Se acompanha Futebol Internacional já ouviu, com certeza, o nome de Richarlison. Aos 21 anos é uma das maiores promessas brasileiras, é a transferência mais cara da história do Everton FC e já teve inclusive a oportunidade de se estrear e marcar pela canarinha. Mas vamos por partes.

Nem tudo foram rosas na vida deste jovem. Recentemente, numa entrevista, revelou as dificuldades que teve para singrar no futebol: “Não me chegam os dedos das mãos para contar o número de vezes que fui rejeitado. Estive perto de deixar o futebol, mas levantei a cabeça e fui a Belo Horizonte só com o dinheiro para o bilhete de ida para a última prova que tinha, no América-MG. Se não passasse, não tinha dinheiro para voltar a casa. Dei a vida naquela manhã e fui aprovado”.

Depois desta fase mais conturbada, brilhou já a nível sénior no América-MG e, depois, no Fluminense, o que lhe valeu uma transferência para a Europa e logo para a Premier League. Passar diretamente de um campeonato sul-americano para o inglês, sem passar por um campeonato mais periférico (como o português) poderia dificultar muito a adaptação de Richarlison, mas a verdade é que o arranque dificilmente poderia ter sido melhor. No Watford FC, treinado então por Marco Silva, encheu logo as medidas ao técnico luso que os escalou invariavelmente no onze inicial, apontando cinco golos nos doze primeiros jogos. Com o despedimento do técnico português que o próprio Richarlison apelidou como “um pai” para si, o seu rendimento também caiu de produção, não marcando qualquer golo desde Novembro.

No entanto, nesta nova época era um dos alvos mais apetecíveis no mercado e acabaria por encontrar de novo Marco Silva, desta vez no Everton FC, naquela que foi a maior contratação de sempre dos Toffees: 40 milhões de euros. Tal como em Vicarage Road, o seu impacto foi imediato: partindo da esquerda e com o apoio de Tosun ao centro, Richarlison fez praticamente o que quis da defesa dos «Wolves», apontando dois golos na estreia, um dos quais quando a sua equipa se encontrava em inferioridade numérica, período em que se evidenciou ainda mais.

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O casamento entre Richarlison e o Everton parece perfeito: três golos em quatro jogos
Fonte: Everton FC

Na segunda jornada, frente ao Southampton, voltou a picar o ponto e ajudou a equipa a vencer o seu primeiro jogo desta época. No entanto, na jornada seguinte, borrou a pintura ao ceder na provocação de um adversário, agredindo-o e deixando a sua equipa com 10 elementos ainda na primeira parte. A equipa viria a empatar esse jogo e Richarlison ficou castigado por três partidas. O Everton daí para cá não mais voltou a vencer no campeonato, sendo que, pelo meio, o brasileiro teve a possibilidade de se estrear pela sua seleção e até bisou na partida frente a El Salvador.

Neste domingo, regressou da suspensão e foi titular no Emirates Stadium, casa do Arsenal FC. Apesar da derrota, Richarlison esteve uma vez mais em evidência, partindo da esquerda para o meio e deixando adversários para trás com a sua técnica e potência. Cheirou o golo em três ocasiões, mas teve sempre pela frente um inspirado Petr Cech.

Em apenas quatro jogos, apontou três dos oito golos da sua equipa nos seis jogos do campeonato, tantos como os restantes avançados juntos. A sua imprevisibilidade, velocidade, técnica e potência deixam a cabeça em água a qualquer oponente e ainda podem ser aprimoradas, se conseguir traduzir as suas capacidades em melhores números.

 

Foto de Capa:  Everton FC

Artigo revisto por: Jorge Neves