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“Se estiver a 50%, Rossi é uma contratação de luxo.” – Foi desta forma simples e directa que Juan Carlos Garrido, antigo treinador de Giuseppe Rossi no Villarreal CF, descreveu o regresso do internacional italiano à Liga BBVA. No passado dia 22 de Janeiro, a ACF Fiorentina de Paulo Sousa e o Levante UD acordavam a cedência de Rossi a título de empréstimo até ao final da temporada e davam também inicio à segunda aventura de Il Bambino no futebol espanhol.

Guiseppe Rossi foi figura de proa no Villarreal CF de Juan Carlos Garrido da temporada 2010-11 que o FC Porto eliminou nas meias-finais da Liga Europa. Ao lado de jogadores como Nilmar, Santi Cazorla e Borja Valero, o internacional italiano catapultou a formação da Comunidade Valenciana para uma temporada de alto nível e, fruto disso, viu o seu nome associado, na época seguinte, a alguns dos grandes colossos do futebol europeu, com especial relevo para o FC Barcelona, que terá estado muito perto de acordar a sua contratação com o Villarreal CF. No entanto, sem que nada o fizesse prever, apenas uma temporada depois, o Submarino Amarillo passou por momentos complicados que culminaram numa amarga descida de categoria, momentos esses que coincidiram com o início do calvário de lesões de Guiseppe Rossi, que nessa fatídica temporada sofreu a sua primeira lesão nos ligamentos do joelho.

O Giuseppe Rossi dos tempos do Villarreal CF tinha a Europa a seus pés Fonte: El Mundo
O Giuseppe Rossi dos tempos do Villarreal CF tinha a Europa a seus pés
Fonte: El Mundo

Com o Villarreal CF condenado a passar um ano nas agruras da Liga Adelante, em Janeiro de 2013, Rossi muda-se para a ACF Fiorentina, que deposita no versátil avançado italiano uma enorme confiança apesar de estar perfeitamente ciente de todos os problemas que lhe estavam associados. Para o talentoso avançado nascido em Teaneck, New Jersey, o ingresso no emblema de Florença foi um novo despertar, um regressar do mundo dos mortos após meses a fio fora dos relvados, e, às ordens de Vincenzo Montella, Rossi viveu seis meses de sonho. A janela de esperança que se abriu na carreira de Il Bambino não tardou muito em voltar a fechar-se e em Janeiro de 2014, num jogo contra o AS Livorno Calcio, uma nova lesão no joelho de extrema gravidade voltou a afastar Rossi dos relvados. De lesão em lesão até à chegada de Paulo Sousa ao emblema de Florença, o versátil avançado italiano foi perdendo o seu espaço nos Viola e não são de todo estranhas as reservas do técnico português no que respeita à sua utilização de forma continuada numa liga exigente como é o caso da Serie A.

Foi por esse motivo e pela necessidade de reencontrar a alegria de volta a jogar que Guiseppe Rossi regressou a Espanha, a uma liga que bem conhece e a um país que lhe reconhece talento e onde ainda mantém o estatuto de estrela. O agente do jogador italiano, Andrea Pastorello, descreveu esta mudança para o Levante UD como uma necessidade, e não um adeus, mas sim um até logo, ao clube Viola, no qual Rossi não conseguiria até ao final da temporada jogar com regularidade. Andrea Pastorello evidenciou ainda a tenacidade da equipa da Comunidade Valenciana, que segundo ele foi a que maior interesse demonstrou no craque italiano.

Rossi foi recebido em clima de festa no Estadi Ciutat de València e a sua apresentação foi digna de uma verdadeira estrela. O avançado italiano não ficou indiferente a todo este entusiasmo, nem mesmo ao abraço e às palavras enternecedoras que recebeu de José Besalduch, o famoso “El Gasolina”, que com 85 anos é porventura o adepto mais famoso do Levante UD, e, numa entrevista recente ao programa Al Primer Toque da rádio Onda Cero, Rossi descreveu o seu ingresso nos Granotes como algo “muito bonito” e manifestou toda a sua felicidade por estar de regresso ao futebol espanhol.

O abraço sentido de José Besalduch a Rossi na dia de apresentação do internacional italiano Fonte: biobiochile.cl
O abraço sentido de José Besalduch a Rossi na dia de apresentação do internacional italiano
Fonte: biobiochile.cl

O talento de Rossi dispensa apresentações e não será por demais dizer que não fossem as sucessivas lesões e estaríamos, eventualmente, na presença de um dos melhores futebolistas europeus da última década. O internacional italiano chega ao Levante UD numa altura em que a formação da Comunidade Valenciana atravessa um momento particularmente preocupante na Liga BBVA. Os pupilos de Rubi, o jovem técnico catalão que assumiu o comando da equipa no final de Outubro de 2014 após a saída de Lucas Alcaraz, ocupam, à data deste artigo, o 19.º lugar da tabela classificativa, com apenas 20 pontos obtidos em 25 jogos disputados.

Apesar da situação delicada em que se encontram é importante realçar que, para além de praticarem um futebol extremamente apelativo, o Levante UD venceu dois dos seus últimos cinco jogos para a Liga BBVA, período esse que coincide com a chegada de Rossi aos Granotes. O versátil avançado italiano teve a sua estreia contra a UD Las Palmas a 25 de Janeiro, apenas três dias depois de ter chegado ao Estadi Ciutat de València, e apesar de ter jogado apenas cerca de 20 minutos dispôs de uma boa oportunidade para marcar, mas não foi capaz de desfeitear o guarda-redes da equipa insular, Javi Varas. No entanto, não tardaria muito em chegar o primeiro golo de Rossi com a camisola de Levante UD e na semana seguinte, na visita ao sempre asfixiante Ramón Sánchez Pizjuán, o internacional italiano não foi de modas, e marcou o único tento da sua equipa na derrota por 3-1 diante do Sevilla FC.

Il Bambino ganhou-lhe o gosto e na passada sexta-feira voltou a ser figura de destaque no regresso às vitórias do Levante UD. Rossi apontou o segundo golo da sua equipa da marca de penálti e ajudou a cimentar o caminho para uma moralizadora vitória por 3-0 diante do Getafe CF antes da visita ao El Madrigal para defrontar o Villarreal CF, um jogo que certamente terá uma carga emocional muito grande para o dianteiro dos Granotes.

Rossi a festejar o seu segundo golo na Liga BBVA que aconteceu na passada 6ªfeira perante o Getafe CF Fonte: Liga BBVA
Rossi a festejar o seu segundo golo na Liga BBVA, que aconteceu na passada sexta-feira perante o Getafe CF
Fonte: Liga BBVA

Enzo Bearzot, o homem do cachimbo, que conduziu a Itália à conquista do Mundial de Futebol de 1982 em Espanha, viu em Rossi uma estrela em potência aquando da sua estreia com a selecção italiana em 2008 e deu-lhe o apelido de “Pepito”. “Pepito” porque jogava em Espanha e porque o fazia lembrar-se do “seu” Paolo “Pablito” Rossi, que havia deixado meio mundo de boca aberta nesse longínquo ano de 1982. Enzo Bearzot, esse verdadeiro pensador do futebol, não se enganou muito em relação ao “novo” Rossi, que não fossem as gravíssimas lesões de que tem sido vítima nos últimos anos e estaríamos certamente na presença de um dos melhores jogadores do mundo da actualidade.

Foto de Capa: Levante UD

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