CRÓNICA: SPURS TOTALMENTE FORA DA SUA LIGA FRENTE AO LEIPZIG

Os londrinos comandados por José Mourinho deslocaram-se a Leipzig para tentarem dar a volta à eliminatória e apurarem-se para os Quartos-de-Final da Liga dos Campeões. Depois da derrota por 0-1 no White Hart Lane a equipa do português tinha uma tarefa muito complicada perante uma equipa que tem praticado um futebol muito mais poderoso do que o dos Spurs. Os alemães estão num grande momento e chegam a esta noite europeia num sólido 3º lugar na Bundesliga e somente a um ponto do BVB 09 Dortmund.

E se tudo apontava para o favoritismo da equipa de Julian Nagelsmann, esse confirmou-se logo com um golo de Marcel Sabitzer ainda antes do minuto 10.
Foi uma primeira parte de afirmação dos alemães. Tiveram a bola, favoreceram o futebol apoiado e construído a partir da defesa mas conseguiram sempre ir variando o estilo de passe libertando assim os seus jogadores da marcação dos ingleses. Foi um RB Leipzig forte com bola, forte na recuperação desta e muito eficaz nos ataques rápidos.
A verdade é que apesar de o Tottenham HFC se apresentar com 5 defesas, sempre que o RB Leipzig acelerou conseguiu colocar a defesa dos Spurs sobre brasas.
O 2-0 nasceu com naturalidade em mais uma excelente finalização de Sabitzer após cruzamento do Angelino e os comandados de Mourinho só numa jogada individual de Lo Celso conseguiram levar perigo à baliza de Gulacsi que respondeu com uma boa defesa a um excelente remate do argentino.

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A segunda parte trouxe-nos um Tottenham HFC com as linhas mais subidas. O objectivo era claro, pressionar a defesa alemã de forma a recuperar a bola em zonas mais próximas da área. Na impossibilidade de construir, a equipa de Mourinho procurou os desequilíbrios conseguidos em recuperações na pressão alta. Contudo, o trio defensivo de Nagelsmann está excelentemente treinado tanto com bola como nas compensações.
Foram 15 minutos de desgaste para os avançados dos Spurs e de resto um jogo praticamente em formato treino da equipa do RB Leipzig. A equipa da casa não forçou ataques, limitou-se a controlar o jogo com bola, não deu qualquer espaço no seu meio-campo e obrigou a defesa londrina a estar sempre em alerta a possíveis ataques. E neste controlo de jogo em formato treino a equipa alemã acabou mesmo por chegar ao 3-0, desta feita por Forsberg que tinha acabado de entrar.

Um RB Leipzig poderoso que foi superior em ambas as mãos. Um Tottenham sem identidade e que continua a não conseguir colocar futebol em campo.

A FIGURA

Fonte: UEFA

Marcel Sabitzer – Sou fã do Timo Werner e fiquei fascinado com o trabalho tanto ofensivo como defensivo da defesa a três do RB Leipzig, contudo o grande destaque desta noite só poderá ser o avançado austríaco da equipa. Sabitzer foi um jogador todo o terreno. No ataque surgiu em várias posições sempre a criar espaço para os colegas e defensivamente foi crucial na forma como ocupou os espaços no meio-campo e condicionou a bola dos jogadores de Mourinho. Se não bastasse este contributo ao colectivo da equipa haveria ainda os dois golos que resolveram a eliminatória. O 1-0 surge num remate seu fora da área e o 2-0 num excelente cabeceamento seu ao primeiro poste de Lloris. O homem do jogo por uma exibição completíssima coroada com os dois golos.

O FORA DE JOGO

Fonte: Tottenham Hotspur FC

Sèrge Aurier – Não esteve propriamente pior que os seus restantes 4 colegas de defesa mas foi pelo seu lado que na primeira parte o RB Leipzig ia criando os principais sobressaltos à sua equipa. Durante 45 minutos não soube lidar com as subidas do Angelino e nos 45 minutos seguintes foi incapaz de dar a profundidade e rasgo ofensivo que a equipa precisava. Saiu aos 91 minutos apesar de desde os 60 já parecer nem estar em campo.

ANÁLISE TÁCTICA – RB LEIPZIG

Julian Nagelsmann apresentou o seu sistema com 3 centrais que tão rápido se transforma num 3-4-3 ou num 3-5-2. O trio defensivo, devidamente apoiado pelo guardião Gulacsi, é a base do futebol desta equipa. Foi, e é, uma equipa com futebol muito dinâmico e apoiado. Privilegiam a bola no pé a partir da defesa e têm muita qualidade para isso. Com apoios frontais dos alas e dos médios conseguem sempre sair a jogar e encontrar o espaço, e com avançados rápidos e bem abertos têm sempre a possibilidade de rapidamente variar o jogo. Basicamente conseguem atrair o adversário e rapidamente soltar no ataque assim que surge o espaço. Esta dinâmica também permite à equipa rapidamente meter 3 ou 4 jogadores no ataque.
Foi uma equipa paciente e dominadora. Fez o seu jogo, manteve-se fiel ao seu treino e com isso deu espaço às suas individualidades para se destacarem e decidirem.
Na primeira parte em sucessivos aceleramentos foram ferindo a defesa adversária. Na segunda parte, na qualidade de posse e de pressão, mantiveram o jogo controlado e sem sobressaltos.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Peter Gulacsi (6)
Upamecano (6)
Klostermann (7)
Halstenberg (6)
Mukiele (6)
Angelino (7)
Laimer (6)
Nkunku (6)
Sabitzer (9)
Timo Werner (6)
Patrik Schick (6)

SUBS UTILIZADOS

Tyler Adams (5)
Haidara (5)
Forsberg (6)

 

ANÁLISE TÁCTICA – TOTTENHAM HFC

A equipa de José Mourinho entrou em campo a querer algo da eliminatória mas ficou-se pelo querer. Mourinho sabe reconhecer a superioridade do adversário e tem experiência suficiente para não entrar em desesperos, sabendo que, com 90 minutos para jogar, chegar a zeros ao último terço da partida seria algo positivo. Assim lançou uma equipa bastante conservadora com cinco defesas. Sem avançados no leque das opções lançou 5 médios deixando Lucas mais avançado na pressão aos centrais e Dele Alli e Lamela mais soltos. Apostou na qualidade individual do quarteto Alli, Lucas, Celso e Lamela, para conseguirem em algum lance individual ou através de algumas combinações, criarem espaço para finalização.
A equipa apresentou-se sem capacidade de ter bola e muito menos de jogar na profundidade. Foi um jogo de esforço onde os criativos se perderam em pressões e correrias sem bola que os desgastaram para outros momentos do jogo. Mourinho quis jogar na expectativa e adiar o balançar das redes mas o RB Leipzig não esteve para aí virado.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Lloris (4)
S. Aurier (3)
Tanganga (4)
E. Dier (4)
Alderweireld (5)
Sessegnon (4)
H. Winks (5)
Lo Celso (5)
E. Lamela (5)
Dele Alli (5)
Lucas (5)

SUBS UTILIZADOS

Gedson (-)
Fagan-Walcott (-)

Artigo revisto por Diogo Teixeira