A CRÓNICA: KYLIAN MBAPPÉ FEZ-SE REI EM CAMP NOU

O sorteio ditou que FC Barcelona e Paris Saint-Germain FC se reencontrassem nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, quatro anos depois do último duelo entre as duas equipas. Quem não se lembra da épica remontada catalã por 6-1?

Volvidos quatro anos, Neymar saiu da Catalunha, desfez o trio MSN (Messi-Suárez-Neymar), um dos mais badalados de sempre, e representa agora a equipa adversária. É também por ele que fica marcada esta partida, ainda antes de começar. O craque brasileiro lesionou-se e desfalcou assim o conjunto parisiense. Ángel Di María falhou também o jogo e Gerard Piqué regressou aos relvados em tempo recorde, após grave lesão.

Numa primeira parte intensa e bem mexida valeu ao FC Barcelona a pouca frieza e esclarecimento de Mauro Icardi na cara de Marc-André Ter Stegen. Rematou fraco e permitiu a Pedri tirar a bola do caminho da baliza.

Aos 25 minutos da partida, quem mais? Lionel Messi fez balançar as redes e fez o primeiro do marcador, ao cobrar um penálti de forma irrepreensível. Costuma-se de dizer que os penáltis à meia altura são letais. Pois bem, este foi na “gaveta”. Sem hipóteses para Keylor Navas.

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E por falar em craques, aí está outro. Kylian Mbappé aproveitou-se da passividade da defesa espanhola (servido de forma brilhante por Marco Veratti, diga-se), tirou o compatriota Lenglet do caminho e fuzilou de pé esquerdo. Reestabelecida a igualdade em Camp Nou.

Os lances de perigo sucederam-se quase como se de um jogo de ping-pong se tratasse. Até final do primeiro tempo ambas as equipas poderiam ter chegado à vantagem: Lewin Kurzawa e Moise Kean de um lado, Antoine Griezmann de outro. Muito perigo e muita animação, bem ao estilo de um verdadeiro jogo de Liga dos Campeões!

A segunda parte começou como terminou a primeira: recheada de perigo. Kylian Mbappé partiu a defesa contrária por diversas vezes. Já dizia o ditado popular: tantas vezes o cântaro vai à fonte, que acaba por quebrar. E o cântaro do Barcelona quebrou nos segundos 45 minutos, e bem! Mbappé voltou a marcar, uma e outra vez. Com toda a frieza que faltou a Icardi no primeiro tempo, o francês colocou o Paris Saint-Germain FC a vencer pela primeira vez na partida. Sem tempo para respirar, cinco minutos depois, Moise Kean faz o terceiro. Os parisienses dilataram a vantagem no marcador depois de Kean cabecear com sucesso o cruzamento de Leandro Paredes, na sequência de um livre em zona lateral.

Nos últimos minutos, o FC Barcelona foi em busca do resultado, como se esperava. Contudo, as mexidas de Ronald Koeman tiveram o exatamente o efeito contrário. Contra-ataque do PSG e… golo de Kylian Mbappé. E que golo. Exibição de gala do avançado de 22 anos de idade. A vingança não foi servida em prato frio, mas sim num estádio vazio. E esse é o único fator a lamentar. Merecia adeptos nas bancadas.

  

A FIGURA


 Kylian Mbappé – A ausência de Neymar quase nem foi notada. Muito por culpa de um homem só: Kylian Mbappé. Não estava sozinho, é certo. Ainda assim, praticamente todos os golos e lances de perigo lhe passaram pelos pés. Os três golos marcados surgiram muito como consequência de um jogo de insistência do avançado francês. Correu, lutou, fintou e rematou, não faltou nada à sua exibição. Daquelas que ficam para a história da competição.

 O FORA DE JOGO


 Passividade da defesa do FC Barcelona – O jogo até foi pautado pelo equilíbrio, pelo menos até certo ponto. A defesa do FC Barcelona não conseguiu estar à altura do acontecimento e tremeu por todos os lados. Se na frente a equipa parecia inspirada e capaz de competir, lá atrás, a história era outra. A insegurança esteve sempre presente e o os franceses responderam a essas debilidades com eficácia. 

ANÁLISE TÁTICA – FC BARCELONA

Ronald Koeman não surpreendeu e apostou no seu 4-3-3. Aparente, porque Lionel Messi não foi na verdade um ponta-de-lança. O astro argentino recuou no terreno, e bem, para ajudar na construção em momentos ofensivos. Isto obrigava que outros jogadores aparecessem em zonas de finalização, como Frenkie de Jong ou os próprios extremos, Antoine Griezmann e Ousmane Dembélé.

Lionel Messi funcionou sempre como um pêndulo no ataque culé e as sucessivas combinações com os seus colegas ainda criaram calafrios ao Paris Saint-Germain, sempre atento e compacto na sua defesa.

De destacar ainda a importância de Gerard Piqué. O regresso do defesa-central devolveu o que há muito faltava em Barcelona: liderança. Sim, liderança, porque tranquilidade é uma coisa bem diferente. Os avançados parisienses pressionaram com maior intensidade após o golo do empate e criaram bastantes situações de perigo, muito ligadas às debilidades da defesa catalã.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Marc-André Ter Stegen (5)

Sergiño Dest (6)

Clément Lenglet (4)

Gerard Piqué (6)

Jordi Alba (6)

Sergio Busquets (5)

Frenkie de Jong (6)

Pedri (5)

Ousmane Dembélé (5)

Antoine Griezmann (6)

Lionel Messi (7)

SUB UTILIZADOS

Óscar Mingueza (5)

Francisco Trincão (6)

Riqui Puig (5)

Miralem Pjanić (5)

Martin Braithwaite (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – PARIS SAINT-GERMAIN

O esquema tático apresentado pelos parisienses foi algo idêntico ao do seu adversário. O 4-2-3-1 de Mauricio Pochettino não raras vezes mais parecia um 4-3-3. Isto porque Marco Veratti, médio mais avançado, juntava-se com frequência a Idrissa Gueye e Leandro Paredes, médios mais recuados, na construção, procurando os movimentos de profundidade dos seus, velozes, avançados.

Ofensivamente o papel de Leandro Paredes era por demais evidente. O argentino guiava e pautava o jogo dos forasteiros, ao colocar-se entre os centrais. Tendência que se acentuou, e muito, com a entrada de Ander Herrera na segunda parte. O 4-3-3 foi assim o sistema mais habitual, com Paredes mais recuado no terreno.

Já nos momentos em que a equipa não tinha bola, destaque para Marco Veratti, que não largou Sergio Busquets, uma das bússolas do FC Barcelona.

A partir do golo do empate, o Paris Saint-Germain cresceu ainda mais no jogo. Não teve medo de pressionar bem alto e acabou a primeira parte claramente por cima do adversário. Assumiu as despesas na segunda parte e acabou por cilindrar o conjunto da casa sem muita contestação.

  

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Keylor Navas (5)

Lewin Kurzawa (7)

Presnel Kimpembe (6)

Marquinhos (6)

Alessandro Florenzi (7)

Idrissa Gana Gueye (4)

Leandro Paredes (7)

Marco Veratti (7)

Kylian Mbappé (9)

Moise Kean (8)

Mauro Icardi (7)

SUBS UTILIZADOS

Ander Herrera (6)

Julian Draxler (7)

Danilo (-)

Thilo Kehrer (-)

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