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O possível 11 do Arsenal FC para a época 2020/21

Miguel Simões · 7 min

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O Arsenal FC vive tempos algo paradoxais. Dentro do “aparente” positivo, fez sobressair coisas negativas. Dentro do “suposto” negativo, alcançou coisas positivas. Confuso? Desmontemos isso então! Nos primeiros 20 anos da era Arsene Wenger, o clube londrino ficou sempre entre os primeiros quatro classificados da Liga Inglesa, algo que, por si só, merece destaque. Contudo, num tão longo espaço de tempo, apenas conquistou três campeonatos (o último já há 16 anos!) e chegou a estar quase dez anos sem ganhar um único troféu.

Olhando para as últimas quatro épocas, o Arsenal “dançou” entre o quinto e o oitavo lugar, o que conduziu à saída de Wenger em 2017/18 e ao despedimento do sucessor Unai Emery em novembro de 2019. No entanto, os gunners contam agora com um treinador que ainda nem 30 vezes orientou a equipa e já leva dois títulos conquistados – a formação de Mikel Arteta venceu a Taça de Inglaterra (frente ao Chelsea FC) e a Supertaça Inglesa (diante do Liverpool FC), precisamente nos últimos dois jogos oficiais. É, portanto, uma fase positiva dentro de uns últimos tempos mais complicados.

O jovem treinador espanhol de apenas 38 anos – ex-treinador adjunto de Pep Guardiola no Manchester City FC – aproveitou a época transata (considerada uma “época perdida” bem cedo) para experimentar as mais diversas dinâmicas perante o lote de jogadores que tinha e, com isso, implementar a sua filosofia de jogo. Qualificou o Arsenal para a Liga Europa via taça e melhorou o rendimento da equipa num versátil 3-4-3.

Até ao momento, foram oficializadas contratações interessantes para o plantel londrino e que deverão fazer parte da equipa-base de Mikel Arteta para atacar algo mais na presente temporada – desde logo, uma qualificação para a Liga dos Campeões. No caso de não existirem mais impactantes movimentações neste mercado (desde entradas a saídas) e afastando ainda cenários de lesões graves, então é expectável que seja este o “onze-tipo” do Arsenal para a temporada 2020/21.

Guarda-Redes

Bernd Leno – Apesar de Emiliano Martínez ter sido titular nas duas últimas conquistas dos gunners, tudo aponta para que o argentino esteja na porta da saída e, com isso, Bernd Leno regresse à titularidade da baliza (de onde saiu após uma lesão na reta final da época passada). O internacional alemão fará, assim, a terceira época em Londres e já deixou uma clara imagem daquilo que é entre os postes: seguro, destemido, com bons reflexos e com um indiscutível bom posicionamento. Com todas estas qualidades, poderá ser uma das grandes figuras deste Arsenal?

Lateral-Esquerdo

Kieran Tierney – Face ao lote de lesionados no setor defensivo, Kieran Tierney é precisamente uma das unidades que, numa fase inicial da temporada, pode perfeitamente aparecer no eixo central da defesa do Arsenal – dado que foi adaptado por Mikel Arteta na reta final da época transata. Ainda assim, espera-se que, com o regresso dos centrais lesionados, o jovem lateral-esquerdo retome à sua posição de origem. O escocês tem bom cruzamento, sabe colocar a bola em profundidade para os avançados e destaca-se ainda nos duelos individuais.

Defesa central

Gabriel Magalhães – Reforço de peso para uma das posições com mais lacunas no plantel londrino, não por falta de boas opções, mas sim devido a diversas lesões. Contratado ao LOSC Lille por uma verba a rondar os 26 milhões de euros, o jovem defesa central deu nas vistas no campeonato francês graças a atributos raramente aperfeiçoados em jogadores tão novos: sentido posicional, leitura do jogo do adversário, perspicácia no corte e até a forma de colocar a bola jogável lá na frente. Dificilmente não será uma opção regular para Mikel Arteta.

Defesa central

David Luiz – Um central que prima, essencialmente, pela experiência. Com 33 anos, o defesa central vai avançar para a segunda época com o emblema do Emirates ao peito, sendo que a primeira até foi uma das mais regulares da carreira. O defesa destaca-se pelo timing de interceção (apesar de algumas faltas menos agradáveis, por vezes), pelo jogo aéreo e ainda por tirar o pão da boca aos adversários. Neste momento, David Luiz encontra-se com uma lesão no pescoço, mas tudo aponta para que possa regressar às opções muito em breve.

Defesa central

Pablo Marí – E eis que nos deparamos com outro potencial titular no eixo central…lesionado. A dúvida para esta última vaga ficou entre o reforço espanhol e o alemão Shkodran Mustafi – imagine-se…também ele lesionado. Contudo, o defesa contratado ao Flamengo no mercado de inverno pode acrescentar mais aos processos defensivos da equipa. A começar pelo facto de ser mais alto e, por isso, ser uma boa opção para o jogo aéreo e para as bolas paradas (a defender e a atacar) e, a juntar a isso, revela sempre cautela e simplicidade a tirar o perigo da área.

Lateral-direito

Héctor Bellerín – O defesa de 25 anos já viveu uma série de épocas bem mais regulares no Arsenal do que as últimas duas, em que, somadas as épocas, participou apenas em 42 jogos – um número que nem assim supera cada uma das três épocas que está para trás. No entanto, é expectável o lateral espanhol oriundo da formação acabe por ganhar a corrida a Cédric Soares no corredor direito, dado que foi ele o titular nos últimos dois jogos a dar dois títulos aos gunners. Sprint, capacidade crucial de interceção e bons cruzamentos serão suficientes?

Médio-centro

Granit Xhaka – Com presença regular no “onze” titular do Arsenal ao longo das últimas quatro temporadas, o médio com características mais defensivas deverá ter o mesmo estatuto esta época. Face aos sistemas táticos habitualmente usados por Arsene Wenger e Unai Emery, o internacional suíço era sempre o elemento mais recuado do meio-campo londrino. Algo que mudou ligeiramente com o 3-4-3 impulsionado por Mikel Arteta, fazendo com que Xhaka – com uma apreciável visão de jogo – consiga abrir ainda mais espaço ao trio defensivo.

Médio-centro

Dani Ceballos – O companheiro de meio-campo que poderá combinar perfeitamente com Xhaka é…Ceballos. Emprestado pelo Real Madrid CF, o jovem de 24 anos chegou ao Emirates na época passada e, apesar de nem sempre ter sido titular, revelou ser uma das unidades mais móveis da formação londrina – com o estatuto de suplente sabia sempre como mexer com o jogo. Com uma boa capacidade de sair a jogar, remates potentes de fora da área e cruzamentos teleguiados, o internacional espanhol somará certamente ainda mais titularidades.

Extremo-esquerdo

Pierre Aubameyang – Autor de uma boa parte dos golos do Arsenal nas últimas épocas, Aubameyang prepara-se para somar a quarta temporada consecutiva no futebol inglês. É expectável que, à semelhança de muitos outros jogos, o ponta de lança de 31 anos atue na ala esquerda, dado o leque de opções para a frente de ataque. Ainda assim, poderão existir momentos do jogo em que o avançado faça valer mais o seu jogo interior e a presença na área, juntando à já habitual frieza na hora de rematar à baliza e à bela capacidade de desmarcação.

Extremo-direito

Willian – O avançado brasileiro já se encontra em Londres desde 2013, mas só agora está prestes a brilhar pelo Arsenal. Reforço de peso vindo do rival Chelsea FC, Willian poderá ser a opção mais viável para a ala direita do ataque londrino. Ritmo no principal escalão do futebol inglês não lhe falta e, a juntar a isso, o internacional de 32 anos pode acrescentar (e muito!) à equipa de Arteta, principalmente pela qualidade técnica que demonstra em campo: desde os remates eficazes de fora da área aos cruzamentos certeiros para a área e ao seu jogo pelas laterais.

Ponta de lança

Alexandre Lacazette – Apesar de já representar os gunners desde 2017 (quando até foi uma das contratações mais caras do defeso), parece ainda não ter convencido todos os adeptos. O avançado francês é lutador, tem remate colocado, sabe o que faz com a bola no pé, mas não se pode dizer que seja um homem-golo – e os números sustentam isso mesmo, nunca fez mais do que vinte golos numa época em Inglaterra. E na verdade, todo e qualquer ponta de lança vive de golos, algo que poderá melhorar com a companhia que provavelmente terá nos corredores.

 

Miguel Simões

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