A CRÓNICA: MESTRE DERROTA O APRENDIZ TRAÍDO PELO SUPLENTE

17 de junho de 2020 é uma data que ficará nos livros de história da Premier League. Já não se jogava uma partida no escalão máximo do futebol inglês em junho desde 1947. Passaram-se 101 dias desde que se jogou a 29.ª jornada, a última vez que as equipas inglesas jogaram diante dos seus adeptos. Contudo, o clássico entre Manchester City FC e Arsenal FC ia colocar um ponto final na 28.ª jornadaque tinha jogos em atraso. O Etihad foi o grande palco no dia que ditou o regresso da melhor liga do mundo.

Feita a introdução: Cityzens e Gunners defrontaram-se pela 199.ª vez na sua história.

A primeira parte ficou marcada pelo azar do Arsenal, que começou bem cedo: ao quinto minuto de jogo, Granit Xhaka torceu o pé no relvado e o técnico Mikel Arteta viu-se obrigado a mexer na equipa, colocando Dani Ceballos para render o suíço. A infelicidade não ficou por aqui. Aos 20 minutos, o defesa-central espanhol Pablo Marí lesionou-se no tendão de Aquiles depois de fazer um sprint em que tentava acompanhar Kyle Walker. Arteta foi forçado a fazer uma segunda substituição fora dos planos. Fez entrar David Luiz para o lugar do espanhol, uma entrada que acabou por não ter um final feliz.

Anúncio Publicitário

Nos últimos quinze minutos da primeira parte, o Man. City tentou tudo para inaugurar o marcador, mas Bernd Leno mostrou-se numa grande forma no regresso da Liga inglesa. O primeiro a testar o alemão foi Raheem Sterling que, após passe de Mendy, puxou a bola para dentro e tentou colocar a bola no segundo poste mas acabou por ser negado pelo alemão. No minuto seguinte, David Silva recebeu um belíssimo passe de Gabriel Jesus e obrigou Leno a testar a sua flexibilidade para evitar o golo inaugural.

Golo este que só acontece aos 45+2’, quando os jogadores já pareciam todos prontos para recolher ao balneário. E só acontece por causa de um erro grave de David Luiz na sequência dum passe algo banal de Kevin De Bruyne. O defesa-central brasileiro deixou fugir uma bola fácil porque a tentou controlar com a perna, mas falhou. Depois, Sterling viu-se isolado e teve todo o tempo que quis para fuzilar Leno – não perdoou.

A catástrofe chamada David Luiz não ficou por aqui. No início da segunda parte, aos 48 minutos, o brasileiro é ultrapassado pela velocidade de Riyad Mahrez e só o consegue parar fazendo uma falta disparatada dentro da grande área. O árbitro Anthony Taylor assinala, sem quaisquer dúvidas, penálti e cartão vermelho para David Luiz. Kevin De Bruyne converte o castigo máximo e está feito o 2-0.

O resto do jogo não teve grande história. Contra dez, Pep Guardiola deu instruções para que o jogo fosse encarado como um amigável de pré-época. Mandou a sua equipa abrandar e controlar o jogo, ensaiando jogadas e criando ainda situações de perigo, mas muito esporadicamente.

O jogo acaba dez para dez porque Eric García saiu de maca após ter sofrido uma lesão grave depois de um choque violento com o seu colega de equipa, Ederson. Já em igualdade numérica, Phil Foden ainda faz o gosto ao pé. Numa construção rápida do ataque dos Cityzens, o jovem jogador inglês aproveita o remate de Aguero e, na recarga, marcou o seu primeiro golo nesta edição da Premier League.

Com esta vitória, Manchester City reduz para 22 pontos a desvantagem que leva para o quase campeão Liverpool e segura o segundo lugar com ainda mais força, estando agora sete pontos à frente do Leicester. Já o Arsenal continua a ocupar o nono lugar da tabela classificativa.

A FIGURA

Kevin De Bruyne – Mais um recital de Kevin De Bruyne. Não fazendo o seu melhor jogo da temporada, KDB apresentou-se em muito boa forma e merece o prémio de homem do jogo porque esteve envolvido em quase todos os lances de perigo criados pelo Manchester City. E só não está no terceiro golo porque já não estava em campo. Bastaram 70 minutos de jogo ao belga para resolver a partida com uma assistência e um golo. É sempre fantástico ver como trata a bola. Sempre que joga arrisca-se a ser homem do jogo. E hoje, não foi exceção. Que classe.

O FORA DE JOGO

David Luiz – Uma catástrofe. O Arsenal até estava a olhar para o Manchester City olhos nos olhos e só não o conseguiu voltar a fazer depois da sua entrada. Aos 20 minutos, Arteta perde o jogo quando vê Pablo Marí a lesionar-se e se vê obrigado a colocar David Luiz no seu lugar. Aos 45+2’, falha uma receção fácil e permite o 1-0. Aos 48’, faz um penálti por culpa da sua lentidão e vê o vermelho direto, voltando a oferecer ao adversário um golo de bandeja.

Este foi, talvez, o pior jogo da carreira de David Luiz. Numa altura em que o seu regresso ao Benfica tem sido falado, os dirigentes das águias não deviam deixar de assistir, pelo menos, ao resumo deste jogo. Tão desastroso que pode levantar algumas questões relativamente à contratação do brasileiro.

ANÁLISE TÁTICA – MANCHESTER CITY FC

Para defrontar o seu antigo treinador-adjunto, Pep Guardiola escolheu o já típico 4-3-3 no regresso da Premier League. Sempre cínico, o treinador catalão soube ler todos os momentos da partida. Não teve medo de abdicar da posse de bola nos primeiros vinte minutos, cansando o Arsenal. Isto permitiu aos Cityzens serem donos e senhores do último quarto de hora da primeira parte – onde, de resto, acabam por chegar ao golo.

Jogou a segunda parte quase toda contra dez e confortável com o marcador. Deu para ensaiar jogadas, tentar coisas novas e treinar jogo com bola. 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ederson (6)

Kyle Walker (7)

Eric García (6)

Laporte (6)

Benjamin Mendy (6)

David Silva (6)

Gündogan (7)

De Bruyne (8)

Mahrez (6)

Gabriel Jesus (6)

Sterling (8)

SUBS UTILIZADOS

Bernardo Silva (5)

Phil Foden (7)

Fernandinho (-)

Rodri (6)

Aguero (6)

ANÁLISE TÁTICA – ARSENAL FC

Para defrontar o mestre, o aprendiz Mikel Arteta levou uma equipa jovem e uma tática inteligente. Um 4-5-1 nos momentos defensivos, que rapidamente se transformava num ataque com dois pontas de lança ao ver Aubameyang à procura de zonas mais centrais na frente de ataque. Nos primeiros vinte minutos da partida, o Arsenal conseguiu superiorizar-se, trocando a bola com qualidade mas sem nunca ter conseguido criar uma efetiva situação de golo nos 90 minutos de jogo.

A superioridade do Manchester City acaba por se confirmar na falta de profundidade do plantel dos Gunners e no azar que a turma de Mikel Arteta teve com as lesões e com o jogo infeliz de David Luiz. 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Leno (8)

Bellerín (5)

Pablo Marí (5)

Mustafi (5)

Kieran Tierney (6)

Xhaka (-)

Guendouzi (6)

Bukayo Saka (6)

Joe Willock (5)

Aubameyang (5)

Eddie Nketiah (5)

SUBS UTILIZADOS

Dani Ceballos (6)

David Luiz (1)

Lacazette (-)

Reiss-Nelson (-)

Maitland-Niles (-)

Comentários