Nos últimos anos, muito se tem discutido sobre qual a melhor opção para um jovem jogador: evoluir no clube de formação até atingir um certo nível de maturidade ou, tendo em conta a fraca aposta por parte dos treinadores nacionais em jogadores da “casa”, dar o salto para o estrangeiro à primeira oportunidade? O passado recente tem-nos mostrado que, apesar de tudo, continua a ser melhor crescer como jogador no país de origem. No entanto, isso não quer dizer que não haja casos de jovens que emigraram e estão a ser bem sucedidos. Um exemplo claro disso é Marcos Lopes, mais conhecido como Rony. O médio ofensivo transferiu-se do Benfica para o Manchester City em 2011 e, embora os citizens tenham um dos melhores plantéis do mundo, foi titular nos dois últimos encontros da equipa de Manuel Pellegrini. É, nesta fase, indiscutivelmente uma das grandes promessas do futebol português e mundial.

Jogar ao lado de estrelas como Agüero ou Yaya Touré é certamente um sonho para qualquer jovem em início de carreira. Aos 18 anos, Rony Lopes já o conseguiu, e a forma destemida como tem jogado é impressionante. O normal seria que, nas primeiras aparições, mostrasse alguma timidez e receio de arriscar, mas não é isso que tem acontecido, bem pelo contrário. Essa irreverência, a juntar ao enorme talento que possui, confirma que estamos na presença de um craque. É o jogador estrangeiro mais jovem de sempre a estrear-se pelo Man City – fê-lo com 16 anos, ainda com Mancini no comando técnico – e as boas exibições na UEFA Youth League, prova em que é um dos melhores marcadores, fazem dele o elemento mais promissor das camadas jovens do clube inglês. Na última semana, atingiu o auge da sua curta carreira: foi o melhor em campo no encontro da Taça da Liga com o West Ham, sendo autor de duas excelentes assistências para golo. Poucos dias depois, voltou a ser aposta de Pellegrini, desta vez no duelo com o Watford, a contar para a FA Cup. Esteve, porém, mais discreto, acabando por ser substituído no início da segunda parte.

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“Rony” Lopes tem sido aposta de Pellegrini
Fonte: Daily Mail

Apesar de ter nascido no Brasil, Marcos Lopes é internacional sub-19 por Portugal. É evidente que, nesta fase, já justifica uma chamada aos sub-21, onde pode ser uma peça importante no apuramento para o Europeu. Contudo, o mais importante é assegurar que o médio ofensivo não “foge” à selecção nacional. A questão que se coloca é que, para que o jogador não possa representar outro país – para além da canarinha, também a Inglaterra pode aliciar o craque –, tem de jogar num encontro oficial. Ora, a próxima competição de carácter oficial é o Mundial do Brasil, e a probabilidade de Rony ser chamado por Paulo Bento é bastante reduzida (nem faria muito sentido). Posto isto, torna-se fundamental que o luso-brasileiro se estreie pela selecção AA no apuramento para o Euro 2016, para evitar uma situação semelhante à de Diego Costa (jogou pelo Brasil num amigável e agora vai actuar pela Espanha). Apesar de o jogador garantir que não tem dúvidas de que quer defender as cores de Portugal, sabe-se que, no futebol, o que é verdade hoje amanhã pode não ser. Supondo que tudo corre como se espera – ou seja, que o jogador do City represente a nossa selecção –, o esquerdino tem tudo para ser um elemento muito importante no futuro. Tem características que, actualmente, fazem muita falta à equipa das quinas: tem uma técnica e uma visão de jogo apuradíssimas, desequilibra imenso através da condução de bola, tem uma capacidade de finalização muito acima da média e tanto pode actuar nos corredores como na zona central. Não o deixem escapar.

Acaba por ser irónico que um dos clubes com um dos melhores plantéis do mundo não tenha receio de lançar um jogador português tão jovem, algo que, à excepção do Sporting, raramente vemos os clubes nacionais fazerem (não terá Bernardo Silva mostrado qualidade suficiente para merecer mais oportunidades?). Ainda em idade de júnior, Rony tem um potencial enorme. Jogar ao mais alto nível nesta fase inicial da carreira é, sem dúvida, essencial para o seu crescimento. A dúvida que se coloca é se, estando num clube com tantos craques, o médio será capaz de, no futuro, assumir-se como uma peça fundamental nos citizens. Pelo que fez até ao momento e pelo estatuto que já alcançou, acredito que sim. No entanto, caso isso não aconteça, seguramente não faltarão interessados em contar com o talento da jovem estrela.

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