o passado tambem chuta

 «Não direi que fui o melhor treinador de todos, mas estava seguramente no top-1» – Brian Clough

No mundo da mitologia deparamo-nos com assinaláveis feitos de heróis e deuses da antiguidade. Não raras as vezes, a crença e a interpretação do irracional mistura-se com as concepções positivas dos contemporâneos.

Penso nisto e lembro-me de um nome incontornável da história do futebol mundial: Brian Clough. O “Carismático, polémico e inigualável” treinador inglês que transformou a década de 70.

Este mítico treinador tornou-se célebre por ter conduzido os rivais Derby County e Nottingham Forest do segundo escalão à primeira divisão inglesa, sagrando-se, inclusive campeão de Inglaterra pelos dois emblemas logo no ano de estreia no principal escalão.

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A saga de Clough começara na época de 1972/1973 com a conquista do título inglês pelos “The Rams”. Um feito notável para uma modesta equipa de Derby, uma cidade situada nas margens do Rio Derwent.

Em Setembro de 2014, os adeptos rivais de Derby e Nottingham uniram-se em homenagem a Clough Fonte: TheGuardian
Em Setembro de 2014, os adeptos rivais de Derby e Nottingham uniram-se em homenagem a Clough
Fonte: TheGuardian

 

Na época seguinte atingiu as meias-finais da Taça dos Clubes Campeões Europeus, sendo apenas eliminado pela poderosa Juventus de Dino Zoff. Depois de ver recusado um pedido de aumento salarial saiu do clube e, teve passagens pouco felizes pelo Brighton & Hove Albion e Leeds United. Foram estes os últimos clubes de Clough antes de protagonizar aquele que é um dos maiores contos de fadas do futebol mundial.

Dizia-se à época que West Bridgford, uma pequena localidade no subúrbio de Nottingham acordava todos os dias sob um manto feiticeiro. A verdade é que à semelhança do que tinha feito no rival e vizinho Derby County, Clough assumiu o comando técnico do também ele modesto Nottingham Forest e conduziu o clube ao primeiro escalão, sendo campeão inglês na época seguinte. Corria a época de 1977/1978.

Se a lenda do feiticeiro Brian Clough crescia, aquilo que tinha guardado para as duas épocas seguintes elevavam-no para a categoria dos imortais. Qual toque de midas, o Nottingham Forest sagrar-se-ia bicampeão europeu, derrotando na final o Malmoe da Suécia. Um ano depois repetia a façanha diante do gigante alemão Hamburgo, em pleno Santiago Barnabeu, atingindo assim a glória suprema.