Frank Lampard chegou ao Chelsea com o objetivo de equilibrar um clube impossibilitado de investir no mercado, devido à proibição da FIFA em fevereiro deste ano. Esse “transfer ban” teve origem em problemas nas transferências de vários jovens com menos de 18 anos, o que incapacitou a contratação de jogadores. O Chelsea sempre foi um clube habituado a investir forte e Lampard, no seu segundo ano de treinador, agarrou um projeto que pedia resultados imediatos e montou uma estrutura capaz de fazer frente a qualquer equipa, embora ainda necessitem de consolidar as ideias.

O técnico inglês já foi uma lenda dos Blues enquanto jogador e agora procura continuar o seu legado no clube, com outra função. Os resultados para já têm sido positivos, ele que na sua primeira época como treinador, esteve perto de subir o Derby County à Premier League, tendo sido eliminado no play-off de acesso pelo Aston Villa.

A diferença do inglês, para o substituído Maurizio Sarri, é que Lampard tem a capacidade de estudar os adversários e adaptar o tipo de jogo a eles, enquanto que Sarri defendia um modelo às cegas e por vezes tornava o jogo do Chelsea previsível. Além disso, a equipa de Sarri estava dependente da qualidade individual para vencer as partidas, principalmente de Eden Hazard. Com Lampard, há mais identidade no plantel e entendimento dentro de campo. Em alguns aspetos, o técnico inglês pode-se assemelhar a José Mourinho, devido à maneira como estuda os adversários e prepara a equipa para os encontros, mesmo contra os melhores conjuntos. As ideias estão lá, pecam apenas pela diferença nas rotinas de jogo e o setor defensivo ser ainda um tanto debilitado.

Apesar de os blues não poderem contratar ninguém, já tinham realizado uma transferência no mercado de inverno, antes do conhecimento do “transfer ban”. O reforço foi Christian Pulisic, que viria a chegar no início desta época. E que jeito deu! Tem sido um dos melhores jogadores até ao momento e surgiu como o substituto de Eden Hazard, o melhor jogador do Chelsea dos últimos anos, transferido para o Real Madrid esta época.

Fonte: Chelsea FC
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O clube tinha de contar com “reforços” de qualquer das maneiras, então Lampard adotou uma estratégia baseada na prata da casa. Aproveitou tanto jogadores da formação, como outros que também faziam parte dos quadros do clube e estavam emprestados a outras equipas. Frank Lampard tem aqui o mérito praticamente todo, a partir do momento em que os jogadores que se têm destacado mais nos blues são precisamente esses, como é o caso de Mason Mount, Tammy Abraham, Fikayo Tomori e Reece James.

O Chelsea tem surpreendido nos resultados apresentados porque as expectativas apontavam a que o Chelsea à 14.ª jornada estivesse bem abaixo da 4.ª posição com 26 pontos. Embora se notem problemas defensivos, espelhados nos 20 golos sofridos na Premier League, os londrinos apresentam boa qualidade nas exibições e prometem melhorias no futuro, isto porque nos jogos contra as equipas mais fortes o Chelsea mostrou-se superior em certos momentos do jogo e deu a entender que a estratégia vai resultar ao longo do tempo e quem sabe resultará em grandes conquistas para Stamford Bridge.

Na Liga dos Campeões o Chelsea situa-se na 3.ª posição do grupo H, com oito pontos, empatado com o Valencia e atrás, dos dez, do Ajax. Os blues precisam apenas de uma vitória no último jogo contra o Lille para se qualificarem para os oitavos-de-final porque embora perca no confronto direto com o Valencia, qualquer que seja o resultado final entre os espanhóis e os holandeses, serve para o Chelsea se qualificar. Se empatarem a partida contra os franceses, irão ficar dependentes de uma derrota do Valencia.

Embora Lampard repita várias vezes o mesmo onze, salvo raras exceções, e isso possa desgastar os atletas, o técnico conta com soluções aceitáveis para praticamente todas as posições. Na baliza, o suplente de Kepa Arrizabalaga é o experiente Willy Caballero.

Os defesas centrais titulares são regularmente Zouma e Tomori e contam ainda com soluções de qualidade como Rudiger e Christensen, ainda que Azpillicueta possa ocupar o lugar, principalmente numa defesa a três. Este último é o dono da lateral direita, com o jovem Reece James ainda como opção, ele que é polivalente e pode ocupar também o lado esquerdo. Neste lado, existem Marcos Alonso e Emerson Palmieri, que têm dividido o tempo de jogo.

Fonte: Chelsea FC

O meio campo mais usado é Jorginho, N’Golo Kanté e Mason Mount, no entanto, Kovacic também é utilizado várias vezes e muitas delas de início. Além do croata, há ainda o internacional inglês Ross Barkley e o lesionado perto do regresso, Ruben Loftus-Cheek, esquecido até ao momento, contudo, quando regressar, ainda vai ser bem útil para esta equipa.

Para extremos, surgem Willian e Pulisic como os mais preparados de momento, apesar de Pedro Rodriguez ser um jogador com uma qualidade acima da média aos 32 anos. Existe ainda Callum Hudson-Odoi, um jovem de apenas 19 anos e com muita esperança depositada pelos adeptos para o futuro. Para a frente de ataque, o jovem Abraham é o dono do lugar, apesar de Batshuayi ser um jogador útil para mexer com a partida quando entra, assim como o campeão do mundo Olivier Giroud, o melhor marcador da Liga Europa na temporada passada.

Surge então em destaque Tammy Abraham, que é o segundo melhor marcador da Premier League, com dez golos. O avançado de 22 anos estava emprestado ao Aston Villa na época passada, onde apontou 26 golos e foi crucial para a promoção da equipa à principal divisão de Inglaterra.

Mason Mount, de 20 anos, é outro que estava emprestado e foi aproveitado por Frank Lampard, eles que já se conheciam bem da época transata ao serviço do Derby County, onde se demonstrou como um dos melhores jogadores do Championship e de momento é um dos intocáveis do técnico dos blues.

Fikayo Tomori é outro produto da formação do clube e tal como Mount, esteve com Lampard no Derby County. Assumiu-se como titular pouco tempo depois de começar a época e nunca mais perdeu o lugar. Aos 21 anos, é um muro de betão na defesa londrina.

Reece James também fez a formação no Chelsea e o ano passado brilhou ao serviço do Wigan. É um lateral de apenas 19 anos com um futuro risonho pela frente. Lampard fez questão de contar com ele e prepará-lo para começar a ser opção regular, como tem sido nos últimos jogos.

O Chelsea tem ainda uma série de jogadores interessantes nas camadas jovens do clube e que de um momento para o outro podem dar o salto e começar a alinhar na equipa de Frank Lampard, como é o caso de Billy Gilmour, Conor Gallagher, Tino Anjorin e Marc Guehi.

Foto de Capa: Chelsea FC

Artigo revisto por Diogo Teixeira

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João é de Espinho, no norte de Portugal, é licenciado em Ciências da Comunicação e tem o objetivo de singrar no jornalismo desportivo. É um apaixonado pelo futebol e acompanha o desporto desde tenra idade, principalmente o campeonato português, as top 5 ligas e as competições europeias. Tem o tiki-taka de Pep Guardiola como referência futebolística.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.