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O Bayern de Munique e o Inter de Milão enfrentaram-se hoje, na China, num estádio de 80 mil cadeiras e onde poucas estavam vazias. Os alemães venceram por 1-0 mas o resultado é mentiroso. Podia muito bem ter sido por mais de 1. Perante o entusiasmo (e o dinheiro) asiático, ambas as equipas se apresentaram com onzes não muitos distantes daqueles que poderão vir a ser os principais. Do lado alemão, Douglas Costa era o único reforço a aparecer de início; já no Inter, Mancini colocou Murillo, Montoya e Kondogbia no onze.

Como era de esperar, até pelo tempo superior que Guardiola tem ao serviço do seu clube quando comparado com Mancini – que voltou ao clube de Milão apenas nesta temporada -, o Bayern mostrou-se autoritário no que ao controlo da posse diz respeito. Ainda assim, foi o Inter o primeiro a criar perigo: Hernanes aproveitou a má recepção de Xabi Alonso que, ainda no seu meio-campo, perdeu a bola e possibilitou ao médio brasileiro a possibilidade de rematar. Foi, aliás, o mais perigoso momento do conjunto italiano. A partir daí, a equipa de Munique assumiu o jogo e mostrou uma organização, em 3x5x2, já bem assente fruto dos dois anos de trabalho com o técnico catalão. Boateng, pela direita, Benatia, no meio e Alaba, pela esquerda, constituíam a linha recuada de três – nota para a preferência de Guardiola por três jogadores muito fortes e rápidos, de forma a que consigam controlar a profundidade dada -, Xabi Alonso, Thiago e Lahm eram os três médios interiores, com as faixas entregues a Bernat (esquerda) e Douglas Costa (direita). Na frente, Muller e Lewandowski, que desperdiçaram várias oportunidades para inaugurar o marcador.

Por sua vez, o Inter mostrou-se demasiado inconclusivo. Com dificuldades em sair desde trás, usou e abusou da bola longa mas muito raramente conseguiu solicitar com qualidade Palácio e Icardi, os dois da frente. Em 4x4x2, resta a dúvida sobre se este será o modelo que Mancini pretende implementar ou se foi o Bayern que forçou os italianos a optar pelo jogo directo e menos fluído. Kovacic, a principal estrela da equipa, passou completamente ao lado do encontro tal era a pouca influência que o meio-campo exercia e a pouca procura dos espaços entre linhas. Hernanes, ainda assim, foi o melhor do Inter. Kondogbia mostrou aqui e ali alguma qualidade, mas esteve longe de ser capaz de contrariar o domínio bávaro.

Douglas Costa, o único reforço bávaro a começar de início
Douglas Costa, o único reforço bávaro a começar de início

Em termos individuais, e perante a ausência de Robben e Ribery, Douglas Costa foi o principal motivo de destaque. A partir da direita, criou inúmeros desequilíbrios (nem sempre bem definidos no último passe, é certo) e serviu várias vezes colegas que na finalização não conseguiram concretizar. Seja como for, está claro que Guardiola tem mais um elemento capaz de desequilibrar para além de Robben e Ribery, que se têm mostrado intermitentes no que ao estado físico diz respeito. Sobre os reforços do Inter, uma palavra para o central Murillo que teve de sair no final da primeira parte por um problema físico mas que, até aí, foi autoritário e ganhou boa parte dos lances que disputou.

No segundo tempo ambas as equipas mexeram significativamente. O Bayern lançou muitos jovens, mas também Gotze. O Inter mexeu de forma menos repentina e até colocou um português: Pedro Delgado, médio, entrou aos 69′ para o lugar de Hernanes. O jogo perdeu, de parte a parte, alguma qualidade  mas o sentido não se inverteu: o Bayern continuou dono e senhor do encontro. Entre os meninos, menção para Benko, extremo de apenas 17 anos, muito audaz e com qualidade óbvia na condução. Dificilmente será relevante nesta época do Bayern, mas por certo que será um nome a não esquecer daqui em diante.

O golo que viria a determinar o vencedor do jogo acabou por chegar já aos 80′, através de Gotze – de quem se diz poder sair, perante a pouca importância na equipa -, que contornou o guardião Carrizo e finalizou com a baliza deserta. Ambas as equipas continuarão em solo chinês. Do lado de Guardiola, a preparação parece ir conforme o esperado e a bom ritmo, já com qualidade e organização latentes tanto neste encontro como na vitória por 4-1 ao Valência; já Mancini terá muito trabalho pela frente, até para definir o seu modelo de jogo. De qualquer forma, o conjunto italiano terá como meta competir em Itália e as competições europeias não serão uma prioridade para este ano.

Fontes das fotografias: Facebook oficial do Bayern de Munique

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