Esta última semana, foi lançada uma bomba no futebol – a divulgação do contrato entre Lionel Messi e FC Barcelona (2017/18-2020/21). Desconstruindo, em parte, o “bolo” astronómico dos vencimentos de Messi nestas últimas quatro épocas, quanto ganhou o internacional argentino? Falamos, precisamente, de 386 mil euros por dia, 11.6 milhões por mês e 139 milhões por época que vai corresponder ao gigantesco número – 555.237.619 euros (integra salários, bónus de rendimento, direitos de imagem e outras variáveis). Num período de instabilidade e crise, esta publicação era a última coisa que Messi, o clube e todos os seus adeptos desejavam. Uma estratégia mal-intencionada para enfraquecer, dividir e levar o histórico FC Barcelona à desordem, caos e de preferência ao fim?

Analisando todo o caminho de Messi, os seus esforços e conquistas integrados numa relação de amor verdadeiro com o Barcelona, quem seria capaz de divulgar publicamente o contrato  no sentido de prejudicar o jogador e o clube catalão?  Falamos, porventura, de uma traição interna, mas jamais este comportamento será digno de um verdadeiro “culé”.

Rapidamente, o FC Barcelona distanciou-se deste ato ilegal e cobarde ao lançar o seguinte comunicado: “No que respeita à informação publicada no jornal El Mundo, relativa ao contrato profissional assinado entre o FC Barcelona e o jogador Lionel Messi, o clube lamenta a sua publicação, dado que se trata de um documento privado e abrangido pelo princípio de confidencialidade entre as partes”. De seguida, o FC Barcelona iniciou um processo jurídico contra o jornal “El Mundo”, apoiando firmemente Lionel Messi.

Anúncio Publicitário

Então e Messi? Como respondeu a esta ameaça à sua integridade, reputação e imagem? Desiludido, decidiu também processar o jornal e todos aqueles que tinham conhecimento e acesso ao contrato (Josep Bartomeu, Carles Tusquets, Jordi Mestre Òscar Grau e Romà Punti).

Este contrato veio dividir a opinião pública e os media, no qual podemos observar oscilações no que diz respeito a Messi e à sua responsabilidade na situação económico-financeira do clube (dívida de 1.17 biliões de euros). Será Lionel Messi o verdadeiro culpado de um Barcelona à beira da bancarrota? Claro que não. No meu ponto de vista, os verdadeiros culpados são a direção do clube e a COVID-19. Por um lado, a pandemia contribuiu para a descida das receitas devido, principalmente, à interrupção de jogos com público, aumentando a dívida do clube. Por outro lado, o quadro diretivo do FC Barcelona realizou uma péssima gestão nestes últimos anos, contratando jogadores de quantias elevadíssimas que pouco ou nada fizeram pelo clube tais como: Antoine Griezmann (120 milhões), Ousmane Dembélé (130 milhões) e Philippe Coutinho (145 milhões). É inegável a qualidade destes três jogadores, todavia não deram garantias de qualquer tipo de retorno, comparativamente ao que foi gasto.

E Lionel Messi? De todo o dinheiro investido no jogador, o Barcelona teve retorno? Segundo Marc Ciria (fundador e CEO da empresa Diagonal Inversiones e responsável pelo seguinte estudo), Messi custou cerca de 383 milhões de euros em três anos (tirando o ano da pandemia da equação). No entanto, o jogador gerou, aproximadamente, 619 milhões, o que corresponde a um lucro preciso de 235,610,000 euros. O estudo ainda concluiu que Messi gera cerca de um terço das receitas do clube. Mas como é que o jogador consegue esses valores?

Patrocínios, acordos comerciais, um terço da venda de bilhetes (concluído por Joan Laporta, candidato à presidência), venda absurda de camisolas (cerca de dois milhões, cada ano). Além disso, o seu nome, por si mesmo, acarreta muita visibilidade, atraindo milhões de fãs, o que permite um maior reconhecimento do clube e de tudo o que representa. Lionel Messi é uma marca.

Seguindo o modelo da capa do “El Mundo”, o jornal Olé saiu em defesa de Messi, aludindo aos números que, na sua opinião, deveriam estar na boca do mundo: 650 golos e 260 assistências em 755 jogos. Aliás, acrescento o seguinte: quatro Champions-League; dez campeonatos; três Copas do Mundo; oito Supertaças de Espanha; três Supercopas da UEFA; seis taças de Espanha. 34 títulos, mas isso não importa não é?

Infelizmente, a divulgação do contrato é, apenas, uma última tentativa desesperada e vergonhosa do quadro diretivo do FC Barcelona justificar os seus erros e a sua péssima abordagem, colocando as culpas no melhor jogador da história do clube (na minha opinião, obviamente). A meu ver, Messi merece cada cêntimo que recebeu e, ao longo de todos estes anos, deu-nos, literalmente, 555.237.619 razões para o seguir e admirar na sua passagem pelo futebol internacional. Senhoras e senhores, Lionel Messi!

 

Artigo com opinião de Diogo Reis

2 COMENTÁRIOS

DEIXE UM COMENTÁRIO

Comente!
Por favor introduz o teu nome