Cabeçalho Liga AlemãNo título está presente uma bebida energética, mas, caro leitor, não se iluda. Não há no sucesso deste líder do campeonato alemão qualquer tipo de “jogo sujo”, ou muito menos doping. Aliás, o que está dentro de parênteses acaba por ser mesmo o essencial – o resto é apenas um jogo de palavras. Porque um clube fundado em 2009 só pode bater-se com os principais gigantes do futebol alemão se tiver muita organização. Há sangue novo neste projecto, e, sobretudo, há aquilo de que realmente um clube precisa para ter sucesso desportivo: comando técnico competente e talento dentro de campo. Porque a organização é muito importante, mas isso ao mais alto nível não chega. O Leipzig consegue esse plus futebolístico.

Uma das principais mais-valias desta equipa alemã é o facto de ser uma equipa… tradicionalmente alemã. O futebol que joga não encanta ninguém; porém, é eficaz e objectivo. Os seus jogadores, não sendo os mais virtuosos do mundo, sabem perfeitamente aquilo que têm de fazer, tendo em vista sempre uma ideia de colectivo. A técnica e a arte nem sempre estão presentes, mas a equipa compensa isso com força, inteligência, matreirice e segurança táctica. E isso é trabalho de treinador. Ralph Hasenhuttl tem surpreendido o futebol alemão pela forma como consegue enquadrar talento (jovem) em contexto colectivo.

Há dedo de treinador (Hasenhuttl) na equipa-sensação da Bundesliga Fonte: RB Leipzig
Há dedo de treinador (Hasenhuttl) na equipa-sensação da Bundesliga
Fonte: RB Leipzig

Falando de talento, é o que não falta a esta jovem equipa. Com uma defesa segura e consistente, a equipa ganha algum brilhantismo do meio-campo para a frente. É nessas zonas que moram os principais talentos desta equipa, a começar pelo jovem centrocampista Naby Keita. O jovem da Guiné-Conacri entrou com o Dortmund – para oferecer a vitória – e nunca mais saiu da equipa. Com uma capacidade de resistência fora do comum e uma amplitude de movimentos assinalável, este jovem jogador começa a ser seguido por grandes gigantes europeus. Forsberg é o jogador mais criativo da equipa e tem sido decisivo, não só por aquilo que faz os outros jogarem, mas, essencialmente, pelos golos que marca. Há também mais três jovens que têm feito as delícias de olheiros de grandes clubes: Werner, avançado móvel, tem feito muitos golos e ajudado muito a equipa pela forma como é capaz de jogar sem bola; Poulsen, o avançado mais posicional, tem sido importante pois, mesmo sendo um jogador que utiliza o físico para tirar vantagem, tem outros atributos técnicos que fazem dele um avançado temível; Sabitzer, o CR7 austríaco, tem sido importante nos desequilíbrios pelos corredores. Esses desequilíbrios são importantes pois esta equipa sente-se mais confortável a jogar em transições.

Talento por talento não chega, organização por organização também não. Se há equipa que se sente confusa por esse mundo fora com a sua identidade, deve olhar para o que se faz em Leipzig, um binómio que, não sendo perfeito – esse conceito não existe no futebol moderno -, lhe vale a liderança de um dos campeonatos mais temíveis do futebol europeu. Alguém ainda se lembra dos “milhões de Leipzig”?

Foto de Capa: RB Leipzig

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O futebol acompanhou-o desde sempre. Do amor ao Benfica, às conquistas europeias do Porto, passando pelas desilusões dos galácticos do real Madrid. A década continuou e o bichinho do jornalismo surgiu. Daí até chegarmos ao jornalismo desportivo foi um instante Benfiquista de alma e coração, pretende fazer o que mais gosta: escrever e falar sobre futebol. Com a certeza de que futebol é um desporto e ao mesmo tempo a metáfora perfeita da vida.                                                                                                                                                 O Jorge não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.