Um Grande que tarda em acordar | A crise do Lyon

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Fundado oficialmente a 3 de agosto de 1950, o Olympique Lyonnais, conhecido popularmente como Lyon, viveu os melhores anos da sua história na primeira década deste século. Entre as temporadas 01/02 e 07/08, Les Gones conquistaram sete campeonatos consecutivos, seis Supertaças e uma Taça de França.

Apesar da evidente hegemonia em França, o Lyon nunca conseguiu estender os feitos até às provas internacionais. Durante esse período, o melhor que conseguiram foi chegar por três vezes aos quartos-de-final da Liga dos Campeões, sendo que numa dessas ocasiões o carrasco dos franceses foi o FC Porto, na mítica temporada de 2004/2005.

Já lá vão tempos de jogadores como Juninho Pernambucano, Michael Essien, Florent Malouda, Karim Benzema, Ben Arfa, Tiago e Éric Abidal e com eles os tempos de glória. É precisamente desde 2007/2008 que o Lyon não conquista um campeonato francês. Aliás, o último título oficial conquistado por Les Gones remonta a 2012. Na altura, o Lyon comandado por Rémi Garde bateu o Montpellier HSC nas grandes penalidades (4-2) e conquistou a Supertaça.

No final da temporada, o clube da zona leste de França terminaria na terceira posição, a 16 pontos do campeão Paris Saint-Germain FC. O enorme investimento que tem sido feito por Nasser Al-Khelaifi, desde 2011, no clube parisiense, poderá ajudar a explicar a dificuldade do Lyon em voltar ao topo do futebol francês. A diferença orçamental é absurda, sendo, portanto, normal a discrepância no palmarés de um e outro clube a partir da temporada 11/12.

No entanto, e apesar de todas as evidentes dificuldades, três clubes já conseguiram surpreender o todo-o-poderoso PSG. São os casos de Montpellier, AS Monaco e LOSC Lille. À semelhança do que acontece com Olympique de Marseille e AS Saint-Étienne (agora na segunda divisão do futebol gaulês), o Lyon continua a ser um grande adormecido.

O ‘NOVO’ LYON

A 8 de maio de 2023, o empresário John Textor pôs fim, 36 anos depois, à presidência de Jean-Michel Aulas, o grande responsável pelo crescimento exponencial do Lyon desde 1987. Depois do Botafogo FR, RWD Molenbeek e Crystal Palace FC, a influência do norte-americano chegou a França, com objetivo de voltar a reerguer e trazer glória a Les Gones.

Depois de um sétimo lugar na temporada transata, as expectativas dos adeptos lioneses para a época 23/24 eram naturalmente altas, tendo em conta o poderio financeiro do seu novo dono e o desejo por ele confessado de «reforçar o estatuto do Olympique Lyonnais no cenário do futebol mundial».

No entanto, as coisas não têm corrido nada bem. Ao cabo de sete jornadas, o Lyon ocupa a última posição na tabela classificativa, com apenas dois pontos conquistados. 13 golos sofridos, três marcados e uma distância de, pelo menos, quatro pontos da salvação são números que preocupam os adeptos.

Como diz o ditado: “o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita”. A primeira temporada do ‘novo’ Lyon pareceu condenada ao fracasso desde o seu início. Os franceses venceram apenas um jogo na pré-época – pela margem mínima contra uma equipa da terceira divisão neerlandesa (De Treffers) – e somaram quatro derrotas, perante Manchester United FC, Molenbeek, RC Celta de Vigo e Crystal Palace.

O mercado de transferência também não foi fácil. Apesar de se terem ‘livrado’ dos salários de Houssem Auoar, Moussa Dembélé e Jérôme Boateng, o clube gerido por John Textor foi visado pela Direction Nationale du Contrôle de Gestion (DNCG). A organização responsável pela monitorização e supervisão das contas dos clubes de futebol das associações profissionais em França decidiu limitar o Lyon no que toca à massa salarial dos jogadores sob contrato e as despesas de transferência para a época 2023/2024.

Embora não tenha proibido completamente as transações, acabou por limitar a margem de manobra do clube francês neste mercado. A isso, acrescenta-se também o facto de estar fora das competições europeias, ou seja, menos dinheiro e menos capacidade para atrair jogadores.

No total, o Olympique Lyonnais investiu cerca de 19 milhões de euros em compras. Sem nomes sonantes, os destaques vão para o empréstimo do português Diego Moreira, proveniente do Chelsea FC; para a compra do guineense Mama Baldé, ex-Troyes; e para a aquisição (custo zero) do ex-Arsenal Maitland-Niles.

Se as entradas não foram assim tão impactantes, o mesmo já não se pode dizer das saídas. O Lyon foi capaz de conseguir manter a sua maior promessa – Rayan Cherki -, mas não conseguiu segurar outros dois diamantes. Lukeba trocou a Ligue 1 pela Bundesliga, transferindo-se para o RB Leipzig a troco de 30 milhões de euros. Já Bradley Barcola ‘fugiu’ para o rival de Paris, o PSG. O desconcertante extremo francês rendeu 45 milhões de euros aos cofres do Lyon. No total, Les Gones encaixaram mais de 107 milhões de euros.

Para o comando técnico da equipa, a escolha voltou a recair sobre Laurent Blanc. Depois de uma experiência no Al-Rayyan SC, do Catar, o técnico francês voltou ao seu país para orientar o Lyon, ainda em 2022. Antes, já havia orientado o PSG, onde venceu três campeonatos, três Supertaças, duas Taças de França e três Taças da Liga; e o FCG Bordeaux, clube no qual conquistou uma Ligue 1, duas Supertaças e uma Taça de Liga, entre 2007 e 2009.

Apesar de uma temporada anterior muito fraca, o palmarés de Blanc no contexto do futebol francês era (e é!) bastante invejável, merecendo, portanto, uma nova oportunidade para a presente época. No entanto, o voto de confiança dado pela nova direção do Lyon durou apenas quatro jogos. Os resultados negativos, as exibições confrangedoras e um plantel bastante debilitado enfureceram, desde bem cedo, os adeptos. A saída de Laurent Blanc tornou-se “inevitável” e para o seu lugar chegou o italiano Fabio Grosso.

Para já, com dois jogos no comando da equipa, já deu para ver que o técnico de 45 anos, que na temporada passada venceu a Serie B de Itália com o Frosinone Calcio, não terá vida fácil em França. Pelo andar da carruagem, ainda teremos outra ‘cabeça a rolar’ num Olympique Lyonnais que vive em estado de emergência.

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