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Já está. Gary Neville já foi despedido do Valencia C.F. Era só uma questão de tempo, como parece ser com qualquer treinador do clube nos últimos anos.

Até os técnicos que tiveram mais sucesso ao longo da última década tiveram de ouvir o cântico que os valencianistas tanto gostam de dedicar aos seus treinadores. “Quique, vete ya!”, escutou Quique Flores; “Unai, vete ya!” ouviu Unai Emery; e, claro, Nuno Espírito Santo também teve direito a ouvir o Mestalla cantar-lhe o “Nuno, vete ya!”.

E estes foram os únicos três heróis que, durante a última década, aguentaram mais de uma época completa no cargo. Os restantes nem seis meses duraram, como foi o caso de Gary Neville, contratado no início de dezembro.

Quando o ambiente em redor de Nuno já era insuportável e o seu despedimento era iminente, aproveitei uma destas crónicas  para lhe deixar uma sugestão relativamente à sua conta do Twitter: na sua descrição, onde se lia “Perfil oficial de Nuno Espírito Santo, entrenador del Valencia CF”, deveria acrescentar “Por enquanto, por enquanto…”.

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Gary Neville num dos últimos treinos do Valencia Fonte: Valencia CF
Gary Neville num dos últimos treinos do Valência
Fonte: Valencia CF

Ora, a sugestão parece-me válida para quem quer que seja que treine o Valencia – estás a ouvir, Pako Ayestarán? –, mas a atitude de Gary Neville também não me parece má. No seu perfil do Twitter tinha (e tem) uma simples frase, “Attack the day”, que é a melhor maneira de encarar aquele cargo, já que nunca se sabe qual será o último dia.

Todos sabíamos como iria acabar esta aventura de Neville, mas o dia exato do desfecho acabou por ser surpreendente. É que, apesar da paragem de duas semanas para jogos das seleções, o anúncio do despedimento foi feito a apenas três dias do próximo jogo do Valência, que se desloca ao terreno do Las Palmas no próximo sábado.

Tenho um palpite sobre o que terá precipitado a decisão. Quando foi contratado pelo Valência, ficou decidido que Neville continuaria a desempenhar funções na equipa técnica da seleção inglesa. Assim, apesar de ser treinador de uma equipa que está a atravessar uma época muito difícil e em que não falta trabalho para fazer, Neville passou esta última semana com a seleção, em vez de ter aproveitado a paragem para treinar com os seus jogadores.

Há uma velha máxima segundo a qual nunca se deve faltar ao trabalho, pois é aí que o patrão se pode aperceber de que não fazemos falta. Neville aprendeu-a da pior maneira.

Foto de Capa: Valencia CF