O mercado do Barcelona: tentar uma aproximação ao Real Madrid, com muita atenção aos gastos

    O mercado de transferências de verão está oficialmente aberto e a presença de rumores nos jornais e sites é diário, algo que estamos cada vez mais acostumados, já que é o tipo de informação que puxa o leitor, que sonha que o atleta X ou Y chega ao seu clube. O Barcelona é um dos emblemas que vê o seu nome a ser associado a uma série de jogadores. É normal, é uma equipa que necessita de mudar algumas peças, mesmo com a crise financeira que o assola.

    Os catalães mudaram de treinador, deixando sair o ídolo Xavi Hernández, já com uma imagem desgastada e permitindo a entrada de Hansi Flick, que procura retornar à elite dos timoneiros, depois de uma passagem fracassada pela seleção da Alemanha.  Ponto prévio: o Barcelona não pode entrar em loucuras. Longe vão os tempos de Neymar ou de Coutinho, contratados a peso de ouro, com o segundo a ser um autêntico flop. No entanto, é necessário fazer alguma coisa.

    O título de 2022/23 já lá vai e os blaugrana viram o Real Madrid a brilhar na última edição da La Liga e a conquistar a Champions League. Como acrescento, a contratação de Kylian Mbappé. Conclusão? Os merengues são bem capazes de conseguir ter os três principais candidatos à Bola de Ouro nas suas fileiras em 2024/25: Kylian Mbappé, Jude Bellingham e Vinícius Júnior. Isto dá ainda mais pressão ao Barcelona, que está vários passos atrás do rival e parece estar impossibilitado de realizar um ‘ano zero’, algo que poderia ser concedido ao FC Porto esta época, por exemplo.

    O Barcelona parece estar ‘estancado’ na segunda posição. É inferior ao Real Madrid, mas é superior ao Atlético de Madrid (retiremos o Girona desta equação). Esta situação nunca é favorável. Pode-se evoluir, mas também se pode assistir ao efeito contrário. Este mercado é extremamente importante para que os culés consigam aproximar-se do seu grande rival e poder sonhar com uma boa prestação na Champions League.

    Raphinha Barcelona
    Fonte: FC Barcelona

    Façamos uma pequena análise ao plantel do Barcelona, à data.

    Guarda-redes: Marc-André Ter Stegen, Iñaki Peña e Ander Astralaga

    Defesas: Héctor Fort, Julián Araújo, Ronald Araújo, Pau Cubarsí, Andreas Christensen, Íñigo Martínez, Jules Koundé, Mika Faye, Lenglet, Eric García, Alejandro Balde e Álex Valle

    Médios: Oriol Romeu, Frenkie de Jong, Marc Casadó, Gavi, Pedri, Gundogan, Fermín López e Pablo Torre

    Avançados: Ferran Torres, Lamine Yamal, Ansu Fati, Raphinha, Vitor Roque e Robert Lewandowski

    É curto, para a exigência que se pede. Há um claro excesso de defesas, onde aparenta a falta de um lateral direito, já que na esquerda Álex Valle vai ficar como suplente de Alejandro Balde. No centro do terreno, Oriol Romeu ‘estraga a pintura’. Na frente de ataque, tudo depende de saídas.

    Nomes como Julián Araújo, Lenglet, Oriol Romeu ou Pablo Torre não têm espaço no Camp Nou, principalmente os três primeiros. O médio ofensivo cresceu no empréstimo ao Girona e poderá merecer uma oportunidade na pré-temporada, mas tendo em vista uma nova cedência. Entre Mika Faye e Eric García deveria ficar-se apenas com um, já que a função seria de último central da hierarquia. O senegalês tem sido associado ao FC Porto, que não terá o capital necessário para o levar para o Dragão, já que é um elemento que mostrou ter muito potencial, ao serviço do Barcelona B.

    Ansu Fati é um craque, mas vive assolado de lesões e Hansi Flick necessitará de elementos a 100%. Um empréstimo dentro da La Liga poderia ser a opção ideal, mas com a consciência de que caberá aos catalães o pagamento da maioria do salário da jovem promessa. Vitor Roque tem sido uma incógnita. Veio com seis meses de antecedência e não mostrou capacidade de ser um sucessor de Robert Lewandowski, pelo menos para já.

    A grande solução do Barcelona é fazer dinheiro com excedentários, de modo a que consiga trazer elementos novos. Nomes como Íñigo Martínez, Raphinha ou Ronald Araújo, que estão bem dentro das contas, têm sido apontados à saída, de modo a conseguir-se trazer uma estrela para o grupo. Mas, quem seria essa estrela? Muito se fala em Nico Williams e em Joshua Kimmich, que dariam um acrescento de qualidade à equipa, porém, o dinheiro pode não ser suficiente para os contratar. Se o capital da venda de Raphinha (que faz os dois carris) chegaria para cobrir a cláusula de rescisão do extremo do Athletic Club, no caso do jogador do Bayern Munique não seria bem assim, mesmo estando no último ano de contrato. Contudo, seria um obvio upgrade a Oriol Romeu (além de jogar a lateral direito), mas tampouco parece ser uma missão muito complicada. O médio defensivo é um elemento de qualidade para a La Liga, como o mostrou em Girona, mas no seu regresso ao Barcelona foi um desastre absoluto.

    Neste momento, a posição de extremo e de lateral direito será prioritária. A primeira, porque Nico Williams é um sonho e o Barcelona quer ver a dupla de extremos da seleção espanhola a atuar juntos durante todo o ano, mesmo que não se faça uma grande venda. A segunda, porque há Fort e pouco mais. Jules Koundé desempenha o papel, mas vive de fases, o que fez com que nunca fosse um dos amados pelas bancadas do Camp Nou (ou do Lluís Companys).

    Koundé Gundogan Gavi Barcelona
    Fonte: FC Barcelona

    É neste ponto que temos de tocar nos portugueses, os ‘Joaos’, como eram designados. João Cancelo poderia ser um bom nome para o lugar, mas foi um dos piores reforços da La Liga em 2024/25. A culpa quiçá não foi somente dele, já que as expectativas colocadas foram demasiado elevadas. Um negócio por empréstimo não seria mal pensado, já que Héctor Fort tem todas as condições de ‘explodir’ em 2024/25 e tornar-se dono do lugar sem grandes dificuldades. Obrigatório é um nome experiente que o acompanhe.

    Depois, há o ‘caso’ João Félix. O Barcelona quer mantê-lo, mas não se percebe o porquê a 100%. Faz sentido, caso Ansu Fati saia e abra uma vaga na frente de ataque. Fora isso, não valerá a pena. Trata-se de um jogador que aparenta estar estagnado e que apenas consegue brilhar muito ‘de vez em quando’, exibindo num lance tudo o que prometera com a camisola do Benfica, mas que depois não consegue fazer mais. Em 2023/24 realizou 44 jogos, com 10 golos marcados e seis assistências dadas. Raphinha fez melhor, Nico Williams fez melhor, Lamine Yamal esteve perto, mas atua na banda direita. Ferran Torres não foi tão bom. Porém, descontando o atleta do País Basco, todos estes pertencem ao Barcelona, não tendo que se gastar um cêntimo na sua contratação. Neste momento, João Félix não é melhor que nenhum deles, apesar das suas caraterísticas e boa capacidade de jogar entre linhas VER. Está ao nível de Ansu Fati, que é fustigado por lesões, pese ser um atleta distinto. Caso contrário, seria titularíssimo na tripla com Yamal e Lewandowski. Em suma, João Félix por agora não faz sentido. Daqui a um mês, vamos ver.

    João Félix e Xavi no Barcelona vs FC Porto
    Fonte: Filipe Oliveira/Bola na Rede

    Como conclusão geral, a crise financeira que o Barcelona atravessa faz com que se tenha que olhar cirurgicamente para o mercado e não comprar ‘só porque sim’. É notório que o grande desejo é Nico Williams e que o mesmo deverá ser satisfeito e que os focos seguintes serão na posição de lateral direito e num médio com capacidade defensiva, ‘fechando os olhos’ a um possível caso Vítor Roque, o que levaria a um investimento num avançado.

    O Barcelona na temporada passada teve a coragem de outros tempos, lançando três jovens ‘desconhecidos’ sem qualquer receio: Héctor Fort, Pau Cubarsí e Fermín López. Este último andava pelo Linares em 2022/23, na Primera RFEF, onde se via que era de outro quilate. Hoje encontra-se no Euro 2024. Provavelmente Hansi Flick terá que ter coragem e olhar para a equipa B, onde há muito talento, desde Noah Darvich a Marc Bernal. Perdeu-se Marc Guiu por seis milhões de euros para o Chelsea, quando poderia estar aí o terceiro ponta de lança do plantel, com plenas capacidades de treinar com Hansi Flick e jogar por Rafa Márquez.

    Agosto de 2024 está mesmo aí à porta e podemos afirmar sem receio que o Real Madrid está mais forte que o Barcelona e esta situação dificilmente vai mudar. Os próprios aficionados do emblema da Cidade Condal não terão medo de o afirmar. Apenas os mais fanáticos dirão o contrário. No entanto, não se poderá baixar os braços e perder a esperança. Falamos de uma instituição que é ‘més que un club’ e terá que o comprovar. 2024/25 pode ser uma época de derrotas, mas terá que ser obrigatoriamente de crescimento.

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