O renascer do Marselha

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Numa das movimentações de mercado menos expectáveis, e após um extenso rumor que o viu ser associado ao cargo de treinador do Liverpool, Roberto De Zerbi deixou o Brighton, um dos projetos mais cativantes e entusiastas de toda a Europa, e ingressou no Olympique de Marselha, que vinha de um oitavo lugar na passada edição da Ligue 1. 

E se por um lado as meias-finais da Liga Europa se destacam como o ponto alto da temporada passada, os quatro treinadores (Marcelino Toral, Jean-Louis Gasset, Pancho Abardonado e Gennaro Gattuso) que passaram pelo banco dos franceses são o espelho da intranquilidade que reinou no clube. No momento da chegada, De Zerbi demonstrou-se entusiasmado com o projeto que lhe foi apresentado por Frank McCourt (dono do clube) e Pablo Longoria (presidente do clube). 

Era de esperar que De Zerbi construísse um plantel idealizado pela sua equipa técnica, aproveitando as garantias financeiras dadas pelo dono do clube, que conta com um património avaliado em mais de um bilião de euros. Não é com surpresa que vemos o clube francês a investir mais de 80 milhões de euros em reforços, ao mesmo tempo que viram sair grande parte da equipa da época transata. 

Jogadores como Pau López (Girona), Ismaila Sarr (Crystal Palace), Jonathan Clauss (Nice), Aubameyang (Al-Qadisiyah) e Ilman Ndiaye (Everton) deixaram o clube, tendo todos realizados mais de 35 jogos na época transata. Juntando ainda jogadores como Mattéo Guendouzi (Lazio) e Vitinha (Génova), que se encontravam emprestados, o clube faturou cerca de 77 milhões de euros em vendas. 

Para substituir os jogadores de saída, De Zerbi fez entrar jogadores como Mason Greenwood (Manchester United), Pol Lirola (Frosinone), Elye Wahi (Lens), Valentín Carboni (Inter), Gerónimo Rulli (Ajax), Derek Cornelius (Malmö), Ismaël Koné (Watford) e Pierre Hojbjerg (Tottenham), chegando aos 88 milhões de euros em compras. 

Depois de um tão agitado mercado, os sempre exigentes (e calorosos) adeptos do Marselha exigiam uma resposta positiva já na primeira jornada da Ligue 1. Roberto De Zerbi percebeu a mensagem e na sua estreia no campeonato francês, viu a sua equipa golear o Brest por cinco bolas a uma, num jogo fora de portas no Stade Francis-Le Blé. Ao intervalo já vencia por 1-3, com golos de Mason Greenwood, que já havia bisado na sua estreia oficial, e de Luis Henrique, que viria também ele a bisar no encontro. Ainda houve tempo para Elye Wahi fazer o gosto ao pé, naquela que era também a primeira partida oficial pelo conjunto azul e branco.

As expectativas ficaram elevadas, é um facto. De Zerbi chega com um futebol que não é facilmente visto na liga francesa, que se posiciona um pouco abaixo da liga inglesa, e isso poderá vir a ser fundamental para o técnico italiano. O seu modelo de atrair pressão, queimar linhas adversárias facilmente e explorar de forma agressiva os corredores pode levar a uma campanha histórica do Marselha, como já não acontece desde 2010, na altura com Didier Deschamps no comando. 

Acima de qualquer expectativa de título, que se adivinha difícil, dado que a equipa do Paris SG possuí, deverá existir confiança no projeto. Os resultados a curto prazo deverão aparecer, é um facto, ainda para mais não competindo nas competições europeias, no entanto, o foco da direção do Marselha deverá sempre passar por um papel de total confiança e apoio a De Zerbi, o que claramente não tem sido o caso nos últimos anos. O Marselha tem sido um cemitério de treinadores, com nove técnicos a assumirem o leme da equipa desde a temporada 2020/21. De Zerbi tem tudo para ser um caso sério, basta deixarem. 

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