cab premier league liga inglesa

Esta Premier League não está a correr como era esperado. Liverpool, Arsenal e sobretudo o Manchester United estão muito longe daquilo que foram em épocas anteriores e isso reflecte-se na tabela classificativa. Se no passado tivemos campeonatos empolgantes, com três ou mais equipas na disputa até ao fim, este ano apenas duas se encontram nessa batalha. E que batalha! Manchester City e Chelsea prometem emoção e espectáculo até ao último minuto. Com números muito idênticos no ano civil de 2014 (27 vitórias, 7 empates e 4 derrotas para ambas as equipas), vou com este texto dar a minha visão sobre este duelo de milionários.

BALIZA
Nesta posição o Chelsea está claramente mais forte. É, na minha opinião, a equipa a nível mundial que está melhor servida. Tanto Thibaut Courtois como Petr Cech são melhores do que o titular da equipa dos citizens – Joe Hart.

DEFESA
Uma das grandes virtudes de Mourinho – a construção de defesas fortes e sólidas. Gary Cahill e um renascido John Terry têm sido absolutamente fenomenais na protecção da baliza defendida por Courtois. Ganham a maior parte das bolas aéreas e compensam a pouca velocidade com um sentido posicional muito bom. Igual para Ivanovic. Não é um tipo de lateral direito que eu aprecie, mas a verdade é que há poucos tão eficazes como ele. Não lhe peçam para fazer piscinas e cruzamentos milimétricos, mas é provavelmente o melhor do mundo da sua posição em trabalho defensivo, letal também em bolas paradas. Do outro lado temos outro jogador que nunca seria uma primeira escolha da minha equipa de sonho, Azpilicueta, mas a verdade é que o espanhol não perdeu o lugar para Filipe Luís. Uma vez Mourinho disse que ganhava uma Champions League se jogasse com onze Azpilicuetas e é capaz de ter razão. Afinal, é Mourinho que o diz.

Do lado adversário, a dupla de centrais utilizada por Pellegrini não tem sido regular: Mangala, Demichelis e Kompany vão trocando entre si. Não é tão sólida e tão forte como a defesa dos azuis londrinos, mas ainda assim é melhor do que todas as outras da Premier League, o que diz muito da qualidade destas duas equipas. Do lado direito da defesa surge Zabaleta, para muitos o melhor defesa direito do mundo. Melhorou bastante o seu jogo ofensivo com a vinda do técnico chileno, e mantém um nível elevado de regularidade já há algum tempo. Nem a chegada de Sagna a Manchester fez tremer o vice-campeão do Mundo. Na esquerda já temos alguma rotatividade entre Clichy e Kolarov. São jogadores muito diferentes, mas de qualidade semelhante naquilo que trazem ao jogo.

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Defesas sérvios em disputa acesa Fonte: Facebook do Man City
Defesas sérvios em disputa acesa
Fonte: Facebook do Man City

MEIO CAMPO
A chegada de Matic ao grupo de José Mourinho, em Janeiro de 2014, veio trazer uma segurança enorme e ainda uma calma na construção de jogo que não havia com David Luiz. É por esta altura considerado por muitos o melhor médio a jogar em terras britânicas e esta época tem estado absolutamente incrível. Faz do corpo uma muralha quase intransponível. Corta, ganha no ar e sai a jogar com qualidade. Se a chegada de Matic veio trazer destruição do jogo adversário, a chegada de Fàbregas veio trazer construção e um equilíbrio perfeito à equipa de Londres. Joga como um vagabundo no meio campo e tanto aparece ao lado de Matic como está a assistir na perfeição Diego Costa, surgindo por vezes na pele de um verdadeiro ponta de lança em zonas de finalização. O elemento mais avançado deste miolo é Óscar, um verdadeiro 10, mas não um verdadeiro 10 brasileiro. Um 10 europeu. Um 10 que sabe fintar, rematar, passar e marcar livres, mas um 10 que também sabe fazer um sliding tackles e apoiar a defesa quando necessário.

Em Manchester temos a dupla dos Fernandos. O ex-Porto tem-se revelado aos ingleses que duvidavam da sua valia. No Dragão jogava sozinho à frente da defesa e era assim que sabia jogar bem. Colocar um jogador ao seu lado era quase enjaulá-lo a si mesmo. Cresceu, ganhou maturidade táctica e agora sim tem ao seu lado um grande amparo. Fernando é um trinco que sabe destruir, mas que não sabe construir; talvez daí a sua saída tão tardia do FC Porto para um campeonato de maior dimensão. Neste Manchester City joga com Fernandinho ao seu lado, que tem a função de ser o primeiro construtor de jogo da equipa. Ainda no centro do terreno aparece Yaya Touré, que dispensa qualquer tipo de apresentações. Um tractor em campo. Apesar de não parecer apresentar-se na sua melhor forma, continua a ser um jogador excepcional e um dos melhores médios do mundo. Corta, corre, passa e remata. Um enorme jogador. Quem contrasta com Yaya a nível de forma é Samir Nasri. Depois de quase duas temporadas em que passou algo despercebido da equipa e sem grande importância no seu jogo, o francês tem sido um dos melhores dos light blues. Já David Silva é outro, mas esse nunca se escondeu. Um enorme jogador que tende a criar grandes lances e marcar enormes golos, um génio. Jesus Navas trouxe a velocidade que faltava às alas desta equipa. Supersónico, é capaz de rasgar uma defesa quando arranca e depois tanto finaliza como assiste com classe.

Lampard
Lampard é um elo de ligação entre os dois clubes
Fonte: Facebook do Man City

ATAQUE
Eto’o, Torres e Demba Ba. Estes eram os três atacantes que Mourinho tinha à sua disposição na passada época. Esses três juntos não faziam um Diego Costa. O hispano-brasileiro tem tudo para se consagrar como o melhor avançado do planeta esta época. Provavelmente vai terminar o campeonato como goleador máximo. Um jogador à imagem de Mou – forte, muito forte. Provocativo, muito provocativo. Para além de receber as assistências magníficas de Cesc, tem ainda o enorme prazer de ser apoiado por Willian na direita, uma flecha, e por Hazard na esquerda, um dos melhores do mundo. O belga está cada vez melhor e a cada arrancada que faz os adeptos sentem que há ali muitas hipóteses de acabar com a bola no fundo da baliza.

No Etihad Stadium joga-se com um sistema diferente. Dzeko e Agüero complementam-se de forma quase perfeita, e é com muita pena que não posso ver esta dupla mais vezes. As lesões tanto de um como do outro condicionam e muito a qualidade ofensiva desta equipa. Ainda assim, quando jogam, formam uma das melhores duplas do globo. Se conseguisse jogar com tanta regularidade como Messi e Ronaldo, Agüero estaria, na minha opinião, na luta com os dois pela Bola de Ouro, algo demonstrativo da qualidade do argentino.

Hazard é uma das figuras do ataque londrino  Fonte: Facebook do Man City
Hazard é uma das figuras do ataque londrino
Fonte: Facebook do Man City

BANCO
O Chelsea tem mais e melhores opções para colmatar saídas do seu onze. Na baliza, Cech oferece mais segurança do que o titular do Manchester. Para a defesa há dois jovens prodígios (Zouma e Aké) e ainda Filipe Luís, que foi peça fundamental de Simeone no Atletico Madrid. No meio campo, quer Ramires, quer Obi Mikel eram titulares em quase todas as outras equipas da Premier. O mesmo se passa com Schürrle, Salah, Drogba ou Rémy, opções mais ofensivas.

Pellegrini, por sua vez, tem um banco mais pobre. Trouxe consigo do Málaga Willy Caballero, que, apesar de tudo, cumpre bem quando chamado a jogo. Na defesa, sim, estão mais bem servidos do que o conjunto de José Mourinho. De Kompany, Mangala ou Demichelis há sempre um que vai ao banco. Assim como Kolarov ou Clichy, não esquecendo ainda Bacary Sagna, que tanto pode jogar a defesa lateral direito como a defesa central. No meio campo perdem claramente: apesar de Lampard e Milner estarem muito bem, não me parece que ofereçam tanta frescura a partir do banco como um Ramires ou um Schürrle. No ataque, creio existir um empate. O recém-chegado Bony e o montenegrino Jovetic são excelentes opções a partir do banco e podem desbloquear um jogo a qualquer momento. Mas o City é um clube especial, já que do meio campo para a frente é quase impossível distinguir os titulares, dado o elevado número de lesões neste sector do terreno.

TREINADOR
Mourinho vence, claro. O ano passado, com uma equipa muito pior em relação à desta temporada, andou lá na luta. Mas a verdade é que o campeão é o seu rival.

VEREDICTO FINAL
Na minha opinião, mas contra a minha vontade, o Chelsea vai acabar por ser o campeão. Numa competição com níveis competitivos tão elevados como os do campeonato inglês, ter um bom banco é quase tão fundamental como ter um grande onze inicial. O facto de Mourinho costumar vencer os jogos ‘a doer’ tem também um peso enorme nesta minha antevisão.

Foto de Capa: Facebook do Man City