Publicidade

Nuno Espírito Santo: o que mudou?

Tiago Serrano · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Cabeçalho Futebol InternacionalAcho que nenhum fã de Futebol pode negar que a escola de treinadores portugueses é das melhores do mundo. E, como tal, têm sido vários os treinadores nacionais que têm e/ou estão a dar cartas no estrangeiro. Nesta temporada, houve mais um treinador luso a juntar-se ao rol: falo de Nuno Espírito Santo. O antigo guarda-redes parece estar a reencontrar-se como treinador em Wolverhampton, depois das experiências frustradas no Valência e no FC Porto.

O clube da região de West Midlands lidera de forma isolada o Championship com 61 pontos em 21 jogos, tendo mais 12 pontos do que o segundo classificado (Derby County) e mais 14 do que o terceiro (Cardiff City), possuindo ainda o melhor ataque e a melhor defesa da competição. Mas, afinal de contas, o que terá mudado para que Nuno Espírito Santo tenha começado a mostrar bons resultados num campeonato muito competitivo e num dos campeonatos que movimenta mais dinheiro na Europa?

Primeiro que tudo, há que analisar o Futebol praticado pelas equipas de Nuno Espírito Santo. Um futebol conservador e expectante, cuja prioridade é a anulação do jogo do adversário e que está assente em dois aspectos do jogo: consistência defensiva e transição ofensiva.

Este estilo de jogo não resultou no FC Porto, que se mostrava consistente do ponto de vista defensivo, mas que apresentava um défice de produtividade a nível ofensivo, embora este tenha melhorado com a chegada de Tiquinho Soares, em janeiro. Sem esquecer as suas gritantes falhas de comunicação. O célebre episódio dos desenhos é a prova de que saber elaborar uma mensagem é uma coisa e saber transmiti-la é outra.

Ora, ao ver este Wolverhamton em acção, vejo que o clube tem vários jogadores que têm qualidade para jogar em vários patamares acima, como os casos dos portugueses Rúben Neves e Diogo Jota e do ex-Estoril Léo Bonatini. E, talvez por isso, fosse expectável que os Wolves tivessem uma palavra a dizer na luta pelo acesso à Premier League, depois do modesto 15º lugar obtido na época passada.

Na minha opinião, o segredo está no sistema táctico. No FC Porto, Nuno Espírito Santo alternava entre o 4-3-3 e o 4-4-2. No Wolverhampton tem optado pelo 3-4-3. E, na minha opinião, o 3-4-3 é a táctica mais compatível com o Futebol de transições rápidas do treinador português.

O Wolverhampton tem dominado o Championship desde o início. Fonte: Wolverhampton Wanderers FC
O Wolverhampton tem dominado o Championship desde o início.
Fonte: Wolverhampton Wanderers FC

Porque vejamos: o 3-4-3 contempla a existência de dois alas que perfazem todo o corredor, dando assim profundidade ao jogo da sua equipa. Depois, os extremos (Ivan Cavaleiro e Diogo Jota) são, na verdade, avançados interiores que flectem muito para zonas centrais do terreno, oferecendo, assim, linhas de passe aos médios e aumentado, assim, a probabilidade de haver situações de vantagem numérica nessa zona do terreno. Depois, uma táctica com três centrais  e com dois alas bastante ofensivos também promove que a equipa jogue com uma linha defensiva bastante subida, aumentando as possibilidades de recuperar a bola ainda no meio-campo adversário. E, ao contrário do que se verificava no FC Porto, a equipa não tem tido um défice de produtividade no ataque, como comprovam os 50 golos marcados em 26 jogos, com Léo Bonatini a ser o principal artilheiro da equipa.

Sendo assim, só mesmo uma catástrofe irá impedir o regresso dos lobos de West Midlands ao campeonato mais competitivo do mundo e Nuno Espírito Santo está a mostrar que consegue mostrar serviço num clube de menor dimensão onde pode fazer validar a sua ideia de jogo. Será, certamente, um treinador a seguir nos próximos tempos.

 

Foto de Capa: Wolverhampton Wanderers FC

Artigo revisto por: Ana Rita Cristóvão

Tiago Serrano

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

GP Estados Unidos: Kimi Antonelli a dois pontos do título

A CORRIDA: AINDA NÃO FOI DESTA, MAS KIMI ANTONELLI FEZ TUDO O QUE LHE COMPETIA NO FIM DE SEMANA DE AUSTIN Kimi Antonelli venceu este domingo o Grande Prémio dos Estados Unidos de Fórmula 1, com o título a ser apenas uma formalidade à espera de acontecer, que será provavelmente na ronda seguinte, no México, onde um nono lugar chega para assegurar o cetro.

Bernardo Figueiredo · 2 min de leitura
Ler a crónica
Benfica

O Açor não tem medo da Águia | Santa Clara x Benfica

«A nós compete-nos olhar para nós. Não é agradável olhar para a classificação. Quem não gostar de olhar, não olhe, e quem não sentir nada pode olhar.» Foi assim, lacónico, que Marco Silva abordou a já histórica sequência do FC Porto, de começar o campeonato com nove vitórias consecutivas. O Benfica está bem e recomenda-se, como ficou patente pela segunda parte feita em Nicósia na quinta-feira passada, mas entra, à condição, a oito pontos dos Dragões, no difícil desafio desta segunda-feira. «Já disse aos jogadores que temos de olhar para nós e ganhar os nossos jogos. A partir do momento em que preparámos a temporada, não previmos estar à frente ou atrás, sabendo que iríamos jogar muitas vezes depois dos nossos adversários, porque, competindo na Liga Europa, sabemos que isso vai acontecer. Não adianta gastar energia naquilo que não controlamos.» E, realmente, o Benfica tem feito a sua parte. Os recordes ofensivos sucedem-se e obrigam às comparações com Jesus e Eriksson, a estatística aproximando a actual equipa de outras, das que conseguiram conciliar nota artística e troféus. E, à boa maneira dos dois referidos, é na crista da onda que Marco Silva aproveita para dar ar do seu perfeccionismo e exigência - ainda mais impressionantes que as dinâmicas de futebol associativo: «Também gosto de sofrer poucos golos. Gosto de incutir nos jogadores a ideia de que não há ninguém que consiga atacar bem sem ter a capacidade de não sofrer golos. Fiquei muito satisfeito com o resultado frente ao Omonia, mas furioso com o golo sofrido. Quando recuamos tantos anos na história de um clube da dimensão do Benfica, que habitualmente é dominador e que teve grandes jogadores com grande capacidade ofensiva, é sinal de que estamos a fazer as coisas bem. Sempre foi meu objetivo que as pessoas sentissem que é o Benfica que está a jogar, independentemente de não sermos perfeitos, porque estamos muito longe disso. Sou o primeiro a dizer que há um caminho muito grande para percorrermos em todos os aspetos daquilo que queremos para o Benfica, mas estou satisfeito com a abertura e a abordagem dos jogadores, que querem sempre melhorar.»

Pedro Cantoneiro · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.