A CRÓNICA: ROJIBLANCOS AGARRAM O PÓDIO E VERDIBLANCOS JÁ SÓ PODEM SONHAR COM A EUROPA

Noventa e cinco dias. Foram 95 os dias que passaram desde a última vez que se jogou Futebol profissional em Espanha. E, na teoria, que melhor jogo para retomar a La Liga do que um El Gran Dérbi?

No arranque da 28.ª jornada, o Sevilla FC e Real Betis Balompié mediram forças no Ramón Sánchez-Pizjuán no regresso da Liga Espanhola, naquele que foi um jogo lento e sem grande história.

O Betis, 12.º classificado, foi até casa do Sevilla, que ocupa o 3.º lugar do campeonato, com a ambição de reacender a luta pelo acesso à Liga Europa, objetivo que estava, a priori, a 11 pontos de distância. Já os vermelho-e-brancos, a fazer uma boa temporada, já só pensam em manter-se no pódio e colocar pressão nos dois gigantes, Real Madrid CF e FC Barcelona.

Numa primeira parte fria em que ficou evidente a falta de ritmo dos dois emblemas de Sevilha, valem dois momentos dignos de destaque. Aos 27 minutos, Luuk de Jong beneficia dum bom cruzamento de Reguillón e cabeceia para defesa do guardião espanhol Joel Robles. Pouco depois, Lucas Ocampos faz um remate colocado que acaba por bater no poste da baliza do Betis. O lateral-esquerdo dos rojiblancos, Reguillón, é o melhor jogador em campo desta 1.ª parte, por ser um dos poucos que correu notoriamente mais que os restantes.

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Os homens do Sevilla entram bem melhor na segunda parte e a querer variar a tendência ofensiva que nitidamente preferiu o lado esquerdo na primeira parte. Ao 48.º minuto, o capitão Jesús Navas lidera uma jogada de ataque pelo flanco direito que resulta num cruzamento para Munir. O avançado acaba por rematar já em queda e vale uma belíssima intervenção de Joel Robles a evitar o primeiro do Sevilla. Foi o primeiro ataque perigoso de todo o jogo. A jogada é, contudo, um bom presságio para o que se viria a passar nesta segunda metade do Gran Dérbi: o vermelho a reinar sobre o verde.

Ao 55.º minuto, o experiente árbitro Mateu Lahoz assinala um pontapé de penalti depois de ver Marc Bartra empurrar Luuk de Jong na área dos verdiblancos. Apesar dos protestos, a decisão acertada de Lahoz acaba por ser confirmada pelo VAR. O homem encarregue de bater o penálti foi Lucas Ocampos que não perdoou e acabou por desbloquear o marcador nesta retoma da La Liga.

Oito minutos depois, há um pontapé de canto para o Sevilla. Jesús Navas cruza e propicia o grande destaque de toda a segunda parte: Lucas Ocampos toca a bola no ar e de calcanhar para passar a bola a Fernando, que aparece a cabecear no coração da área do Betis e fixa o marcador nos 2-0 finais.

Resta ainda mencionar a boa segunda parte do extremo de apenas 20 anos do Betis, Diego Laínez. Foi o jogador com mais vontade de contrariar a tendência de um jogo que só teve um sentido. O Sevilla foi melhor que o Betis e mereceu totalmente os três pontos que colocam o emblema vermelho e branco cada vez mais no pódio da La Liga espanhola.

A FIGURA

Lucas Ocampos – A qualidade bastante acima da média apresentada pelo argentino chegou para dar cor a um jogo cinzento. Merece o prémio de melhor em campo por ter desbloqueado o resultado ao marcar a grande penalidade e ter feito uma belíssima assistência aérea (e de calcanhar!) para o cabeceamento de Fernando, que acaba por sentenciar a partida.

O FORA DE JOGO

Marc Bartra – Foi o pior dos medíocres num dia chuvoso para os homens de verde-e-branco. Não foi uma prestação para esquecer, mas, ainda assim, a pior de todas. É ele quem faz a falta que dá origem ao penalti que permite ao Sevilla desbloquear um jogo sem grande história. Tivesse mantido sempre a concentração, e se calhar esta história era outra. Na flash interview, queixa-se da arbitragem e confessa estar “chateado” com o experiente Mateu Lahoz por ter assinalado a supramencionada falta.

ANÁLISE TÁTICA – SEVILLA FC

Julen Lopetegui, o catalão bem conhecido pelos portugueses, decidiu apresentar um 4-3-3 na retoma da Liga Espanhola. Não pôde contar, certamente para seu desagrado, com o ex-leão Nemanja Gudelj, o médio defensivo que costuma ser peça fundamental do xadrez que é o seu meio-campo. Não foi grave. Este papel ficou a cargo doutra cara também conhecida pelos adeptos portugueses: Fernando, o ‘polvo’, ex-jogador do FC Porto.

Os rojiblancos pareciam ter indicações bastante nítidas para controlar a partida através da segurança na posse de bola. Sem nunca ter corrido grandes riscos, o Sevilla conseguiu ao longo dos 90 minutos trocar a bola de forma confortável, não perdendo a hipótese de aproveitar para lançar a velocidade dos laterais pelas alas e tentar, porventura, explorar as fragilidades defensivas na defesa do rival andaluz.

Apesar da primeira parte mais adormecida, a superioridade da turma de Julen Lopetegui acaba por se confirmar no resultado final. Um jogo calmo, três pontos fáceis e o Sevilla continua de pedra e cal no pódio da La Liga.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Tomás Vaclík (6)

Jesús Navas (7)

Diego Carlos (6)

Joules Koundé (6)

Reguillón (7)

Óliver Torres (6)

Fernando (7)

Joan Jordán (6)

Munir El Haddadi (6)

Luuk de Jong (6)

Lucas Ocampos (8)

SUBS UTILIZADOS

Éver Banega (5)

Youssef En-Nesyri (5)

Suso (6)

Escudero (6)

Franco Vázquez (-)

ANÁLISE TÁTICA – REAL BETIS BALOMPIÉ

Os verde-e-brancos de Sevilha foram culpados pela lentidão da primeira parte. Entenda-se a frase anterior como um elogio. A concentração e solidez defensiva do 4-5-1 apresentado pelo técnico Rubi destruiu qualquer tentativa de ataque do Sevilla na primeira parte. Com poucas ocasiões perigosas, apenas o lateral-direito Emerson se viu com mais trabalho que os restantes colegas de equipa para parar as incursões ofensivas de Reguillón pelo lado direito da defesa do Betis. A missão foi cumprida, e o Betis segurou o empate ao intervalo.

Na segunda parte, o trabalho revelou-se inglório e foram precisas duas bolas paradas para desfazer a defesa do Betis. A já falada falta de Bartra, que dá origem ao penalti, e um pormenor delicioso de Ocampos desmontaram a estratégia defensiva de Rubi e fizeram o Betis conceder dois golos.

Ofensivamente, um jogo desinspirado e sem ideias. Foi boa a entrada do jovem extremo de apenas 20 anos, Diego Laínez, que foi o único que tentou mexer com o jogo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Joel Robles (6)

Emerson (7)

Marc Bartra (5)

Sidnei (6)

Alex Moreno (6)

Sergio Canales (6)

Guido Rodríguez (6)

Carles Aleñá (6)

Nabil Fékir (6)

Borja Iglesias (5)

Cristian Tello (5)

SUBS UTILIZADOS

Zouhair Feddal (6)

Diego Laínez (7)

Joaquín (-)

Loren (-)

Alfonso Pedraza (-)

Foto de Capa: Sevilla FC

Artigo revisto por Joana Mendes

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O Diogo é licenciado em Jornalismo pela Universidade Católica. Também tirou o curso de árbitro na Associação de Futebol de Lisboa. Tinha 8 anos quando começou a perceber a emoção que o desporto movia. No espaço de quinze dias, observou a família a chorar de alegria o golo do Miguel Garcia em Alkmaar, a tristeza da derrota em Alvalade contra o CSKA o ensurdecedor apoio dos adeptos do Liverpool enquanto perdiam a final da Liga dos Campeões por 3-0. Hoje, e cada vez mais apaixonado por futebol, continua a desenhar o seu percurso para tentar devolver a esta indústria tudo o que dela já recebeu.                                                                                                                                                 O Diogo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.