A Premier League é um campeonato altamente imprevisível, mas poucos esperariam que o Newcastle fosse o último classificado após 5 jornadas disputadas. Os magpies, que ainda não venceram qualquer encontro, somam apenas 3 pontos e têm apresentado um nível de jogo bastante aquém do desejável. Tendo em conta que o plantel tem qualidade para ficar tranquilamente na primeira metade da tabela, terão de ser atribuídas responsabilidades a Alan Pardew. O treinador inglês não tem sabido responder à sequência de maus resultados (venceu apenas 1 dos últimos 13 encontros) e, numa fase em que os adeptos já pedem a sua demissão, não deve permanecer por muito mais tempo no comando técnico da equipa (mantê-lo no cargo é apenas adiar o inevitável).

Pardew é treinador do Newcastle desde 2010/11, ano em que o clube regressou à Premier League. Conseguiu manter os magpies na primeira divisão nessa temporada e, na época seguinte, alcançou um brilhante quinto lugar. Como prémio por esse resultado, a direcção do clube decidiu dar-lhe um contrato de 8 anos (até 2020), algo pouco habitual no futebol moderno. O voto de confiança não teve o efeito que os responsáveis do clube inglês esperavam, pois desde então os resultados têm ido de mal a pior. Pardew parece estar acomodado no cargo e já não tem capacidade para motivar os jogadores.

Falta de qualidade individual não é, de todo, a explicação para o facto de o Newcastle ainda não ter conseguido vencer na Premier League. O plantel, que já tinha nomes como Krul, Sissoko ou Papiss Cissé, recebeu um lote de reforços de imensa categoria: Daryl Janmaat, Jack Colback, Rémy Cabella, Siem de Jong, Emmanuel Rivière e Ayoze Pérez, avançado que brilhou na segunda liga espanhola. O lateral direito holandês, que já merecia experimentar outro campeonato, chegou para colmatar a saída de Debuchy para o Arsenal; o médio ex-Sunderland, já com bastante estatuto no futebol inglês, está a desempenhar o mesmo papel que pertencia a Cabaye; Cabella, claramente a grande contratação dos magpies para esta temporada, é um craque (criativo e com muita qualidade técnica) e tem tudo para ser uma das figuras da equipa; de Jong, a eterna promessa do Ajax, não atingiu o nível que se esperava mas é um jogador com bastante qualidade; e Emmanuel Rivière, que veio ocupar a vaga deixada em aberto por Rémy, foi a referência ofensiva do Mónaco (destacou-se mais do que Falcao) na primeira metade da última temporada. Em suma, a abordagem ao mercado foi excelente e permitiu colmatar da melhor forma a saída de alguns jogadores preponderantes, mas para já os resultados não estão a ser positivos.

Papiss Cissé deverá voltar a assumir-se como a referência do ataque  Fonte: BBC
Papiss Cissé deverá voltar a assumir-se como a referência do ataque
Fonte: BBC

Quem poderá ser fundamental para que o Newcastle consiga sair desta situação complicada é Papiss Cissé. O senegalês, que não jogava desde Abril, bisou no empate frente ao Hull e, apesar de ter feito apenas 15 jogos na última temporada, continua a ser a principal referência ofensiva dos magpies. O goleador deve ganhar a titularidade na frente de ataque, relegando Rivière, que vem sendo opção inicial, para o banco de suplentes. Ayoze Pérez, que chegou a ser associado ao Porto, apenas deverá ter oportunidades nas Taças.

Ainda falta muito campeonato e, pelo menos por enquanto, é impensável que o Newcastle volte a descer de divisão. A equipa ainda tem margem para entrar nos eixos, mas não é crível que Alan Pardew seja o homem certo para fazer com que os magpies voltem ao lugar que merecem. O resultado final desta época dependerá da rapidez da decisão dos dirigentes do clube inglês. Se resolverem evitar ao máximo o despedimento do actual técnico, não deverão aspirar a mais do que a luta pela manutenção; caso substituam o treinador no imediato (ou, pelo menos, num futuro próximo), terão condições para conseguir, no mínimo, um lugar na primeira metade da tabela.

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