A CRÓNICA: A RESILIÊNCIA DE UM COLETIVO INULTRAPASSÁVEL

O Paris Saint-Germain FC deslocava-se até ao Etihad Stadium com a esperança de eliminar o Manchester City FC e regressar à final da Liga dos Campeões pelo segundo ano consecutivo, mas acabou por esbarrar na estratégia implementada por Pep Guardiola. Num duelo com as emoções à flor da pele, os Citizens venceram por 2-0, completaram o agregado de 4-1 e apuraram-se de forma histórica para a final de Istambul.

Num relvado repleto de granizo, os primeiros minutos acabaram por ser de alguma adaptação, embora com a ideia clara de que os franceses teriam de correr riscos nas aproximações à baliza contrária. Os comandados de Pochettino entraram mais possantes, a tentar criar mais perigo, mas foram traídos logo ao minuto 11. Numa jogada que até nasceu dos pés de Ederson, De Bruyne viu o seu remate esbarrar num adversário e a bola acabou por sobrar para Mahrez, que inaugurou o marcador. A correr atrás do prejuízo, o PSG chegou a estar perto do golo por três ocasiões, nomeadamente numa bola de Marquinhos enviada à barra, mas acabou por perder algum gás à medida que se aproximava o intervalo – de tal modo que até foram os homens de Manchester a ameaçar com as investidas de Mahrez e Bernardo Silva.

No regresso dos balneários, o relvado cinzento deu lugar ao habitual tapete verde, mas nem por isso os parisienses conseguiram inverter a eliminatória. Foden quase ampliou a vantagem, Neymar respondeu logo de seguida, mas o momento-chave do encontro ficaria reservado para o minuto 63. Instantes depois das substituições de Pochettino, o conjunto da casa criou uma bela jogada de contra-ataque e Mahrez apareceu à vontade ao segundo poste para fechar a eliminatória.

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O cenário para o PSG não era o ideal e pior ficou com o vermelho direto mostrado a Dí Maria, ao pisar Fernandinho após troca de palavras. A partir da expulsão, pouco futebol se jogou e a instabilidade emocional dos parisienses passou a ser nota dominante do que restou do encontro. Em superioridade numérica, o Manchester City podia ainda ter alargado a vantagem para três golos, nomeadamente com um remate de Mahrez e duas tentativas de Foden.

Certo é que o resultado não sofreu mais alterações e os Citizens acabaram por assegurar a presença na final da Liga dos Campeões, fruto de um invejável percurso na competição esta época. Algo alcançado de forma inédita para o clube de Manchester, embora não o seja para Pep Guardiola, que já conquistou duas “orelhudas” e procura agora repetir a dose.

 

A FIGURA

Riyad Mahrez – Apesar da excelente exibição de Rúben Dias, a figura, no sentido literal da palavra, tem de ir para Riyad Mahrez. Não só do jogo, como da eliminatória, dado que também tinha apontado o tento da reviravolta em Paris. O primeiro golo do encontro não poderia ter aparecido em melhor altura e, se é verdade que nesse lance o argelino estava no sítio certo à hora certa, o mesmo se sucedeu na segunda grande oportunidade do avançado de 30 anos junto da baliza de Navas. Além disso, o hat-trick esteve ainda perto de ser uma realidade…

 

O FORA DE JOGO

Mauro Icardi – O argentino passou claramente ao lado do jogo e não foi de estranhar a substituição por Moise Kean à passagem da hora de jogo, algo que provavelmente poderia ter sido reajustado logo ao intervalo. Mauro Icardi praticamente não tocou na bola durante o período em que esteve em campo, quer pelas movimentações que nem sempre foram as melhores, quer pelas poucas vezes em que foi exigida a sua presença na hora de desequilibrar a defesa adversária. Em suma, não esteve à altura de substituir Kylian Mbappé, jogador que poderia ter sido preponderante nos períodos em que os visitantes estiveram por cima.

 

ANÁLISE TÁTICA – MANCHESTER CITY FC

Pep Guardiola optou por fazer duas alterações em relação ao “onze” que jogou no Parc des Princes: Oleksandr Zinchenko conquistou a titularidade ao ocupar a posição do português João Cancelo na lateral esquerda, enquanto que, no meio campo, foi Fernandinho quem rendeu Rodri Hernández.

A equipa de Manchester apresentou-se em 4-3-3 – com um trio da frente móvel constituído por Mahrez, Foden e De Bruyne – sem uma referência de ponta de lança, algo que foi visível em muitas das transições sem a presença de qualquer jogador na área. Com um futebol menos possante que o habitual numa fase inicial, o conjunto inglês entrou com as linhas muito recuadas e apostou mais na saída para o contra-ataque, sempre de forma criteriosa.

Defensivamente, as bases não mexeram e os períodos de instabilidade acabaram por ser mais curtos do que aquilo que os parisienses pretenderiam. A equipa de Guardiola limou algumas arestas nas transições no segundo tempo ao subir as linhas, ao que se juntou a preponderância das ações de Rúben Dias no eixo central, ele que acabou por travar praticamente todas as tentativas de perigo do adversário. As substituições só surgiram nos últimos dez minutos e isso mostrou muito da forma equilibrada como a equipa se apresentou globalmente.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ederson Moraes (5)

Kyle Walker (7)

John Stones (7)

Rúben Dias (8)

Oleksandr Zinchenko (6)

Fernandinho (5)

Íkay Gündogan (7)

Bernardo Silva (6)

Riyad Mahrez (8)

Kevin De Bruyne (7)

Phil Foden (7)

SUBS UTILIZADOS

Gabriel Jesus (-)

Raheem Sterling (-)

Sergio Agüero (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – PARIS SAINT-GERMAIN FC

Já Mauricio Pochettino alterou três peças em relação à equipa inicial que tinha apresentado no duelo da primeira mão: Abdou Diallo passou a ocupar a vaga deixada por Mitchel Bakker no corredor esquerdo, Ander Herrera rendeu o castigado Idrissa Gueye (fruto da expulsão) e Mauro Icardi entrou para a frente de ataque, substituindo Kylian Mbappé, que começou a partir do banco devido a uma lesão que o tinha tirado do último jogo do campeonato.

Alinhados em 4-2-3-1, os parisienses até entraram mais fortes, nomeadamente com as linhas mais altas e pressionantes, mas acabaram traídos pelo golo dos Citizens na primeira jogada de perigo criada a partir de trás. Mesmo ao longo do primeiro tempo foram notórias algumas descoordenações na frente de ataque, que impossibilitaram remates enquadrados com a baliza de Ederson. As incursões de Verrati e as movimentações dos alas, apesar de razoavelmente bem-sucedidas, nem sempre deram a profundidade desejada pela equipa

O técnico argentino decidiu promover alterações na sua equipa a partir do minuto 60’, mas tais ajustes nem puderam ser apreciados como seria pretendido, dado que, logo a seguir, o segundo golo sofrido aniquilou toda e qualquer estratégia dos franceses para o que restava do encontro. Defensivamente, as debilidades vieram ao de cima nos desequilíbrios criados pelos Citizens, nomeadamente no segundo tempo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Keylor Navas (6)

Abdou Diallo (5)

Presnel Kimpembe (6)

Marquinhos (7)

Alessandro Florenzi (5)

Leandro Paredes (6)

Ander Herrera (6)

Marco Verratti (7)

Neymar (6)

Ángel Di María (4)

Mauro Icardi (4)

SUBS UTILIZADOS

Moise Kean (6)

Julian Draxler (5)

Danilo Pereira (6)

Colin Dagba (5)

Mitchel Bakker (-)

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