A CRÓNICA: MARCAR E DEFENDER NEM SEMPRE É SOLUÇÃO

Podia ser um encontro de Champions? Podia, perfeitamente. Certo é que, onze anos depois, o reencontro entre Manchester United FC e AC Milan acabou por acontecer nos “oitavos” da Liga Europa. Os dois históricos do futebol mundial não foram além de um empate a uma bola, num duelo que contou com três portugueses em campo.

Num início de jogo globalmente repartido, o conjunto de Milão até introduziu a bola na baliza contrária por duas vezes nos primeiros dez minutos, mas ambos os lances acabariam por ser invalidados: o primeiro num fora de jogo assinalado a Rafael Leão e o segundo, com recurso ao VAR, devido à mão na bola de Franck Kessié, antes de atirar para o fundo das redes.

Anthony Martial esteve perto de inaugurar o marcador para a equipa da casa, Alexis Saelemaekers para o conjunto visitante, mas o lance mais flagrante (leia-se inacreditável) da primeira parte ficou mesmo reservado para o minuto 38’. Na sequência de um pontapé de canto, Bruno Fernandes penteou a bola para o segundo poste e o capitão Harry Maguire atirou ao poste com a baliza escancarada.

No regresso dos balneários, o emblema de Old Trafford entrou mais agressivo e rapidamente inaugurou o marcador. Após um belo passe em arco de Bruno Fernandes, o recém-entrado Diallo cabeceou de costas, com um chapéu sobre Gigi Donnaruma.

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Como seria de esperar, a equipa de Solskjaer recuou no terreno e o conjunto visitante teve de correr atrás do prejuízo, embora poucas das investidas ofensivas tenham levado realmente perigo à baliza de Dean Henderson. As substituições de Stefano Pioli deram a frescura necessária à equipa e o AC Milan acabou mesmo por chegar à igualdade ao cair do pano, de forma inteiramente justa. Na sequência de um pontapé de canto, Simon Kjaer fugiu à marcação e empatou a eliminatória.

Um resultado que, devido ao golo marcado fora de portas, acaba por dar outro ânimo ao AC Milan, tendo rompido uma sequência de quatro jogos seguidos sem sofrer do Manchester United. Nota ainda para o facto de este ter sido o primeiro empate de sempre entre estas duas equipas, ao décimo primeiro confronto.

A FIGURA


Nemanja Matic – O experiente médio sérvio revelou ser uma autêntica muralha no meio-campo defensivo, principalmente na segunda parte. Além do comprometimento com a defesa, Nemanja Matic demonstrou ainda a calma e a capacidade necessárias nas saídas a partir de trás, embora nem sempre houvesse o devido seguimento dos companheiros mais à frente. Exibição sólida e consistente!

 

O FORA DE JOGO


Daniel James – Passou completamente ao lado do jogo. Nas poucas vezes que tocou na bola, o extremo de 23 anos perdeu o esférico por diversas ocasiões no meio campo adversário e não acrescentou praticamente nada à equipa no momento ofensivo. Na segunda parte, Daniel James ainda teve a possibilidade de ampliar a vantagem (após um momento individual de Greenwood), mas atirou ao lado e acabou por ser substituído logo a seguir.

 

ANÁLISE TÁTICA – MANCHESTER UNITED FC

Ole Gunnar Solsjkaer decidiu promover quatro alterações em relação ao “onze” que derrotou o rival Manchester City no passado domingo: na defesa, Bailly e Alex Telles entraram para os lugares de Lindelof e Luke Shaw, respetivamente; Matic rendeu Fred no duplo pivot com McTominay; e Greenwood ocupou a vaga deixada por Rashford.

Alinhado no já habitual 4-2-3-1, o Manchester United foi construindo o seu jogo a partir de trás, mas nem sempre encontrou as melhores soluções no último terço do terreno. No primeiro tempo, a equipa inglesa não só perdeu várias bolas no setor intermédio, como permitiu que o adversário tivesse bastante espaço nas ações a rondar a grande área.

No regresso dos balneários, a entrada de Diallo permitiu que Bruno Fernandes passasse a ter mais bola e, curiosamente, o golo nasceu precisamente num lance protagonizado pelos dois jogadores. De resto, a missão passou mais por defender a vantagem mínima e sair em contra-ataque, como seria expectável.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Dean Henderson (6)

Alex Telles (6)

Harry Maguire (5)

Eric Bailly (6)

Aaron Wan-Bissaka (6)

Nemanja Matic (8)

Scott McTominay (7)

Daniel James (4)

Bruno Fernandes (7)

Mason Greendwood (6)

Anthony Martial (5)

SUBS UTILIZADOS

Amad Diallo (7)

Luke Shaw (6)

Fred (5)

Brandon Williams (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – AC MILAN

Já Stefano Pioli optou por fazer apenas duas mudanças em relação à equipa que apresentou na passada jornada da Serie A, com as titularidades de Simon Kjaer e Brahim Díaz, em vez de Romagnoli e Castillejo, respetivamente.

Também no clássico 4-2-3-1, o conjunto de Milão destacou-se pelas dificuldades criadas à saída de bola dos red devils e foi a partir daí que nasceram as melhores jogadas da equipa. Com o nulo no marcador, os italianos posicionaram-se em 4-4-2, algo que tornou a equipa mais compacta e organizada a defender.

A entrada praticamente a perder na segunda parte obrigou o Milan a correr mais riscos e, se é verdade que quase sofreu o 2-0, também não deixa de ser verdade que esse ‘pressing’ final conduziu a equipa ao golo do empate que tanto procurou. As substituições feitas por Stefano Pioli revelaram ser as mais acertadas, perante o restante lote de suplentes à disposição.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Gigi Donnarumma (6)

Diogo Dalot (6)

Fikayo Tomori (6)

Simon Kjaer (8)

Davide Calabria (7)

Franck Kessié (6)

Soualiho Meité (5)

Rade Krunic (6)

Alexis Saelemaekers (6)

Brahim Díaz (5)

Rafael Leão (6)

SUBS UTILIZADOS

Samu Castillejo (5)

Sandro Tonali (6)

Pierre Kalulu (6)

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