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Na semana passada, Cesare Prandelli, treinador do Valencia C. F., entrou com ar zangado na conferência de imprensa. Não queria responder a perguntas, queria apenas fazer um pequeno discurso. Prometeu falar “piano”, para que todos entendessem o seu italiano. Mesmo, assim, só precisou de um minuto e 40 segundos para dizer tudo o que queria e houve uma palavra que se destacou: “Fuori”. “Quem não está cá com vontade: Fuori! Quem não tem atitude, quem não tem caráter, quem não tem personalidade, quem não tem amor à camisola: Fuori! Quem não está contente: Fuori!”

Para Prandelli, está identificado o problema do Valencia. “Não é uma questão de 4-4-2 ou 4-3-3”, é uma questão de atitude. E, se o seu discurso durou um minuto e 40, os jogadores só precisaram de um minuto e 55 segundos em campo, frente à Real Sociedad, para sofrer um golo que mostra bem que o seu treinador tem razão. Ficou tudo a ver jogar e o Valencia somou a nona derrota na liga, onde soma apenas três vitórias em 15 jogos e ocupa a 17.ª posição, em igualdade pontual com o Sporting de Gijón, que, em 18.º, já está abaixo da linha de água. São cada vez menos os adeptos que vão ao estádio e cada vez mais os que protestam contra a atual situação do clube. Talvez seja por isso que Peter Lim não é visto no Mestalla há mais de um ano, desde a altura em que Nuno Espírito Santo ainda era o treinador.

Prandelli não tem tido um início fácil no clube "Ché" Fonte: Valência CF
Prandelli não tem tido um início fácil no clube “Ché”
Fonte: Valencia CF

Esta semana, para solucionar a crise, Lim resolveu convocar uma reunião (em Singapura, claro!) com a presidente Layhoon Chan, o diretor desportivo García Pitarch e o treinador Prandelli. Ou seja, uma chinesa, um espanhol e um italiano entram em casa de um milionário em Singapura… Este podia ser o início de uma anedota e o pior para os adeptos do Valencia é que talvez seja mesmo. Esta quinta-feira à tarde, Layhoon fez uma conferência de imprensa para anunciar as decisões tomadas na reunião. Três áreas foram identificadas: “necessitamos que os jogadores que aqui estão, queiram estar; necessitamos de melhorar o rendimento atual; e necessitamos de reforçar a equipa com novas contratações.”  Ou seja, a única alteração concreta é que haverá reforços de inverno. Mas um problema de atitude não se resolve com meros milhões de euros em cima.

Este é o quarto plantel mais caro da liga e uma equipa com jogadores como Diego Alves, Garay, Mangala, Cancelo, Munir, Nani e Rodrigo, por exemplo, não devia precisar de reforços para sair do 17.º lugar. O problema, como diagnosticou Prandelli, é de atitude. E essa é difícil de alterar quando o dono do clube está demasiado ocupado com os seus negócios no outro lado do mundo para vir ao Mestalla. O “fuori” de Prandelli, provavelmente, dever-se-ia aplicar a quem dirige o Valencia hoje em dia. É isso que cada vez mais adeptos pedem. Infelizmente, nem Peter Lim nem Layhoon entendem espanhol. E valenciano ainda menos.

Foto de Capa: Valencia CF

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