Steven Gerrard | O regresso de uma lenda a Liverpool

- Advertisement -

Poucas horas antes do confronto entre o Liverpool FC e o Aston Villa FC, que fez regressar Steven Gerrard a Anfield, “caiu-me a ficha”.

Sinceramente, não me lembro de sentir tanta dificuldade em começar um texto. Por outro lado, mais animador, tenho plena confiança de que compreendem perfeitamente o porquê de desejar tanto que isto corra bem.

Para vocês, para possivelmente todos os adeptos do mundo, ou até para alguns “pobres diabos” que garantem não gostar de futebol, é desnecessário referir os 17 anos consecutivos no clube, os 12 como capitão, as 710 partidas, os 186 golos, e a quantidade notável de títulos que conquistou ao serviço do único emblema que carrega consigo ao peito, desde que nasceu.

“Serei um fã do Liverpool FC até morrer. Vivi os meus sonhos”, foram das suas últimas palavras, na partida em que sorriu um “até já” a Anfield Road, há quase sete anos atrás.

Nessa mesma arena, contra a equipa que tem agora a seu cargo, Gerrard jogou por 14 vezes e ganhou apenas quatro delas, marcando, no total, oito golos.

Mas aquilo de que vim falar não precisa de mais números, muito menos daqueles que vocês conhecem de trás para a frente. Passemos ao que interessa.

 

Génio. Gladiador. Herói. Lenda. Força da natureza. Um Deus entre os homens.

Poderia ficar aqui a vida inteira a tentar encontrar palavras que lhe façam justiça.

Difícil. Muito difícil.

O que talvez consiga fazer, aqui, é descrever uma pessoa que supostamente não conheço, com a convicção de que acabarão a concordar com todas as palavras que usei.

Quando o eterno “8” se estreou pelos Reds, em 1998, ali mesmo em Anfield Road, contra os Blackburn Rovers FC, o destino já sabia que só havia uma opção possível para aquele rapaz.

O jovem Gerrard claro que ainda não suspeitava de nada, mas já tinha muita esperança de tudo. Entretanto, algum tempo depois, percebeu que era mesmo aquele o destino dele e que a única opção que tinha implicava agarrar-se a ele com todas as suas forças, principalmente quando as dúvidas, chatas, surgissem.

Parece fácil, mas não é.

Não idolatramos Steven Gerrard por amar verdadeiramente um só clube, ter sido jogador e personalidade desportiva do ano, ou por ter marcado tantos golos.

Idolatramo-lo pela maneira como personificou na perfeição a frase, “vestir a camisola”, e por sabermos que não conseguia dormir antes dos grandes jogos, graças à ansiedade que teimava em ficar colada à almofada.

Idolatramo-lo por ser o passe a primeira coisa que lhe vinha à cabeça quando a bola lhe chegava aos pés. Por querer ser o melhor para dar, também, aos outros.

Idolatramo-lo pela forma como colocava o corpo para aumentar a força e a precisão em tudo o que fazia. E bolas, por não entendermos como raio é que o homem ainda tem tornozelo esquerdo depois de tantos daqueles!

 

Idolatramos Steven Gerrard por se elevar ainda mais a si próprio e carregar uma equipa inteira às costas nos momentos-chave. Por milagres contra o Olympiacos FC ou o AC Milan, por exemplo.

Por não desistir de nenhuma bola e não se render a nada, por muito que a dúvida lhe batesse, com força, à porta.

Por não ter medo de falhar, pois sabia que se falhasse não era por não ter feito tudo o que podia. E porque se falhasse, voltava a tentar as vezes que fossem necessárias para acertar.

No fundo, não é o sucesso que idolatramos. Ser-se bem-sucedido é uma consequência natural, para as almas serenas que não lhe viram as costas quando descobrem que ele, o verdadeiro sucesso, não é uma corrida de 100 metros. É uma maratona e é para a vida toda.

O que idolatramos é a postura, a paixão, a garra. É o virar de costas ao medo que insiste em correr atrás de nós. É o nunca parar de andar e garantir que damos sempre o melhor, a cada metro do caminho.

No fundo, é fácil perceber o porquê de nos identificarmos com alguém que nem sequer conhecemos, ou acabámos de conhecer. Para mim, tem tudo a ver com a palavra “energia”. É que, efetivamente, há pessoas que têm uma energia tão forte, que a malandra lá acaba por se soltar e andar a passear por aí, pronta para que todos a abracem, se quiserem.

E afinal, depois de tudo isto, talvez tenha encontrado a palavra certa para descrever Gerrard.

Steven Gerrard Liverpool FC
“Cut my veins open and I bleed Liverpool red.” (Fonte: Liverpool FC)

“Emoção”.

As emoções são o que nos diferencia dos restantes seres. Na verdade, são elas que nos movem e são elas que nos controlam, sem sequer darmos por isso.

Quando ligamos a televisão para ver um jogo de futebol, é isso que procuramos. Não são os passes, os dribles, os remates. O que procuramos é a emoção que aqueles jogadores, naquela equipa, colocam no que fazem.

E para terminar, apenas referir que me parece óbvio o que Gerrard tem andado a fazer nas camadas jovens, na Escócia, e agora em Birmingham.

Ponha a mão no ar quem também acha que ele está “só” a preparar-se para voltar a casa e ganhar, no mínimo, o que lhe falta.

Com uma eterna vénia me despeço. Muito obrigada, Gerrard, e dorme descansado. A Liga Inglesa também será tua.

Subscreve!

Artigos Populares

Oskar Pietuszewski com porta aberta para os playoffs do Mundial 2026: «Estamos a acompanhar»

Jan Urban, selecionador polaco, admitiu que poderá convocar o jovem extremo do FC Porto, Oskar Pietuszewski. O avançado de 17 anos pode ser chamado para os playoffs de qualificação para o Mundial 2026.

Harry Maguire condenado a 15 meses de prisão com pena suspensa por tribunal grego

Harry Maguire foi condenado por um tribunal grego devido a um incidente com a polícia durante uma viagem de férias em 2020.

Ex-Benfica Gabriel Pires ruma ao Mirassol

Gabriel Pires troca de clube e ruma ao Mirasol, proveniente do Portuguesa. O médio, que já passou pelo Benfica, marcou um golo e fez uma assistência em nove jogos pela Portuguesa.

Já foi escolhido o árbitro que comandará o Benfica x FC Porto

A Liga Portugal anunciou que João Pinheiro será o árbitro principal do encontro da 25.ª jornada da Primeira Liga entre Benfica e FC Porto.

PUB

Mais Artigos Populares

Benfica: Fredrik Aursnes vai falhar o Clássico com o FC Porto

Fredrik Aursnes saiu do Gil Vicente x Benfica com dores musculares e não estará disponível para a receção ao FC Porto na Primeira Liga.

Marcel Desailly fala da polémica em torno de Vinícius Júnior e atira: «Contente por ver que Mourinho mudou um pouco a sua abordagem»

Marcel Desailly, antigo internacional francês e atualmente membro da Laureus World Sports Academy, comentou o alegado episódio de racismo envolvendo Vinícius Júnior e Prestianni, trazendo a sua visão sobre o caso.

Luis Suárez e o precedente de Enzo Pérez: Eis os detalhes sobre a possível suspensão do colombiano

Luis Suárez foi acusado de fazer um gesto durante o Clássico que já custou um jogo de suspensão a Enzo Pérez em 2013.