Estávamos em abril deste ano e o Norwich City FC já tinha carimbado a sua promoção à Premier League. Um resultado típico para uma equipa já habituada a estas andanças: afinal de contas, é a terceira vez nas últimas seis épocas que os canaries sobem à primeira divisão do futebol inglês. Isto significa, claro, que a equipa também já foi despromovida duas vezes neste espaço de tempo. Será que a equipa do Este de Inglaterra vai conseguir, em 2019/2020, livrar-se do rótulo de yo-yo club?

Um yo-yo club é uma equipa caracterizada por oscilar constantemente entre a primeira e a segunda divisão de um país. O Norwich tem sido vítima deste fado, em parte devido a má preparação, em parte devido a falta de investimento. Em 2016, a despromoção ficou consumada na penúltima jornada da Premier League. Apesar da vitória por 4-2 sobre o Watford, o Norwich viera de uma fase de quatro jogos sem vencer nem marcar. O seu destino estava nas mãos do Sunderland, que ganhou nessa tarde por 3-0 ao Everton FC e lançou os homens treinados por Alex Neill para o Championship. A equipa que contava com o ex-jogador do Sporting CP Ricky Van Wolfswinkel tinha gasto apenas 12,5 milhões de libras naquela época, consumando, à partida, o seu destino. Sem reforços de peso, um plantel vindo da segunda divisão não tivera capacidade para aguentar a competitividade da Premier League.

Dificilmente veremos o Norwich a levantar uma taça em 2020
Fonte: Norwich City FC

Desse grupo de jogadores, apenas o central suíco Timm Klose se mantém. O Norwich vai enfrentar a Primeira Divisão Inglesa com um plantel muito diferente daquele que sofreu a última despromoção. A direção manteve-se, porém, conservadora na sua política de transferências. Segundo o TransferMarkt, gastou menos de cinco  milhões de euros em transferências. O empréstimo de Ralf Fährmann (guarda redes do Schalke 04) a troco de três milhões foi o principal destaque, e a contratação do lateral direito Sam Byram (que estava no Norwich em 2016) foi outro ponto de interesse. De resto, mais de dez jogadores foram emprestados ou vendidos (incluindo os portugueses Ivo Pinto e Nélson Oliveira). A equipa está a ser remodelada, e muitos jogadores de segunda linha estão a ser despachados.

Para a época de 2019/2020, a principal esperança dos canaries será, provavelmente, Teemu Pukki. O atacante finlandês foi contratado na época passada ao Bröndby IF, da Dinamarca, a custo zero. No Championship, foi o grande destaque da equipa, levando o Norwich ao primeiro lugar. Acabaria a campanha com 29 golos, tantos como os que o Bolton Wanderers (23º classificado) marcou. Foi definido por Marcelo Bielsa, treinador do Leeds United, como um jogador raro no futebol inglês. “Joga de forma simples, mas muito eficaz”, disse o técnico argentino. Destaca-se mais pela sua capacidade de desmarcação e inteligência de movimentos do que por qualquer qualidade técnica ou física.

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Já com 29 anos, Pukki viu a sua carreira renascer em Norwich
Fonte: Norwich City FC

Ainda assim, podemos levantar muitas dúvidas quanto à capacidade de Pukki na Premier League. Antes de chegar a Norwich, o finlandês contava com passagens pelo Sevilla FC, pelo Schalke 04 e pelo Celtic Glasgow. Entre esses três clubes marcou um total de 19 golos em 85 jogos (excluindo as passagens pelo HJK Helsinki e pelo Bröndby IF, onde teve mais sucesso). O avançado nunca conseguiu encontrar a sua veia goleadora quando passou por clubes de maior projeção. Agora, na liga mais competitiva do mundo, será que vai conseguir aproveitar a confiança adquirida em 2018/2019 para causar estragos a defesas de topo? Certamente as as suas prestações vão ser cruciais para o possível sucesso do Norwich neste regresso à Premier League. Aliás, o empréstimo de Josip Drmic, vindo do Borussia Mochengladbach, acaba por ser uma apólice de seguro para uma possível quebra de rendimento do finlandês.

Mas, com 57 golos sofridos na época passada, o setor mais recuado precisa de melhorias. A contratação do guarda redes Fährmann parece um passo na direção certa. Daniel Farke, treinador do Norwich desde 2017, terá a sua primeira incursão na Premier League. É uma equipa com pouca experiência no principal escalão do futebol inglês, que vai, para já, tentar evitar aquela que seria a sua terceira despromoção em sete anos.

Foto de Capa: Bola na Rede 

Revisto por: Jorge Neves