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Foi interessante ver o Real Madrid sem Cristiano Ronaldo, pelo menos durante os primeiros 63′ do encontro, uma vez que o internacional português começou a partida no banco de suplentes. Como será, afinal, esta equipa merengue sem CR7? Em termos defensivos, surpreendam-se ou não, é praticamente igual. O Real Madrid não fica mais fraco lá atrás, mas perde, logicamente, muita capacidade de decisão na frente de ataque. Benzema fica uma sombra daquilo que tem sido, Bale tarda em justificar (será que alguma vez o vai fazer?) o dinheiro investido na sua contratação e não conseguiu pegar no jogo e James pareceu que nem esteve em campo. Pode então a ausência de um jogador que nem defende ser fundamental para a quebra exibicional de alguns dos colegas de equipa? A resposta é sim, pode.

Portanto, sem Ronaldo, este Real Madrid é, logicamente, muito inferior a nível ofensivo. Não só pelos golos que marca, como pela influência que exerce nos companheiros de ataque. Quase todos se apresentaram em sub-rendimento e houve apenas um elemento a remar contra a maré: Isco. Esta ausência de CR7 acabou por evidenciar as qualidades do jovem espanhol de 22 anos, que foi claramente o elemento mais participativo no jogo dos merengues. Foi o único capaz de fazer as ligações entre setores, conseguiu ser o mais dinâmico em campo e esteve sempre em evidência a tentar provocar desequilíbrios na sólida defesa colchonera. Sem CR7, Isco é a estrela deste Real. Tal como o português, não tem medo de pegar na bola, de partir para cima da defesa adversária e de procurar espaços para fazer a diferença. Não se percebe como é que um jogador desta categoria esteve tanto tempo longe das opções de Ancelotti. Felizmente, o técnico italiano abriu os olhos e não olhou a “milhões” para ver quem é que merecia realmente ser titular indiscutível no onze merengue.

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Isco continua em destaque no Real Madrid
Isco continua em destaque no Real Madrid

Ainda assim, e apesar da qualidade de Isco, o Real Madrid foi derrotado – de forma justa – pelo Atlético de Madrid por 2-0, na 1.ª mão dos oitavos-de-final da Taça do Rei de Espanha. Diego Simeone voltou a demonstrar o porquê de ser o melhor treinador do ano e soube novamente montar uma ratoeira para a equipa merengue. Os comandados de Ancelotti voltaram a entrar com a ilusão de que se encontravam no domínio de todo o jogo, mas acabaram por sucumbir perante as investidas em contra-ataque e através das bolas paradas dos colchoneros. O Atlético soube defender, soube esperar pelos momentos certos para atacar e beneficiou ainda da (pouca) inteligência de Sergio Ramos para se colocar em vantagem. Chega a ser exasperante olhar para a postura do defesa-central espanhol em campo. Ninguém lhe nega a boa capacidade atlética, mas na posição em que atua pede-se concentração e simplicidade. Ramos consegue sempre evitar cumprir estes dois requisitos. Acumula erros atrás de erros e vai mantendo um posto no Real Madrid apenas pelo estatuto que ganhou ao longo da carreira. Hoje cometeu o penalty que deu o 1.º golo ao Atlético, num lance absolutamente patético, em que Raul García aproveitou bem a imaturidade (?) do defesa espanhol. Ainda fico para perceber o que tem mais de fazer Varane para lhe roubar o lugar no eixo da defesa.

No jogo desta quarta-feira, destaque ainda para a exibição segura de Oblak, antigo guarda-redes do Benfica. O processo de integração do esloveno na equipa está a ser preparado de forma minuciosa por Simeone, que não quer apressar ou dar algum passo em falso na carreira do jovem guardião de 22 anos. Já Fernando Torres, em dia de estreia, esteve apagado e prevê-se que venha a ter muitas dificuldades para se integrar nesta equipa do Atlético de Madrid.

Créditos à Fotografia de Capa: sporras (Flickr)