Numa altura em que se inicia mais uma edição dos Jogos Olímpicos de Inverno,  tendo como anfitriã a Rússia, nada melhor do que usar um termo bastante conhecido do mundo do futebol e que tem origem num desporto de inverno, neste caso, o Esqui Alpino.

Para os menos informados, a palavra Slalom refere-se a uma categoria do Esqui Alpino que consiste em percorrer um determinado percurso (marcado com estacas vermelhas) em zig-zag, no menor tempo possível. O desporto é famoso entre os amantes da modalidade porque, obviamente, permite aos esquiadores, durante a descida acentuada, atingir grandes velocidades, enquanto vão ultrapassando os obstáculos do percurso.

Na passada quarta-feira, em San Sebastián, houve um Slalom merecedor de uma medalha de ouro – e não, não foi feito em esquis.

Lionel Messi recebeu a bola, na linha do meio campo, graças a um corte deficiente do defesa José Ángel, e percorreu, literalmente, todo o meio campo contrário entre cinco defesas da Real Sociedad e, já em cima da linha da grande área, rematou para o fundo da baliza de Zubikarai, fazendo o 1-0 para o Barcelona. O encontro acabaria por terminar empatado (1-1), com o clube catalão a garantir a presença na final da Copa del Rey.

A verdade é que Messi, ao longo da sua curta carreira, já nos presenteou com vários golos em Slalom, capazes de fazer levantar do sofá até o mais fleumático dos apaixonados pelo futebol.

Quem não se recorda daquele golo ao Zaragoza? Ou do outro, com apenas 19 anos, frente ao Getafe? Todos eles têm algum em comum: Messi numa “descida” até à baliza adversária, tirando obstáculos pelo caminho a uma velocidade estonteante.

Apesar de o esqui ser um desporto individual e de o futebol ser praticado em equipa, o Slalom é, de facto, a individualização do futebol. É aquele momento em que percebemos a diferença entre o bom e o genial.

Não tenho qualquer duvida de que Lionel Messi é o rei dos Slaloms. O argentino alia a velocidade à técnica como muito poucos o conseguiram até hoje – o futebol de Diego Armando Maradona talvez tenha sido o exemplo mais idêntico daquilo que o astro do Barcelona consegue atualmente fazer.

Depois da lesão contraída no ano passado, que o deixou vários meses fora de competição, Messi está de volta e dá sinais de ser o mesmo que sempre conhecemos. O Barcelona agradece e o futebol também – ok, os adeptos do Real Madrid talvez não tenham ficado muito agradados com o regresso do argentino.

E, por falar em Real Madrid, tal como esperado, os merengues vão acompanhar o Barcelona na final da Copa del Rey (a sétima entre os dois colossos espanhóis).

Não sei se vamos ter Slalom de Messi na final e também não sei quem teve a arte e o engenho de roubar o termo associado ao Esqui Alpino para o futebol. No entanto, seja ele(a) quem for, deixo aqui o meu sincero elogio, pois não me recordo de uma palavra fazer tanto sentido comparativo entre uma corrida de esqui e uma corrida pelo golo.

Se quiserem ver o slalom de Messi frente à Real Sociedad vejam AQUI

Slalom de Messi frente ao Zaragoza, considerado o melhor golo do argentino:

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