sim volta a reerguer-se.
BnR: Enquanto esteve em Manchester, vários jovens apareceram na equipa principal dos Red Devils, dois dos quais portugueses: Angel Gomes e Diogo Dalot. Quanto ao Angel, terminou contrato com o clube, vê o jogador com potencial para jogar por exemplo num dos três grandes em Portugal? Quanto a Dalot, considera que foi uma aposta demasiado arriscada do United?
Sandro Orlandelli: Posso falar-te melhor do Dalot. O Dalot tem um potencial muito grande, tem muita velocidade, 5/10 metros, 20 metros em altíssimo nível, a genética dele favorece, tem uma atitude competitiva agressiva, poder de antecipação, tem boa técnica por ser um lateral, tem bom controlo de bola, o passe dele é agressivo, verticalizado e consciente, e é um jogador jovem. É um jogador que, sem sombra de dúvidas, não deixou de saber jogar futebol, se calhar o ambiente não o favorece, mas é um jogador interessantíssimo, sem dúvida. Só não sei a questão mental dele, o que faz diferença a este nível. O quanto é resiliente, o quanto tem fome de vencer. No jogo ele tem agressividade, é um jogador competitivo, agora fora do jogo não sei dizer. O Angel já não acompanhei tanto, portanto prefiro não comentar.
BnR: Na equipa principal, podemos ver dois jovens do clube em destaque: Rashford e Greenwood. Acompanhou o crescimento deles?
Sandro Orlandelli: Estamos a falar de dois jogadores com um potencial imenso. O Rashford, sou suspeito, é um jogador da era moderna. Não faz magia com a bola, mas faz tudo o que tem de fazer. Ele é rápido o suficiente em todas as caraterísticas para a posição, é um jogador extremamente inteligente para tomar decisões e faz golo, que é importante. Mentalmente, é um jogador extremamente focado, é um modelo de jogador para o cenário mundial. Para mim, ele veste a camisola em qualquer clube do mundo, é um produto final. O Greenwood tem um processo de desenvolvimento ainda maior que o Rashford para percorrer, tem que se consolidar na consistência de desempenho. Ele tem um poder de finalização muito grande, a capacidade de trabalho dele é muito boa, é ambidestro para finalizar, super jovem. Estávamos a falar de um clube que ia tão mal, para lateral esquerdo tem também o Williams, agora está a começar a desenvolver-se novamente.
BnR: Falando ainda da equipa atual do United, qual a sua opinião sobre o impacto que Bruno Fernandes teve no clube?
Sandro Orlandelli: Ele é um jogador que chegou e já fazia parte do clube, dá para imaginar que ele se preparou muito para aquela oportunidade, ele trabalhou pelo menos uns dois anos para vislumbrar a oportunidade num clube como o Manchester United, é muito claro isso, bem focado. É um jogador muito interessante e com certeza vai dar muitas alegrias ao clube.
-Resposta rápida-
«O melhor jogador que vi desenvolver, analisei e não tivemos a possibilidade de contratar, foi o Kaká, e depois o Sergio Aguero»
BnR: Passou por Arsenal e United, dois clubes marcados por dois grandes treinadores. Qual o melhor para si: Ferguson ou Wenger?
Sandro Orlandelli: É muito difícil dizer qual o melhor, são perfis muito diferentes. O Arsenal é vanguarda e o Manchester United é tradição. As duas são extremamente interessantes, trata-se de duas marcas gigantescas, é um privilégio trabalhar na Premier League, quanto mais nesses clubes. Seria injusto e desonesto dizer que clube é melhor, os dois são excelentes clubes, é muito difícil ter uma posição sobre o que é melhor ou pior, depende do momento em que se está no clube. O clube é feito pelas pessoas que trabalham lá, mas posso dizer que nos dois momentos fui muito feliz.
BnR: Melhor jogador que viu?
Sandro Orlandelli: Ele vem de uma era, de uma geração, que não conquistou troféus que proporcionaram destaques. Para mim foi o Zico, não tinha aquele toque mágico, mas era um jogador que conseguia ter a oportunidade de finalizar em qualquer situação. Eu não comparo o Zico com o Pelé, são diferentes perfis, mas o Zico fazia golos de cabeça, pés esquerdo e direito, dentro e fora da área. Ele fazia os passes que o Pogba faz agora. Se encontrasse uma equipa fechada, ele abria caminho para encontrar companheiros, e foi sempre consistente. Com respeito ao Maradona, ele oscilou muito com os fatores externos que aconteceram com ele. O Zico foi então o jogador mais magnífico que já vi.
BnR: Jogador que descobriu e que deu mais nas vistas?
Sandro Orlandelli: Depende em que sentido. Se foi o que vi desenvolver, analisei e não tivemos a possibilidade de contratar, foi o Kaká, e depois o Sergio Agüero. Foram jogadores que lutamos muito para contratar e não conseguimos.
BnR: E o que contratou?
Sandro Orlandelli: O Denilson chegou a destacar-se. O Carlos Vela é genial, mas a adaptação ao ambiente faltou, ao frio de Londres, também não fez questão de se adaptar.
BnR: Maior promessa brasileira? E sul-americana?
Sandro Orlandelli: Essa pergunta compromete-me, não posso responder, mas dentro do Red Bull Bragantino temos algumas promessas que podem ser destaques a nível mundial, pelo menos uns cinco, mas não te posso dizer o nome.
BnR: O que acha dos jovens brasileiros que têm saído sem sequer jogar nas equipas seniores?
Sandro Orlandelli: Vendo num contexto de potencial, de talento, nós temos uma matéria-prima muito rica no que é o jogador com boa relação com bola. No final de contas, o que faz diferença no clube é a qualidade técnica do jogador, podes ter a melhor estrutura e os jogadores mais comprometidos, mas se não houver qualidade técnica e tática, não tens sucesso. A Europa sabe que é no Brasil que estão esses jogadores e, mesmo pela desvalorização da moeda brasileira, acaba por ser uma transferência barata para os clubes europeus, mas têm de saber que é preciso adaptar o jogador. O Vinícius e o Rodrygo, no Real Madrid, vão dar certo.
BnR: Acompanha o campeonato português? Qual o melhor brasileiro a atuar em Portugal?
Sandro Orlandelli: Eu não acompanho o futebol português, mas é uma meta para mim. Vejamos os jogadores portugueses de que já falamos. Ainda para mais, depois do título europeu em 2016, Portugal é uma realidade, vem logo depois das cinco ligas principais da Europa.
Artigo revisto por Joana Mendes












