ligue 1

Na época passada um novo projecto surgiu – chama-se Mónaco e apostava num regresso do clube aos grandes palcos do futebol mundial. O projecto era ambicioso. Contou com contratações sonantes, como as de Radamel Falcao, João Moutinho, Ricardo Carvalho, James Rodriguez ou Eric Abidal. Mas o que mudou de uma época para a outra? A época passada foi sem dúvida um salto imenso para um clube que tinha acabado de chegar da segunda divisão francesa – terminou como segundo classificado e foi apenas superado pelo poderoso Paris Saint-Germain. E agora? Muitos foram os adeptos, e amantes do futebol, que ficaram desiludidos com o que aconteceu no último mercado de transferências: as saídas de Falcao e de James e nenhuma entrada de peso para as colmatar.

O caso deu que falar. Esperava-se que o magnata russo, Vadim Vasilyev, continuasse a levar a cabo a ideologia demonstrada no início da época transacta: contratar nomes sonantes e elevar o estatuto do Mónaco. Tal não aconteceu e o início da época mostrou uma série de resultados negativos que deixou os adeptos do clube monegasco em alvoroço. Chegou mesmo a falar-se em devolução de bilhetes de época. Para o novo treinador, o ex-leão Leonardo Jardim, o cenário também não se afigurava bonito. Deixou o projecto leonino para se juntar ao Mónaco na expectativa de rumar a maiores destinos, mas viu-se a braço com as saídas de dois pilares da equipa e com um plantel que, aparentemente, não estaria ao nível daquele que lutou pelo título na época passada. O projecto morreu, diziam. Eu discordo.

O projecto não morreu e está longe de morrer. Esta época será ligeiramente antagónica. O fair-play financeiro não permitiu que o clube fizesse grandes movimentações no mercado de transferências, o que fez com que o Mónaco se visse obrigado a apostar essencialmente nos seus jovens ou em jovens talentos provenientes doutros clubes. E talento não falta a estes miúdos! Nomes como Kurzawa, Germain ou Yannick Ferreira-Carrasco representam o talento proveniente das camadas jovens do clube e têm agora maior margem de manobra para jogarem mais minutos e demonstrarem o seu verdadeiro valor.

Moutinho e Bernardo Silva - as caras da experiência e da juventude no meio-campo monegasco  Fonte: Mónaco: madeinfoot.com
Moutinho e Bernardo Silva – as caras da experiência e da juventude no meio-campo monegasco
Fonte: Mónaco: madeinfoot.com

De outros clubes também chegou talento – Wallace, promissor central brasileiro, veio por empréstimo do Sporting de Braga, e Bernardo Silva, médio português proveniente do Benfica que tem brilhado com as cores do Mónaco e que promete cada vez mais vir a ser um dos maiores nomes do futebol nacional a vingar entre a elite mundial do futebol. Juntando estes novos talentos à experiência e qualidade de nomes como Berbatov, João Moutinho ou Ricardo Carvalho, acho que a equipa tem uma margem de progressão enorme, com idades e culturas muitos diferentes a convergirem e a crescerem juntas.

Este projecto está longe de morrer. Este ano, por razões externas, o Mónaco foi forçado a adoptar uma postura mais passiva no mercado de transferências e a apostar em empréstimos e em jovens talentos. As coisas têm vindo a melhorar e o mau início de época tem vindo a ser colmatado por um crescente rendimento no campeonato e por uma campanha sólida na Liga dos Campeões. Para além de tudo isto, ninguém me tira da cabeça que Vadim Vasilyev, juntamente com Leonardo Jardim, estará a preparar uma nova lista de alvos a contratar para a próxima época (ou até mesmo já no mercado de inverno) que irá deixar os seus adeptos muito satisfeitos e a recuperar a ideia original do projecto: grandes nomes para reerguer um grande clube.

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