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Minuto 90: Courtouis, depois de um ataque inconsequente do Burnley, atira a bola para a bancada. O esférico fica no telhado do estádio e, lentamente, vai descendo e chega ao relvado. Sem o contributo de apanha-bolas. É um pouco a magia de Turf Moor. O estádio do Burnley que tem sido um aliado fortíssimo. Os treinadores costumam negar as diferentes personalidades de uma equipa mas, neste caso, não há como fugir: o Burnley está a fazer um campeonato tranquilo e o principal culpado é o seu estádio.

Se algum dia estivermos à procura de uma definição sobre o que é, ou o que era – o futebol globalizou-se e perdeu identidades – o futebol inglês, esta equipa do Burneley pode servir de exemplo. Equipa compacta, forte fisicamente e aposta no kick and rush. É claro que o processo ofensivo da equipa não se resume a isso pois, em alguns momentos, a equipa também sabe ter bola no chão.

Os comandados de Sean Dyche – treinador duro e que procura sempre que a sua equipa se mantenha ao seu estilo – têm sido um osso duro de roer… em casa. O comportamento da equipa fora de casa é frágil. As individualidades não fazem a diferença, ainda que, inseridas num determinado contexto, podem ser eficientes. Keane dá segurança defensiva, Barton, patinho-feio, dá consistência ao meio-campo e, na frente, três avançados fortes (Gray, Barnes e Vokes). Brady, recente reforço, mostrou frente ao Chelsea para aquilo que vem: ser decisivo.

O futebol mudou, e muito nos últimos tempos. As identidades dos diferentes campeonatos ficaram desvirtuadas e, aquilo que há décadas era uma coisa, hoje em dia, em Inglaterra é outra. O futebol britânico está cheio de diferentes influências mas, no meio de tantas e boas ideias vindas de diferentes cantos do mundo futebolístico, ficamos com esta proposta mais clássica. Sabe sempre bem.

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Foto de capa: Burnley FC