A CRÓNICA: E TUDO HAALAND LEVOU…

Não tivemos direito à tradicional “parede amarela” que os adeptos do BVB Dortmund nos costumam oferecer no seu estádio, o Signal Iduna Park, mas tivemos direito a um grande jogo de futebol.  

O Sevilha FC até entrou disposto a remediar a derrota caseira (2-3) na primeira mão. Os espanhóis entraram mais pressionantes, com mais bola e a remeter o Dortmund para perto da sua própria baliza. Foram momentos de completo sufoco.

Os primeiros 34 minutos de domínio Sevilhano não chegaram para fazer o que o BVB Dortmund conseguiu na primeira oportunidade que teve. Erling Braut Haaland, quem mais? Displicência defensiva do Sevilha e o jovem avançado norueguês não vacilou. Se a tarefa dos visitantes já era complicada, pior ficou. Resumo do primeiro tempo: pressão (e muita) do Sevilha, vantagem para o Dortmund.

Em relação a esta segunda parte, bem, vamos por partes. O senhor “Champions”, como Haaland já é conhecido, levou tudo à frente e só parou quando meteu a bola dentro da baliza. O VAR decidiu anular o lance e na sequência foi marcado penálti. O mesmo avançado falhou o penalti, ou melhor, Bono defendeu, uma e outra vez. O VAR entrou novamente em ação e o penalti foi repetido porque Bono não tinha nenhum pé em cima da linha de baliza. Na repetição confirmou-se o segundo do Dortmund e, simultaneamente, o segundo da conta de Haaland. Os ânimos exaltaram-se e voaram dois cartões amarelos. Confuso? Talvez, mas não consigo explicar de outra forma.

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Inevitavelmente, depois disto, o jogo acalmou, não estivesse a eliminatória praticamente sentenciada com o 2-0 no marcador. Se estava calmo, rapidamente deixou de estar. Emre Can perto do minuto 68 empurrou um jogador do Sevilha dentro de área (de maneira infantil e totalmente desnecessária). Youssef En-Nesyri não desperdiçou e reduziu para 2-1.

Quase ao cair do pano, aos 90+5, Youssef En-Nesyri empatou e ainda trouxe emoção a uma eliminatória que parecia resolvida. Nos minutos finais, e já dentro da área do Dortmund, os jogadores do Sevilha testaram os limites cardíacos dos seus adeptos e desperdiçou a oportunidade de visar a baliza já em cima do minuto final. Termina empatada 2 partida e o BVB Dortmund qualifica-se para a próxima fase.

A intensidade e agressividade do Sevilha FC foi merecedora de todos os elogios, mas nem sempre teve efeitos que se pudessem ver. Ironicamente, o BVB Dortmund esteve quase sempre na frente do marcador de uma partida que não controlou em momento algum.

A FIGURA


Erling Braut Haaland – Começa a ser inevitável dissociar Halaand da palavra golos. Um e outro parecem andar sempre juntos e formar uma relação de amor como nunca antes vista. Resolveu a eliminatória e o Dortmund segue na Liga dos Campeões, mantendo vivo o sonho europeu. Youssef En-Nesyri também tentou entrar na corrida pelo prémio de homem do jogo ao selar uma boa exibição com um bis já no final da partida. Ainda deu esperanças à turma andaluz, mas o jogo acabou mesmo por terminar com a igualdade no marcador, insuficiente para a qualificação espanhola.

 

O FORA DE JOGO


Emre Can – O médio, que se apresentou como defesa-central, teve uma noite para esquecer. Na primeira parte teve duas situações que podiam ter comprometido seriamente a sua equipa. Na segunda, e com o resultado praticamente resolvido, reabriu a partida com o penalti cometido.

Apesar do resultado, o Sevilha FC acabou por não fazer nada de extremamente errado na partida. Podia apontar o dedo à displicência que originou o primeiro golo do Dortmund, mas prefiro não o fazer. Na generalidade os espanhóis fizeram uma partida onde mereciam mais do que aquilo que levaram dela.

  

ANÁLISE TÁTICA – BVB DORTMUND

No papel o BVB Dortmund parecia alinhar num sistema tático de 4-3-3, mas a verdade é que vimos mais frequentemente um desenho semelhante a um 4-5-1.

Erling Braut Haaland andava sozinho numa ilha, bastante isolado dos restantes companheiros que se preocuparam mais com tarefas defensivas, muito por culpa da pressão do Sevilha FC, verdadeiramente sufocante e que não permitiu aos alemães grandes momentos de liberdade ofensiva. O primeiro rasgo alemão trouxe o primeiro golo, muito contra a corrente do jogo.

O Dortmund praticamente só existiu no jogo a nível defensivo, salvo raras exceções em que se interessou em partir para cima do adversário, muito galvanizados pelas arrancadas de Haaland, que sozinho destruiu a defesa contrária.

Defensivamente, se excluirmos o lance de Emre Can a equipa foi irrepreensível e não deixou grandes oportunidades ao Sevilha FC. Defendeu de forma compacta, ofereceu a bola e soube ser eficaz nos momentos que teve para fazer a diferença.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Marwin Hitz (6)

Nico Schulz (6)

Mats Hummels (6)

Emre Can (4)

Mateu Morey (6)

Thomas Delaney (6)

Mahmoud Dahoud (6)

Jude Bellingham (7)

Marco Reus (7)

Thorgan Hazard (4)

Erling Braut Haaland (8)

SUBS UTILIZADOS

Felix Passlack (5)

Dan-Axel Zagadou (-)

Thomas Meunier (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – SEVILHA FC

O Sevilha FC de Julen Lopetegui alinhou num claro 4-3-3. Os espanhóis entraram no jogo a todo o gás. Procuraram explorar as dinâmicas e qualidade dos seus laterais e extremos. Marcos Acuña e Jesús Navas apareciam bastante subidos, enquanto que os extremos Lucas Ocampos e Suso efetuavam movimentos diagonais, criando desequilíbrios.

Os sevilhanos nunca desistiram do jogo e procuraram constantemente ser verticais e agressivos, raramente com sucesso ou lances de maior perigo. Mais do que frisar aspetos táticos é de ressalvar a atitude e intensidade com que subiram ao relvado, essa foi a maior característica a destacar de um jogo muito mais jogado com alma do que com a cabeça.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Bono (7)

Jesús Navas (6)

Jules Koundé (4)

Diego Carlos (5)

Marcos Acuña (4)

Óscar Rodríguez (6)

Fernando (6)

Joan Jordán (4)

Suso (6)

Lucas Ocampos (6)

Youssef En-Nesyri (8)

SUBS UTILIZADOS

Alejandro Goméz (6)

Luuk de Jong (6)

Ivan Rakitić (-)

Munir El Haddadi (-)

Óliver Torres (-)

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