Cabeçalho Liga EspanholaCom a inauguração dum novo estádio, e depois duma época em que esteve um pouco aquém do que havia feito em anos anteriores, o Atlético de Madrid tem um grande desafio pela frente: vencer títulos, e provar finalmente que está à altura de Real Madrid e Barcelona.

Ao manter o treinador, Diego Simeone, e os seus principais jogadores, conseguindo ainda o regresso de Diego Costa, o clube madrileno está, claramente, a apostar no sentido de tornar-se um clube de topo mundial. A questão é que tal investimento exige resultados rápidos, pelo menos aos olhos dos adeptos.

O facto da equipa ter perdido troféus importantes para rivais diretos, como as duas finais da Liga dos Campeões com o Real Madrid, pesa na confiança geral. Mas mais duro do que terem sido derrotados, é a forma como o foram: ao longo das temporadas, talvez por inexperiência, o Atlético quebrou nas alturas decisivas, e desperdiçou oportunidades de somar mais títulos.

Embora o clube continue a dar a imagem de estar em constante crescimento e evolução, e isso até seja verdade em termos de popularidade, dentro de campo a equipa parece ter estagnado. O estilo de jogo aguerrido e combativo, que trouxe sucesso nos primeiros anos de Simeone como técnico, parece já não ser tão eficaz. Os adversários foram-se habituando aos colchoneros, e, não tendo estes um modelo de jogo alternativo, ou vontade de ir inovando, foram perdendo estatuto, e hoje não são tão temíveis como até há duas épocas atrás.

É verdade que, derrota após derrota, conseguir motivar jogadores de classe mundial a ficar no clube, e a comprometerem-se com a causa Atleti, ao mesmo tempo que se tenta reforçar e melhorar o plantel, não é fácil. E que ombrear, a nível interno e externo, com as maiores equipas do mundo, tendo menos recursos, é uma missão frustrante, e, muitas vezes, ingrata.

Griezmann é a maior figura do Atlético de Madrid, e apesar do interesse do Manchester United, decidiu ficar na capital Espanhola Fonte: Facebook Oficial de Antoine Griezmann
Griezmann é a maior figura do Atlético de Madrid, e apesar do interesse do Manchester United, decidiu ficar na capital Espanhola
Fonte: Facebook Oficial de Antoine Griezmann
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Mas o coletivo madrileno parece ter ficado a achar, depois do campeonato conquistado em 2014, o seu maior feito até agora, que a atitude e entrega evidenciadas no relvado seriam sempre o suficiente para vencer, face à maior valia futebolística de outras equipas. Não é, e na época transacta isso foi notório. O facto do clube não se ter apercebido da grandeza de alguns dos seus feitos, e ter achado que atingir finais e conquistar títulos poderia tornar-se nalgo habitual, teve as suas repercussões a nível psicológico, sobretudo em fase de derrotas. O terceiro lugar do Atlético na La Liga, em 2016/2017, foi um acumular de tropeções em jogos aparentemente fáceis, exibições dececionantes, e um grupo de jogadores e treinador que pareciam ter-se apercebido, ou convencido, que não tinham qualidade suficiente para estar no topo. Durante as 38 jornadas, o nível da equipa foi mais o de um conjunto que luta por lugares europeus, como Sevilla ou Atletic Bilbao, do que propriamente um clube recentemente campeão e finalista da Liga dos Campeões.

Esta época é, portanto, decisiva para todos no Wanda Metropolitano. Ou se consegue um ano ao melhor nível, a lutar por títulos, e aí o Atlético poderá recuperar a confiança e a força que o caracterizavam, ou, em caso de mais uma época abaixo do esperado, treinador e jogadores poderão querer rumar a outros clubes e campeonatos.

Simeone é um treinador de qualidade inquestionável, e que quer, obviamente, ter um currículo condizente com a sua habilidade. O mesmo se passa com os jogadores, nomeadamente Oblak e Griezmann. O caso do francês é particularmente demonstrativo: com 26 anos, nomeado para a Bola de Ouro, e maior figura da equipa, o avançado é a personificação das quase vitórias colchoneras: uma final da Liga dos Campeões perdida nos penalties, uma meia-final perdida no prolongamento, e uma derrota na final do Euro 2016, ao serviço da sua seleção. Titulos ao serviço do Atlético, apenas um: uma supertaça de Espanha.

Seria criminoso ver jogadores tão talentosos, aos quais se juntam ainda outros jovens jogadores de qualidade, como Koke, Saúl Ñíguez, Carrasco, Giménez ou Angel Correa, não terem uma grande carreira, pelo menos no que toca a títulos coletivos. Por outro lado, é a audácia e o idealismo de equipas como o Atletico Madrid que trazem adeptos ao estádio, e seria difícil, pelo menos para os mais fanáticos, ter que ver as suas maiores referências futebolistícas a partir. Talvez, esta época, o maior desafio seja de quem está nas bancadas, e, se conseguirem dar ao novo estádio uma atmosfera parecida com a do velho Calderón, aí está criado o ambiente para se voltar a festejar títulos. Afinal, uma equipa pertence aos adeptos, e, em Espanha, não há equipa com apoio mais sincero que o Atlético.

Foto de Capa: Atlético de Madrid

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