A CRÓNICA: RECITAL DE FUTEBOL ONDE OS DA CASA NÃO APARECEM

O AC Milan partia para esta jornada no topo da tabela classificativa, enquanto que a equipa de Bérgamo ocupava o sexto posto, numa posição pouco reveladora do futebol que tem praticado. Estavam reúnidas todas as condições para ser uma grande partida, a cabeça de cartaz da Liga Italiana na 19ª jornada.

Privilegiada por jogar em casa (ainda que, nesta altura, isso pouco signifique), a equipa de Milão quis entrar a mostrar quem manda e conseguiu ser superior nos primeiros dez minutos de jogo. A partir daí, esse ímpeto inicial esvaneceu-se e foi a equipa forasteira que assumiu as rédeas da partida, tendo mesmo chegado aos golo aos 26 minutos, por intermédio do defesa-central Cristian Romero. Um pontapé de canto estudado que deu frutos e colocou a Atalanta em vantagem no marcador.

Até final da primeira parte, a equipa visitante continuou a mandar no jogo, praticando sempre um futebol muito bonito e justificando a liderança no marcador. Para vencer, o AC Milan teria de fazer muito mais, uma vez que não teve qualquer remate enquadrado com a baliza do adversário.

Com a segunda parte, veio a entrada de Brahim Díaz, mas nem assim as coisas se alteraram. Se essa esperança havia, Kessie fez questão de deitá-la por terra, depois de uma infantilidade dentro de área que concedeu à Atalanta uma grande penalidade. Ilicic fez jus ao belo jogo que estava a realizar até então e colocou o marcador no 2-0. O AC Milan tentou, depois disso, responder, mas nunca foi uma equipa verdadeiramente perigosa. Foi um questão de tempo até sofrer o terceiro golo que fechava assim o encontro. Uma Atalanta muito superior, que conseguiu, desta vez, aliar à boa exibição os três pontos, algo que tem faltado neste campeonato. O AC Milan manteve a liderança, mas viu o rival de Milão aproximar-se, neste campeonato que promete ser disputado até ao fim.

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A FIGURA

Josip Ilicic – O avançado esloveno foi um verdadeiro tratado de futebol no Giuseppe Meazza, tendo acabado o jogo com apenas um golo de grande penalidade. Podia ter feito mais dois, mas, mais do que isso, foi o grande responsável pela produção ofensiva da equipa, enquanto esteve em campo. Sempre a aparecer entrelinhas, conseguiu quebrar toda a defesa do AC Milan e criar espaços neste que não era um jogo nada fácil para os forasteiros. Muito certo e eficaz nas suas ações, fez tudo bem e merece levar para casa a distinção de melhor jogador desta partida.

 

O FORA DE JOGO

Equipa do AC Milan – Fica a ideia de que os jogadores da equipa da casa apareceram para jogar os primeiros dez minutos e depois desinteressaram-se da partida. Nunca foram verdadeiramente perigosos na frente, e na defesa pareceram sempre muito permeáveis, permitindo à Atalanta criar muitas situações de golo. Nada funcionou neste jogo e foi uma tarde/noite para esquecer também para Pioli. Continuam na liderança, mas terão que fazer mais, se quiserem levantar o troféu que lhes foge há muitos anos.

 

ANÁLISE TÁTICA – AC MILAN

Stefano Pioli dispôs a sua equipa num 4-2-3-1, reforçando bem a zona do meio campo onde a Atalanta é muito forte, essencialmente por intermédio de Ilicic. Assim, à frente da linha dos defesas, jogaram Tonali e Kessie, os dois médios mais recuados, a contar com o apoio do médio mais ofensivo, Meite, que se estreou a titular na equipa de Milão. No trio de ataque, Rafael Leão pela esquerda e Samu Castillejo pela direita, no apoio ao ponta-de-lança, Zlatan Ibrahimovic, sempre muito presente na área a procurar ser servido pelos colegas de equipa. Durante o jogo, a equipa não conseguiu imprimar grandes dinâmicas, facilitando, assim, a tarefa defensiva do adversário, que pareceu sempre muito tranquilo no momento defensivo.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Donnarumma (4)

Calabria (5)

Kalulu (5)

Kjaer (5)

Théo Hernandéz (4)

Tonali (5)

Kessie (4)

Meite (4)

Castillejo (4)

Rafael Leão (4)

Ibrahimovic (5)

SUBS UTILIZADOS 

Brahim Diaz (5)

Musacchio (5)

Rebic (4)

Mandzukic (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – ATALANTA BC

A equipa de Bérgamo apresentou-se no típico 3-5-2, dando grande liberdade essencialmente aos dois alas, Hateboer e Gosens. Nem por isso esta é uma tática muito defensiva, uma vez que, para além dos três centrais, também o meio campo se mostrou bastante firme com de Roon e Freuler mais recuados e Pessina mais avançado, ainda que sempre atento ao momento em que a equipa perde a bola. À frente, apareceram Dúvan Zapata e Ilicic, o primeiro mais físico e perto da área, com o esloveno a ser mais um falso novo capaz de ligar os setores da equipa nos vários momentos do jogo. A partir daqui, isto é só tática, uma vez que as dinâmicas impressas por Giasperini são simplesmente notáveis e fazem a equipa jogar a um nível muito elevado, do melhor que se vê em Itália.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Gollini (6)

Toloi (7)

Romero (9)

Djimsiti (7)

Hateboer (7)

Gosens (7)

De Roon (7)

Freuler (7)

Pessina (7)

Zapata (8)

Ilicic (9)

SUBS UTILIZADOS

Maehle (6)

Muriel6)

Ruslan Malinovsky (-)

Palomino (-)

Caldara (-)

Artigo revisto por Mariana Plácido

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