Precisamente 10 anos após o seu último campeonato nacional, com algumas prestações francamente pobres pelo meio, o Lille OSC lidera o campeonato francês superando todas as expectativas e quando faltam apenas três jornadas para o final do campeonato.  Se a equipa de Christophe Galtier conseguir efetivar os seus intentos, será apenas o 4º título da história do clube, mas será um título muito saboroso, até pela conjuntura atual do futebol francês, onde uma equipa apresenta meios financeiros e estruturais muito superiores às restantes.

11 base*:

Guarda-redes: Mike Maignan

Defesas: Zeki Celik; Jose Fonte; Botman, Reinildo

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Médios: Luiz Araujo, Andre, Soumare, Bamba

Avançados: Burak Ylmaz, Jonathan David

*Jogadores também regularmente utilizados: Timothy Weah, Renato Sanches, Jonathan Ikone e Yusuf Yazici

Vamos então analisar o modelo de uma equipa que conta com uma forte presença portuguesa, tanto no plantel como na equipa técnica.

Apesar de ter um sistema tático muito dinâmico e com muitas mudanças e trocas estruturais, a sua base assenta num 4-4-2, que muitas vezes se comporta como um 4-2-2-2 com os extremos a ocuparem um posicionamento mais interior e a largura a ser assegurada pelos laterais. A sua dupla central de meio campo é essencial no momento de construção, já que são estes a “catapultar” todo o jogo da equipa, principalmente pela capacidade de explorarem a velocidade dos avançados ou dos jogadores que preenchem os corredores.

Como mencionei, a construção é feita a quatro, neste caso os dois centrais mais os dois médios centro, com os laterais em posicionamento médio, preparando a projeção assim que a primeira linha de pressão seja ultrapassada. Os dois médios jogam quase sempre baixos no terreno. Os extremos, partindo das laterais, quase sempre resvalam para um jogo mais interior, o que permite preencher o meio-campo nos locais deixados “vagos” pelo posicionamento baixo dos médios centros.

No que diz respeito aos avançados, estes jogam muito na pressão à linha ofensiva adversária, através do aproveitamento dos espaços abertos pelo posicionamento interior dos extremos. A velocidade e capacidade técnica dos mesmos, permitem ainda que a equipa possa explorar os momentos de transição, com uma taxa muito interessante de aproveitamento neste tipo de jogadas.


A organização defensiva é talvez o momento mais forte da equipa, sendo uma das melhores defesas do campeonato francês. Os avançados, como mencionado, pressionam os centrais adversários, tentando impedir um bom enquadramento no corredor central (isso foi especialmente notório no jogo com o PSG). Os médios podem assumir uma marcação mais à zona ou mais individual de acordo com o adversário.

A linha defensiva, está regularmente posicionada numa fase mais alta do terreno, tendo sempre especial atenção ao controlo da profundidade e da largura, sendo muitas vezes os laterais a fazerem pressão ao jogador do corredor, o que provoca por vezes a existência de “libero” organizando a linha defensiva num 1+3.

A grande arma da equipa do Lille OSC, além da concentração e motivação pela possibilidade de conquista de um trofeu que parecia impossível há uns anos atrás, é a sua flexibilidade tática. Isto torna-os uma equipa muito interessante de ver e de estudar, dado que os jogadores nunca estão estáticos nas suas posições, tornando todo o jogo muito fluido. Destaque para a época fantástica do central e capitão José Fonte e do matador Burak Yilmaz, que apesar da idade, continua a somar exibições, golos e assistências que poderão ser decisivas para o título.

Em jeito de conclusão, o Lille OSC tem sido uma equipa muito forte, principalmente nos jogos grandes (já venceram AC Milan, Lyon e PSG, por exemplo), graças ao entusiasmante e inovador modelo tático aplicado por Christophe Galtier.

Conseguirá segurar este ponto de vantagem e fazer história?

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